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quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Chega de preconceito.


Neste início de terceiro milênio, onde a informação é disseminada com a ajuda de um “clique no mouse”, não há mais espaço para o preconceito; isto é coisa do tempo das cavernas. Naquela época, o homem saía em busca do sustento da tribo e, na volta, entregava a presa para que “ela” preparasse seu alimento. “Ela”, por sua vez, corria para a fogueira a fim de manusear aquele delicioso javali, bem ou mal passado. A história da mulher pilotar o fogão é milenar. Ela passava a maior parte do tempo no seu habitat, também, devido à sua força física, a qual indiscutivelmente é inferior a dele, além do ônus de cuidar da prole.Hoje em dia, isso não cabe mais, salvo os machões de plantão – aqueles que ainda estão na ilusão de que o lugar de mulher é na cozinha. Estes, sim, ainda estão na época das cavernas.O “tremendão”, o Erasmo, na sua canção “Mulher”: “Dizem que a mulher é o sexo frágil, mas que mentira absurda...”. Para ele, após um longo dia de trabalho (como o homem das cavernas), espera que ao chegar em casa, tenha a atenção total; porém, continua ele, um reclama “o seu peito, o outro reclama a sua mão”. Dependentes e carentes somos nós, que dependemos da força delas. E que força! Diz o chavão popular: “Atrás de um grande homem, sempre existe uma grande mulher” e o ditado contemporâneo complementa que é “para empurrá-lo”. “Na escola em que você foi ensinada, jamais tirei um dez, sou forte mas não chego aos seus pés”, complementa o poeta, nesta já consagrada canção.A mulher de hoje é administradora, corretora, negociadora. Ela é artista, dentista, motorista. Há algumas décadas, uma mulher no volante era motivo de chacota; quando se via uma batida de veículos, onde um dos motoristas era do dito sexo frágil, sempre se ouvia: “Só podia ser mulher mesmo”.Hoje, as mulheres no trânsito são motivo de respeito. Elas são muito mais conscientes e precavidas que os machões de plantão. Eles, por sua vez, quando estão de posse de um volante, se acham super-heróis; puros pilotos de Fórmula 1. O Departamento Nacional de Trânsito apresentou dados de uma pesquisa, feita entre 2004 e 2007, que constatou que apenas 11% dos “motoristas envolvidos em acidentes de trânsito com vítimas eram mulheres”.Atualmente, existem centenas delas em transportes escolares, em táxis, em ônibus e até caminhões. Fico imaginando as crianças, antes e após o horário escolar, sendo transportadas por elas. Para aguentar o falatório, só mesmo uma mulher: paciente, com seu extinto materno. Têm-se notícias que passageiros, após adentrarem em táxis, percebendo que “o” motorista era na verdade “a” motorista, desceram, dizendo que iriam pegar um táxi, dirigido por homem. Triste, mas é verdade.Percebe-se aqui, nas ruas da Manchester Catarinense, que mais e mais mulheres estão sendo responsáveis por centenas de passageiros, por meio das suas manobras e, diga-se de passagem, com muito respeito. Como diz a nossa Carta Magna: “Homens e mulheres são iguais em direitos ...”. Antigamente, os anúncios de trabalho diziam: admitimos motoristas do sexo masculino, ou, vaga masculina para almoxarifado. Graças à diminuição do preconceito, erros como estes estão se exaurindo.Finalmente, agora são as BRs que estão ganhando um pouco mais de batom e blush no volante. Assim como Bino e Pedro, personagens da série “Carga Pesada”, da Rede Globo, protagonizada por Stênio Garcia e Antônio Fagundes, mais mulheres estão se aventurando e abraçando como profissão este novo nicho de mercado. Parece ainda que os donos das estradas seguram um certo preconceito. Elas ainda sofrem. Ainda se ouve que, “a mulher deve colocar a barriga no fogão e não no caminhão”. Sabe-se que, no fundo, lá dentro do ego, eles sentem orgulho. Portanto, meninas, bola para frente. Com vossas presenças, as estradas ficarão certamente muito mais charmosas e seguras.

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Não dê um tiro no seu pé.


Hoje, só não estuda quem não quer. Vejamos Joinville: no início da década de 1980, era possível enumerar as instituições de ensino superior existentes, somando-se apenas os dedos de uma das mãos; e ainda sobravam dedos. Agora, quase no final da primeira década deste terceiro milênio, temos de usar até os dedos dos pés, pois o número cresceu demasiadamente. Este fenômeno, se pudermos assim afirmar, é nacional. A educação virou um comércio – e muito lucrativo. Numa mesma cidade, vários são os cursos na mesma área.Até bem pouco tempo, o percentual candidato/vaga era superior. Atualmente, esta proporção se inverteu; existem mais vagas do que candidatos; muito mais, diga-se de passagem, com exceção dos cursos clássicos e, principalmente, os das instituições públicas, sempre muitos concorridos.Instituições de ensino se proliferam e, com isso, o governo consegue mostrar ao mundo que o número de universitários vem crescendo no País. Todavia, o próprio governo percebeu que o negócio está “galopante” e começa, por meio do Ministério da Educação (MEC), a proibir vestibulares e “passar a faca” em vagas de cursos superiores de má qualidade, além de arquivar centenas de pedidos de novos cursos.Vários são os mecanismos de avaliação para se tentar manter uma educação de qualidade e, espera-se, elevar o nível do ensino. Alguns destes mecanismos são as avaliações do MEC como a Prova Brasil, para estudantes das séries finais do ensino fundamental, o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) e o Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (Enade). Vamos nos fixar aqui no último. Ele acontecerá em todo o País, no dia 8 de novembro (domingo!), às 13 horas, para alunos ingressantes dos primeiros anos e concluintes de dezenas de cursos, desde administração, ciências contábeis, passando por direito, design de moda, marketing, só para citar alguns. Não há como escapar. Até o ano passado, o MEC selecionava aleatoriamente os alunos de cada curso, em cada instituição. A partir deste ano, todos, sem exceção, terão de participar. A presença deve ser de cem por cento, caso contrário, o aluno não recebe seu diploma de conclusão de curso superior.Existe uma certa ojeriza em torno do Enade. Casos e mais casos começam a acontecer pelo País afora. Muitos universitários pactuam em simplesmente “assinar a prova e entregá-la em branco”. Metaforicamente falando é “dar um tiro no próprio pé”. E já aconteceu várias vezes, em vários Estados brasileiros, inclusive na Cidade dos Príncipes, às margens do Cachoeira. De fonte segura, me relataram que, uma determinada turma de formandos de um determinado curso fizeram o tal pacto. Algum tempo se passou até que os então formados começaram a distribuir seus currículos. Batendo “à porta” de determinada instituição, receberam um grande e sonoro não, dizendo que a instituição “não iria contratar profissionais que tiraram nota zero no Enade”. A consequência disso é que a própria instituição de ensino tem sua avaliação prejudicada. É o feitiço virando contra o feiticeiro.Até que se poderia ir um pouco mais adiante, alcançar o outro lado da moeda: acho que os professores também deveriam ser avaliados; sim, por que não? Afinal, existem aqueles que já se graduaram e ficaram parados no tempo. Aqueles que não procuraram se especializar com capacitações, especializações, cursos de extensão etc. Aqueles que, como os alunos, não leem. Aqueles que têm planos de aulas estão amarelados pelo tempo e, quando algo não dá certo, dizem: “Eu estou dando esta mesma aula a mais de 20 anos e os alunos nunca reclamaram”. É uma questão de tempo; o tal exame também se dará.Portanto, meninos e meninas, futuros profissionais graduados, ao receber seu caderno de questões, responda-o de forma consciente, dando o seu melhor, em benefício próprio, honrando suas instituições. Valorizem sua carreira acadêmica, porque, afinal de contas, foram quatro, cinco anos de dedicação e esforço e não se deve jogar a oportunidade pela janela. Boa sorte a sucesso.

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

A saúde bucal


“Hoje em dia, parece que a estética está ganhando da saúde bucal.” A afirmação é de propriedade de um dentista. E não é para menos. Conversando com um “médico da boca”, chegamos à conclusão que os cuidados com a beleza estão à frente, dos cuidados com a saúde. Então, vejamos. Cabelos, por exemplo, são mais bem tratados e acariciados do que os dentes. Parece que as pessoas passam mais tempo olhando seus próprios cabelos, do que preocupados com a saúde dental.Não é para menos: ir ao cabeleireiro dói menos que ir ao dentista. Existem lugares que para se “fazer pé e mão” chegam a cobrar R$ 30. Um corte com escova pode alcançar seus R$ 90; e, um retoque de raiz vai além. Os salões de beleza estão sempre cheios. A espera é longa e com hora marcada. Ao passo que os consultórios dentários, muitos estão vazios.O brasileiro não está acostumado a trabalhar a profilaxia, onde o dito popular afirma – é melhor prevenir do que remediar. Dizem os especialistas que o ideal é visitar o dentista duas vezes por ano. Muitos não recorrem a essa prática, nem mesmo uma vez. Nada contra os cabeleireiros, pois tenho amigos e alunos neste ramo. É simplesmente uma forma de comparação. Poderia até ser outra, como o tabagismo já comentado aqui neste espaço. O que se pretende alertar é que, na verdade, a saúde não custa tão caro assim, desde que se encare preventivamente.Um dos grandes motivos da procrastinação, sem dúvida, é a dor. É quase que impossível entrar e sair do consultório sem ela (durante, então, nem se fala!). Para muitos, são momentos de angústia e sofrimento. Porém, está mudando. Antigamente, sofria-se muito mais do que hoje. Na época do sr. Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes, sentia-se muito mais dor. Eram os “práticos” que cuidavam da boca das pessoas. Aqui no Brasil, este profissional, até pouco tempo, ainda era o responsável por essa prática, especialmente nas cidades menores. Eles aprenderam a lidar com a profissão, sem o devido conhecimento teórico.Atualmente, existem vários cursos nesta área. Aqui mesmo em Joinville já se graduaram vários dentistas e com alto grau de desenvolvimento. Diferentemente de países europeus como Portugal, aqui no País, o dentista tem a sua própria faculdade. Lá, a odontologia é uma especialização da medicina; estamos muito à frente dos dentistas da terra de Camões. Não é pra menos. Somos “exportadores de estética e matéria-prima”. Nossos profissionais estudam mais tempo e possuem um maior número de horas de prática e treinamento. Nas palavras de outro dentista: “A odontologia brasileira está entre as melhores do mundo, com profissionais reconhecidos internacionalmente. Temos um maior número de profissionais para cada indivíduo; no entanto, uma parcela grande da sociedade nunca foi ao dentista. É uma discrepância que grande parte da população não tenha acesso. A questão não será resolvida apenas com o incremento no número de profissionais, mas sim no estabelecimento de políticas públicas que visem à saúde bucal, como parte integrante de uma política de saúde atrelada ao desenvolvimento econômico, social e cultural da população”.Agora, o trabalho do dentista é muito mais que “catar dentes”. Ele tem ao seu dispor materiais e tecnologias que permitem realizar tratamentos até pouco tempo inimagináveis, como é o caso dos implantes dentários. A dor de hoje, nem se compara com as da época do mártir da independência.Neste próximo domingo, dia 25, é o dia da saúde dentária – Dia do Dentista. Vocês são profissionais, não que os demais também não sejam, abençoados por Deus. Particularmente, sempre quando estou aos seus cuidados sinto que a mão Dele está amparando às suas e que os anjos sempre estão por perto contribuindo para o êxito. Portanto, nesta semana, faça um favor a você mesmo: ligue para o seu dentista e o parabenize-o. Aproveite também para cuidar da saúde bucal.

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Você trabalha ou só dá aula?



Olá muchachos companheiros de profissão. Força; muita! A história apresenta que em 15 de outubro de 1827, o então primeiro Imperador do Brasil, Dom Pedro 1º, pai da “nossa” Dona Francisca (sim, aquela que começa no centro de Joinville e vai em direção a “Pira”) decreta que “todas as cidades, vilas e lugarejos tivessem suas escolas de primeiras letras”. Exatos 120 anos após, um tal professor Salomão Becker sugeriu aos seus pares que fosse feita uma pausa letiva para se debater as questões da educação, do planejamento das aulas, incentivando a troca de experiências. A iniciativa teve o apoio e foi crescendo até que, em 1967, o Dia do Professor foi instituído como feriado nacional pelo então presidente João Goulart. Seu intento era “comemorar condignamente. [...] Os estabelecimentos de ensino farão promover solenidades, em que se enaltecerá a função do mestre na sociedade moderna, fazendo participar os alunos e as famílias”.Como comemorar? Amanhã, creio eu, muitos estarão emergidos em correções de trabalhos e provas para o fechamento de mais um bimestre, ou mesmo “correndo atrás da máquina” na preparação das provas que se avizinham.Professor não tem sábado, não tem domingo. No seu próprio dia, continua trabalhando (sem soldo). Muitos ainda dizem que vida de professor é fácil; “é só dar aula”. Ledo engano. Tem professor que, para complementar a renda mensal, vende perfumes, cosméticos, é sacoleiro. Outros trabalham três turnos e, pasmem, muitas vezes não sobra real para o aprimoramento pessoal. Terminando esta aliteração consonântica, às vezes, chega a ser anormal; é irreal.Quando surgiu, ele era o dono do saber; quando falava, os outros ouviam. Para pedir a palavra, levantava-se a mão; quando alguém abria a porta, todos se levantavam. As provas eram aos sábados; daí o termo sabatina. Antes preocupava-se com a educação acadêmica; hoje, é tia, é profe, é teacher, psicólogo, pai e mãe. Parece que não detém tanto o saber, competindo com a poderosa internet.Não sei se Sócrates lograria tantos frutos quantos plantados em Platão, com o seu método do questionamento, com uma pergunta em cima da própria pergunta, fazendo o discípulo pensar. Hoje, não se quer pensar. Responder é mais fácil. A vantagem do problema a ser resolvido, a da mudança do comportamento, que gera o consequente aprendizado, é compreendida como aula chata.Dizem por aí que professor não trabalha – só dá aula. Hilário é ouvir de outro professor esta mesma pergunta. Existem os que não são professores e dão aulas. Aliás, quase que qualquer um pode virar professor. Existem dezenas de centenas que começam a fazer um “biquinho” e continuam. E os professores que são Professores e não professores ficam calados. Frequentemente, vê-se na televisão, nas páginas d’A Notícia, também, que fulano estava consultando sem nem mesmo ter cursado algum semestre de medicina; engenheiros construindo sem diploma, assim como dentistas e, todos, unem-se para desmascarar o impostor. Mas professor, qualquer um pode ser; e o próprio professor não faz nada para se impor.A matéria prima do docente é o conhecimento. Será que é possível estar em constante aperfeiçoamento? Será que é possível a compra de “um” livro, a cada dois meses, pelo menos, para se estar por dentro do que os grandes pensadores abordam? Será que é possível frequentar cursos de pós-graduação para o aperfeiçoamento contínuo?Triste mesmo é saber que muitos deixam a cátedra por falta de motivação. Outros por desilusão. Não que não sejam preparados para o ofício. Falta mesmo é educação. Aquela que deve ser aprendida em casa. Entretanto, a família também está deixando esta tarefa para os professores. Vocês pais, perdoem-me, pois toda regra tem sua exceção.Será que é uma profissão que está em extinção? Será que nós, os professores, não somos os culpados? Vamos refletir. De qualquer forma, amo o que faço. Para mim, não é profissão; é um prazer estar sempre aprendendo com colegas e alunos – meninos e meninas.

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Crematório ou não crematório?


Parafraseando Shakespeare, em Hamlet: “crematório ou não crematório, eis a questão”. A frase suscita muita especulação. Mas, afinal, quais são os temores, os mitos, as expectativas que carregam as pessoas quando se trata da hora de nos despedirmos dos nossos entes queridos?A cremação é a prática de incineração do corpo após a morte. Coloquialmente, é a passagem desta vida para outra dimensão. Engraçado é ouvir da maioria que “do outro lado tudo é muito melhor” ou “agora ele está descansando”. Porém, esta mesma maioria não pretende passar “desta para uma melhor” tão cedo.A Índia, por exemplo, desenvolve esta prática milenarmente. Numa conversa informal com alguns colegas professores, perguntei a uma como foi a experiência de ter assistido a um ritual de cremação, naquele país. Foi na cidade de Varanasi, às margens do rio Ganges. Havia um carro que carregava um volume, cheio de flores e um “embrulho de gente” com serragem, gravetos e flores por cima. Durante o processo, não havia cheiro. O único odor sentido foi o de sândalo, uma madeira aromática assim como outras do tipo. Só havia homens. Mulheres e crianças não participam, porque dizem que o choro atrapalha a ascensão da alma. O próprio Ganges é o cemitério. Morrer em Varanasi é o máximo da espiritualidade deles. Como se vê, foge à nossa cultura.Aqui em Joinville, a Câmara de Vereadores está discutindo a questão. Aliás, a discussão já vem de tempo. No final da década de 1990, quando o então prefeito Luiz Henrique da Silveira ainda ocupava o cargo, foi solicitado um estudo à implantação de um crematório. Faz, portanto, dez anos que se pensa na possibilidade de a Manchester Catarinense ofertar esta outra opção de ritual pós-morte. Naquela época, existia uma resistência muito grande; parece que agora a opinião está mudando, pois para a maioria das pessoas perguntadas, a resposta foi favorável.Atualmente, existe um projeto tramitando na Câmara, ao qual o prefeito Carlito Merss solicitou seu veto, para que seja encontrado um melhor local e definição para a questão da “ocupação do solo”. Mas ela não é só política ou burocrática. Dois grandes temas, pelo menos, devem ser considerados hoje em dia: a questão do meio ambiente e a questão religiosa.Com relação ao primeiro, existem duas correntes. Se, por um lado, a queima produz a poluição do ar, por meio da combustão e liberação do CO2, por outro, quando um corpo é enterrado, ocorre o efeito chamado “necrochorume” – o da decomposição, do qual 60% se tornam água; 30%, sais minerais; e 10%, substâncias orgânicas. Todo este material desce até as camadas do subsolo, poluindo desta forma os lençóis freáticos. Além da poluição, vem a questão do depósito: um espaço físico tremendo, comparado com aproximadamente um 1,5 quilo de cinzas; uma economia muito mais racional.Quanto à questão religiosa, existe a crença da ressuscitação; muitos acreditam que os mortos ressuscitarão. Chega a mexer com os brios e crenças pensar de outra forma. Outros já dizem que é a maneira mais fácil e rápida de se voltar ao pó. Para a ciência, após a decomposição, torna-se impossível um organismo voltar a viver. Mas, para Deus, tudo é possível. Se realmente for assim, das cinzas também se ressuscitará; por que temer? É difícil compreender. Faltaria lugar no planeta Terra. Isso não deixa de ser uma forma de pensar materialmente. Entretanto, o que permanece é a alma. O importante é o que a pessoa fez quando ainda estava neste mundo – ou deixou de fazer. O importante é a forma com que ela contribuiu para o engrandecimento da humanidade. O corpo perece; a alma permanece.Joinville já merece um crematório; já merece essa outra opção. É uma questão democrática. Aquele que pensa diferente, que utilize a forma tradicional. Outra coisa: antes que aconteça a hora, que seja feita a doação dos órgãos para aqueles que estão agonizando na dor, ou mesmo não enxergando esta natureza maravilhosa que Deus nos deu. De qualquer forma, tudo irá ou “pelos ares” ou por “água abaixo”.

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

O tiro certeiro


Uma das principais manchetes nos canais televisivos, jornais e revistas, na semana passada, foi o caso de uma comerciante do Rio de Janeiro mantida refém por um assaltante. Ele a envolvia nos braços, ameaçando explodir uma granada de mão caso não conseguisse um veículo para sua fuga. O desfecho todos sabem: um atirador de elite, com um tiro certeiro, alvejou o fora-da-lei.O noticiário não terminou assim, não. Um dia após o acontecimento, Ana Cristina, a comerciante, recebeu em sua casa o atirador, o qual lhe entregou um vaso de flores, recebido como se fosse seu anjo da “guarda”. Em seu depoimento, a comerciante afirmou: “Eu me sinto muito honrada de ter ele na minha casa, porque graças a Deus e a ele eu estou aqui, junto com a minha família”. Ele, por sua vez, desejou “saúde e sorte. Conte com a gente. Que Deus te proteja”. Abraços. Beijos. Muita emoção. Alívio por estar viva.Por ironia do destino, a família da comerciante trabalha numa ONG, a qual tem por objetivo tentar tirar crianças das ruas a fim de lhes proporcionar um futuro diferente. Ela foi motivada a partir do momento em que alguns assaltantes invadiram sua casa, há exatos 15 anos.O que mais chamou a atenção foi o fato de os dois terem falado em nome de Deus: ela dando graças, e ele desejando proteção. A pergunta que não quer calar é: será que Deus ajudou o atirador a salvar a vida da mulher com seu tiro certeiro?Não creio que a mão de Deus tenha ajudado no desfecho, muito menos tenha apoiado a ação do rapaz. Ele nos ajuda nos dando a vida; Ele ajuda nos dando cérebro e músculos para vencer nossos desafios. Para discernir o certo do errado, por meio do livre-arbítrio.As cadeias estão cheias de histórias como esta. Centenas de presidiários estão dividindo suas celas com outras centenas de presidiários. Quanto custa cada um deles? Existem estimativas de que a cifra chegue próximo de R$ 1,5 mil. Não é pouco. É muito mais do que o salário de um trabalhador honesto; muito mais que o salário de um professor. Paga-se para eles ficarem o dia todo sem produzir um tostão, muito pelo contrário, gerando despesas. Não adianta dizer que são vítimas da sociedade. E o livre-arbítrio onde fica?Será que a pena de morte é solução para a diminuição dos crimes no Brasil? Não. Países que a aplicam continuam a ter contraventores. O dinheiro poderia ser aplicado de outra forma. Quem sabe emprestar um pedaço de terra para que eles pudessem plantar, colher e, literalmente, ir para a cozinha preparar sua própria refeição? Ou seja, plantou, colheu, comeu. Não plantou, não come. Queimou o colchão, vai dormir no chão. Mas não é assim que acontece. Eles pintam e bordam. Têm comida quentinha, enquanto boias-frias, por exemplo, que estão contribuindo para o desenvolvimento do País, trabalham de sol a sol, degustando suas “boias frias”. Trabalham honestamente por menos que um presidiário custa.Nosso sistema carcerário não educa para a correção. Educa para a coerção. São verdadeiras escolas do crime, onde gangues especializadas comandam o tráfico, os sequestros etc. Depois de cumprida a pena, o presidiário fica à mercê da sorte; mais provável do azar. Sua integração é difícil, pois a maioria não se preparou para o momento da saída. Parece que ser bandido dá mais lucro do que trabalhar honestamente. Para o sociólogo Lúcio Castelo Branco, da UnB, “os presídios não recuperam ninguém, muito pelo contrário, são máquinas de aprimoramento da capacidade de lesar o outro”.As soluções são óbvias: aplicar maciçamente em escolas, em material didático, com melhores salários para professores, com capacitações de qualidade, com escolas estruturadas para proporcionar aprendizagem de qualidade. E, certamente, investimento na máquina carcerária.Portanto, Ele nos deu a vida. Nós é que fazemos dela o que melhor nos convier. Como se vê, a justiça do homem é falha, mas a Dele, como diz o dito popular: “Tarda, mas não falha”. Dela ninguém escapa.

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

A questão do trânsito


O trânsito brasileiro é uma guerra. É motorista de ônibus que não respeita motoqueiro; é motoqueiro que não respeita taxista; é taxista que não respeita ciclista; é ciclista que não respeita pedestre andando nas calçadas e, mais ironicamente neste caso, quando a via possui ciclovia, muitos andam fora dela. Uma ressalva: certamente há uma exceção para cada regra.Tem de tudo. É gente falando ao celular. É gente andando sem o cinto de segurança. É gente ultrapassando em linha dupla. Cadeirinha para crianças não é respeitada. Há pais que deixam seus filhos em pé no meio dos dois acentos dianteiros. Qualquer freada brusca, o resultado não pode ser outro além de choradeira.Porém, acho que as coisas estão melhorando, pelo menos no que diz respeito à dificuldade apresentada quando se pretende obter a permissão para o volante ou mesmo quanto à sua renovação. Ser motorista é muito mais do que ter uma carteira de habilitação no bolso: é ter responsabilidade.Esforços estão sendo protagonizados para dificultar e selecionar melhor os condutores. De acordo com o Código de Trânsito e sua lei 9503/97 (fica sugestão de leitura), todos os condutores devem frequentar aulas teóricas e práticas e os que renovarem suas carteiras devem frequentar o curso de direção defensiva e noções de primeiros socorros. Foi o caso de um amigo “(m)eu”. Estava com a carteira vencida há mais de um ano e não havia percebido. Imediatamente se inscreveu e começou a frequentar as aulas.Como qualquer curso, sempre levo meu caderno para fazer anotações. E neste não foi diferente. Eu me considero um motorista cuidadoso, pois qualquer descuido dói no bolso e na carne. Sempre carrego certas normas de conduta, tais como: ligar o pisca em qualquer situação de mudança de pista; manter distância considerável para com os veículos que antecedem e precedem; sinal vermelho é pare e verde, passagem livre; porém, sempre olhando com cuidado todos os cruzamentos. Crianças no banco traseiro devem usar cinto de segurança (especialmente aquelas com menos de dez anos) e os passageiros também, sem exceção. A lei da vantagem é proibida: ultrapassar em linha dupla, não; pela direita, não; andar na faixa destinada ao transporte coletivo, também não; dar sinal de luz quando a polícia está realizando blitz, nem pensar. Aliás, os contraventores agradecem. Desta forma, faz com que eles optem por vias alternativas. Tem gente que acha legal avisar motoristas que trafegam em via contrária que há policiamento à frente. Evitem.Ao final do curso, sabem o que aprendi? Que o primeiro acidente de carro no Brasil foi protagonizado pelo poeta-escritor Olavo Bilac. O “Príncipe dos Poetas Brasileiros”, autor do “Hino à Bandeira”, foi o brasileiro que primeiro provocou um acidente automobilístico. O fato se deu em 1897. Ele havia emprestado o carro de um amigo e chocou-se com uma árvore. Acho que o curso deve ser repensado. Na verdade, ele está mais para “curso de conscientização”. Assisti a mais vídeos de acidentes e sangue rolando do que no filme “Sexta-feira 13”, com o mascarado Jason.Com relação às multas, creio que elas deveriam ser registradas em nome do motorista e não à placa do carro, afinal de contas, quem as cometeu foi ele e não esta. A consequência é que, ao se comprar um veículo no Brasil, sempre fica a dúvida: estou comprando um veículo com ou sem multas? Sabe-se de grandes prejuízos e dores de cabeça.O que falta mesmo é prudência, cidadania e conscientização. Precisa-se perceber e adotar a postura de que não estamos sozinhos no trânsito. Todos repartem o mesmo espaço e dois corpos não ocupam o mesmo lugar. Dar a vez é uma questão de bom senso, afinal, estamos todos no mesmo barco: uma vez somos pedestres e outra, motorista. Dirigir consciente é respeitar as leis. Carrego dois princípios: “Se você está com pressa, saia mais cedo” e “se está atrasado, chegue atrasado”. A vida vale mais do que alguns segundos.

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Brasileiros no exterior


Viver em outro país não é um mar de rosas como pensa a maioria. Antigamente, as pessoas achavam que o dinheiro dava em árvores e se voltava rico. Ledo engano. Neste assunto posso falar de carteirinha. Vivi seis anos da minha vida nos Estados Unidos e posso dizer que foi uma experiência marcante para mim e para a minha família. Já faz alguns anos; 14 para ser mais exato. Ainda me recordo das lições aprendidas.Quando decidi arriscar a vida na terra do Tio Sam, tinha três objetivos bem definidos: o sonho da casa própria, conhecer a América e aprender inglês. São sonhos comuns que a maioria dos brasileiros possui. Graças a muito esforço e dedicação, foi possível atingir os três, mas não foi fácil. Trabalhava de segunda a segunda, literalmente. Costumo dizer que trabalhava segunda, terça, quarta, quinta, sexta, sábado, domingo.Sim, sete dias por semana, 30 dias por mês, 365 dias por ano. Natal, Ano-novo, Dia dos Pais, das Mães, do Trabalho, Páscoa e tudo que vocês possam imaginar. Lá se dá muito valor ao trabalho. Lá se aprende o que realmente significa trabalho, sem enrolação do tipo um trabalha e três ficam olhando.Claro que o início nunca é fácil. A maior dificuldade a ser enfrentada é a do idioma. Por mais que você aprenda, sempre tem a dificuldade na hora de ouvir, processar, compreender, para então responder o que lhe é solicitado. Eu costumo dizer aos meus alunos: aprenda o máximo que você conseguir. Se você aprender pouco, você sofrerá bastante. Se você aprender bastante, você sofrerá pouco. De qualquer forma, você sofrerá. Se o início não é fácil, o meio e o fim também não. É claro que depois que você domina o idioma as coisas mudam: sofre-se menos.A saudade da família e dos amigos é muito grande. Hoje em dia, tudo é muito mais fácil. Por meio da internet, nos comunicamos com qualquer parte do mundo, online, ao vivo e em cores. A webcam nos ajuda muito neste sentido. Pode-se matar a saudade com um bate-papo na frente do computador. Isto faz com que as pessoas possam se ver cara a cara, mesmo de longe. Na minha época, era só por meio de carta e telefone. E depois da ligação muita choradeira.O bom que é chorávamos juntos, abraçados. Saudades dos amigos, parentes, da cidade. Chorar é um verbo que todo brasileiro conjuga quando está fora do País, e muito. Joinville estava sempre na nossa mente e no coração.Existem também várias perguntas que se pode elencar. Por que muitos se aventuram? Quais são os benefícios e os malefícios? Vale a pena? Para mim, valeu em todos os sentidos. Hoje moro na minha casa. Não posso dizer que conheço o país do Obama 100% porém, parte dos lugares onde passei estão retratados na memória.Eu não ouvi falar, como a maioria, tampouco me disseram. Eu vi, com meus próprios olhos, como eles vivem, falam, comem. Conheci a cultura, os costumes. Por meio do idioma aprendido, faço minha profissão hoje em dia. E além do inglês, aprendi espanhol. Quem mora na Flórida convive com colombianos, porto-riquenhos, cubanos e, na grande maioria, mexicanos. Dá até pra dizer que eles são iguais a nós.Dentre muitas coisas de que sinto falta, uma delas é a profissionalização dos serviços. A carteira de motorista tirei-a num dia. Os bancos não têm fila. O tráfego é o dos sonhos. Todos respeitam as leis de trânsito e não tem o jeitinho brasileiro, muito menos o do americano.Quando se entra em uma loja, se é recebido com um largo sorriso no rosto. Nunca fui atendido por algum funcionário mal humorado, achando que estava me fazendo um favor. A grande frase do comércio é: sua satisfação ou o dinheiro de volta. Se você não está satisfeito com o produto comprado, você recebe o rico dinheirinho de volta. É difícil de acreditar, mas é verdade.Porém, é muito bom quando se retorna. Ver os amigos, a família e novamente Joinville. Esse é o maior prêmio. Quando me perguntam se pretendo voltar, respondo: só se for para ver meu amigo Mickey Mouse. Se valeu a pena, respondo, como disse Fernando Pessoa: “Tudo vale a pena se a alma não é pequena”.

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Parabéns, administradores


Nada melhor que comentar, neste quase início de primavera, a respeito do Dia do Administrador, afinal, hoje é o dia daqueles que planejam, organizam, comandam, coordenam, certificam-se de que a empresa a qual está sob sua responsabilidade continue oxigenada, gerando bons frutos.Parabéns, administradores. Vocês são uma das chaves do sucesso da sociedade. Não é para menos que são considerados profissionais generalistas. São tantos os conhecimentos adquiridos durante a vida acadêmica e prática que os tornam tão importantes. Estudam marketing, qualidade, economia, contabilidade, além das disciplinas generalistas, como a nossa língua portuguesa, a tão temida matemática financeira, a filosofia – para compreender como os grandes administradores da história pensavam –, e muitos até inglês, que representa uma das formas de comunicação neste mundo globalizado.Parabéns, administradores. Foi por meio de Adam Smith (1723-1790) que a administração tomou força quando ele percebeu que, na divisão do trabalho, funcionários especializados poderiam produzir mais alfinetes juntos do que cada um produzindo o seu, iniciando, de certa forma, o conceito da produção em série. Na sequência, vieram Taylor, Fayol, Weber e, contemporaneamente, Peter Drucker, considerado o pai da administração moderna.Parabéns, administradores. E o nosso Brasil varonil como está? Todo ano, mais administradores se graduam. E, falando a respeito do nosso verde-amarelo, tivemos tantos presidentes desde Deodoro da Fonseca, dentre eles, militares, economistas, advogados, sociólogos, e agora um torneiro mecânico. A pergunta que não quer calar é: quando teremos um presidente administrador por formação? Perdoem-me se errei, mas me parece que, de formação, nenhum. Não que eles não tenham sido bem assessorados administrativamente por seus colaboradores, porém gostaria de ver um presidente administrador de formação. Um grande amigo desta área me lembrou que a administração privada tem como foco o resultado econômico, ou seja, o lucro. Neste caso, ele deve agradar a seus acionistas e ao proprietário da empresa, tornando viável seu empreendimento. Tudo tem de ser milimetricamente calculado, especialmente as entradas e as saídas do caixa. Entrar no vermelho é proibido, afinal, essas empresas não possuem dinheiro no final do mês, têm de gerar trabalho, serviços para obter sua subsistência.Na atividade pública, o caso é diferente. Este administrador já sabe de antemão, se pouco ou muito, o quanto será depositado no seu caixa no final do mês. O da administração privada trabalha pensando em como gastar menos para lucrar mais. A palavra de ordem é “enxugar”. O da administração pública, com raras exceções, é diferente. Por saber de antemão seu caixa, trabalha o lado político. É mais gente para produzir o que a metade poderia fazê-lo, pois o dinheiro não saiu do bolso dele, mas sim dos cofres do governo.Parabéns, administradores. Vou ser mais pretensioso agora. Quem sabe tenhamos um presidente que tenha se inspirado nestas palavras e encare a administração com ciência e consciência. Se não for presidente, pode ser governador, prefeito ou até vereador. Mesmo que nenhum pretendente ao cargo-mor da nossa política tenha aqui se inspirado, vamos nos inspirar e ajudar nossos vereadores, prefeitos, governadores e até o nosso presidente a tornar esta Nação um país melhor para se viver, com mais igualdade de oportunidades e direitos.O bom administrador é aquele que pensa na sua empresa, ou para a qual ele labuta, projeta seu futuro, o lucro, e, sobretudo, o bem-estar dos seus comandados. O bom administrador é aquele que administra sua empresa como a uma família, onde todos se encontram satisfeitos, por meio das suas responsabilidades e deveres, colhendo os louros nas conquistas coletivas. Talvez um presidente administrador consiga fazer deste País a maior nação do mundo. Portanto, administradores, parabéns.

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Ficção científica: ontem, hoje e sempre


O futuro sempre existiu, inclusive agora estamos vivenciando-o. A ficção científica é um assunto que sempre me fascinou. Muitos de vocês lembram, por exemplo, do filme “Jornada nas Estrelas”, com o capitão Kirk e o Sr. Spock, aquele alienígena do planeta Vulcano, com suas orelhas pontiagudas; do “Perdidos no Espaço”, da família Robinson e do atrapalhado Doutor Smith. Numa versão mais nova, temos “De volta para o futuro”, com Marty McFly, que viajava tanto para o passado quanto para o futuro, com a ajuda do cientista maluco Doc, no seu carro voador. Todos eles têm em comum coisas que muitos julgam impossíveis de acontecer no futuro: a viagem no tempo e o teletransporte. Será que serão possíveis? Irão acontecer no futuro? Acho que sim.Mais recentemente, clássicos do cinema como “O Homem Bicentenário”, do robô que é considerado humano no final do filme, e por que não falar também do próprio “Eu, Robô”, quando nossos amigos enlatados começam a expressar sentimentos de amor e ódio? Lembro-me remete àqueles filmes em que a raça humana é dominada pelas latas de sardinha, como dizia o atrapalhado Dr. Smith. Prestem atenção: o dia em que os robôs expressarem sentimento, será o começo do fim da raça humana; e já está acontecendo nos filmes de ficção científica. Isto sim me preocupa.São possíveis tais fatos, que hoje são considerados ficção, se tornarem realidade? Mais uma vez, sinceramente acredito que sim e a história me respalda. Então vejamos: quando o Dr. Spock pegava o seu comunicador para falar com a Interprise, o fazia praticamente por meio do que hoje chamamos de telefone celular. Quando o homem primitivo começou a se comunicar, o fazia por meio da fumaça. Se, naquela época, lhe dissessem que no futuro haveria um aparelho que transmitiria sua voz ao outro lado da montanha, eles iriam dizer que seria impossível. Hoje é realidade. Ficção científica. Foi uma questão de tempo, de dias.Outra ficção científica do passado foram os transplantes de órgãos. Se eu tivesse falado ao meu bisavô que no futuro iriam transplantar o coração de uma pessoa falecida em outro que tivesse com o seu doente e ele continuaria a viver, provavelmente até me bateria e diria: “Guri, tu tá loco”. Em 1967, foi efetuado o primeiro transplante de coração e, desde então, foi um sucesso; os transplantes se tornaram coisa corriqueira. Ficção científica do passado que se tornou realidade.Leonardo da Vinci, por exemplo, foi um visionário. Dentre seus desenhos idealizou uma máquina que tinha como propulsão hélices. Naquela época, era ficção; hoje, são os chamados helicópteros. Imaginava o homem mergulhando com câmaras presas ao corpo. Antes ficção, hoje são os escafandros; os tanques de guerra ele também os desenhou, hoje...Em “Star Wars”, George Lucas apresenta uma cena onde existe uma comunicação em forma de holograma; ficção científica. Há algumas semanas, os noticiários da televisão apresentaram a nova onda: pessoas no palco contracenando com hologramas. A apresentadora disse: “Parecia coisa de cinema, mas já é real”. No futuro, daqui a alguns dias, conseguiremos ver uma escola de samba inteira na nossa casa; de que forma? “hologramificada”.Creio que o homem viajará no tempo, se já não o faz e não percebemos. É só uma questão de dias. Talvez mil dias, talvez 10 mil dias, talvez um bilhão de dias; porém, uma questão de dias. O que se imaginava impossível ontem, é realidade hoje. Foi pura questão de dias. Muito da ficção científica do passado hoje é realidade e está por toda a parte na nossa vida.Acredito plenamente no teletransporte e na viagem no tempo. Hoje é pura ficção científica. No futuro, ela se transformará em realidade, assim como a história tem se repetido e, novamente, me respaldado. Lembrem-se: a ficção científica do passado vem se tornando realidade. Portanto, vamos dar tempo ao tempo.

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Dia Nacional de Combate ao Fumo


O dia 29 de agosto é tido como o Dia Nacional de Combate ao Fumo e eu não poderia deixar esta oportunidade passar em branco e de expressar minha opinião. Confesso que já fui fumante; não chegava a uma carteira por dia. Carregava o vício; e era atleta. Quanto antagonismo, apesar de não ter fumado por muito tempo.Hoje, vejo o quanto ganhei após ter cortado o vício pela raiz. Primeiramente, falando em termos financeiros, se tivesse colocado na caderneta de poupança diariamente o valor dos maços de cigarro que deixei de consumir, tranquilamente teria uma quantia considerável esperando por mim. Em segundo lugar, minha saúde. Todo ex-fumante tem uma vida mais saudável e sente o gosto dos alimentos melhor. Quem já parou de fumar sabe do que estou falando.O fato de parar de fumar é tão marcante na vida da pessoa que quando, ele acontece, lembra do dia, da hora e da ocasião. No meu caso, foi quando estava na faculdade. Um amigo me ofereceu um cigarro. Ele de pé, eu sentado. Rejeitei. Ele olhou para mim com cara de quem não estava me reconhecendo. Recusar um cigarro para um fumante é quase fato raro. Foi no dia 10 de setembro de 1985, às 7h30. Na época, já estava mesmo pensando em parar de fumar. Só pensava. O fato mais marcante ainda, o que realmente me fez largar o vício, foi minha filha. Eu estava assistindo à televisão na sala de casa, e ela, com menos de um ano, estava de pé, agarrada no braço da poltrona, olhando com seus olhos arregalados a fumaça que saía da minha boca.Provavelmente estava se perguntando: “Que fumaça é esta que está saindo da boca do meu pai?” No mesmo instante, comecei a refletir e repetir: “Eu sou mesmo um idiota. Por que eu fumo? Quando esta menina crescer e começar a fumar, como pai não poderei dizer: “Não fume, porque o cigarro faz mal para a saúde”. Isto é o que normalmente acontece. Os pais bebem ou fumam, porém quando seus filhos iniciam “na prática”, dizem isto.Comecei então a me ver não fumando e que eu realmente iria parar de fumar. E assim fiz. Foi exatamente naquele momento descrito anteriormente. Não foi fácil. Lembro-me que costumava acordar de madrugada, com fortes dores de cabeça e não sabia por quê. Com o tempo, fiz a relação. Substituí o cigarro por balas. Já não comprava mais maços de cigarro; comprava pacotes de bala. Foi o que me ajudou a substituí-lo. Com o passar do tempo, me dei conta de que estava viciado em balas. Também superei o consumo excessivo das balas, antes que viesse a diabetes.Cheguei à conclusão de que as pessoas não param de fumar porque não querem. Ironicamente, sempre digo a elas que “não” devem parar de fumar. Sempre digo que alguém deve pagar o papel produzido para enrolar o cigarro, a tinta que imprime as letras nos maços, o médico no hospital e os balconistas nas farmácias vendendo remédios, com o intuito de chocá-las. Mesmo com anúncios nas próprias carteiras dizendo que o produto causa câncer, as pessoas continuam fumando. Mesmo informando que o cigarro possui mais de 4.800 substâncias letais, continuam fumando. Mesmo os homens sendo informados que causa impotência sexual, continuam fumando. Não é fácil, eu sei.O velho ditado diz: “Se conselho fosse bom, não se dava; se vendia”. Mas eu vou tentar dar o meu, diretamente aos que fumam. Se vocês quiserem parar de fumar, a melhor forma de fazê-lo é cortar o mal pela raiz. Por quê? Desta forma você sofrerá somente uma vez. Se você tentar parar de fumar aos poucos, você irá sofrer também aos poucos e por um longo tempo. Sofra uma vez só. Se não conseguir, siga então o caminho paulatinamente. Viva mais e com melhor qualidade de vida.Dê um presente a você e à sua família: aproveite o Dia Nacional de Combate ao Fumo. Este, na verdade, será o seu melhor presente para a sua vida.

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

O troquinho nosso de cada dia


Com certeza, você já conhece esta cena: após passar por algum caixa e pagar suas compras, na falta do troco, lhe ofereceram balas em vez do troco propriamente dito. Não precisam nem responder.Morei nos Estados Unidos por seis anos e sempre me retornaram o troco, independentemente do seu valor. Lá, se o seu troco for três centavos, você recebe três centavos. Se for um centavo, você recebe o seu rico um centavinho, chamado de penny. Jamais me ofereceram bala de troco, nem chicletes, tampouco caixas de fósforo. É uma questão de cultura: não importa quanto; dinheiro é dinheiro. Aqui no Brasil, ninguém reclama da falta do troco. Em países de primeiro mundo, o troco é sagrado.Comecei então a fazer experiências: exigir o troco só para ver a reação das pessoas. Bastaram algumas tentativas para receber hilárias respostas. No caixa de um supermercado, minha conta foi de R$ 6,49. Dei R$ 6,50 e disse: “Quero ver se você vai ter o troco”. Ela respondeu: “Se o senhor quiser, chamo a assistente de caixa”. “Sim”, repliquei. A moça do caixa ao lado se virou e olhou pra mim. Tentei imaginar o que ela estava pensando: quem é este chato que está querendo R$ 0,01 de troco? Ela acendeu a luz. Em poucos instantes, chegou uma assistente de caixa e ficou sabendo que eu queria meu troco. Ela foi buscá-lo. Durante a espera, as duas caixas começaram a conversar comigo: “A próxima vez que eu vir o senhor, já vou acender a luz (risos)”. A outra retrucou: “Pior é que ele tem razão: nós deveríamos ter uns centavinhos na gaveta do caixa”. A assistente voltou; recebi, então, meu troco.Na sequência, entrei em duas lojas de R$ 1,99 e comprei o mesmo produto: paçoquinhas de amendoim. Nestes dois testes houve respostas diferentes. Na primeira, a moça do caixa me perguntou se poderia ser uma balinha de troco; disse-lhe que não. A cliente que estava atrás de mim olhou com espanto. Ela me deu meu R$ 0,01. Percebi que ela também tinha um pote com balas, bem à mão, próximo ao caixa. Na segunda loja, foi diferente. Quando entreguei minha paçoquinha, a pergunta foi a mesma: “Pode ser uma bala?” Claro que eu disse não. Ela então disse que não tinha troco; retruquei que queria meu troco. Ela se rendeu e me deu R$ 0,05, porém antes me perguntou: “Você tem quatro centavos de troco?” E eu respondi: “Não”. Então ela disse que eu poderia ficar com aquela moedinha.Numa lotérica, a moça do caixa disse que não tinha o meu troco: R$ 0,04. Falei-lhe que queria meu troco (estava rindo por dentro, porém queria ver a reação dela). Ela pediu para deixar para o próximo dia. Insisti que queria meu troco. Ela me devolveu R$ 0,05. Na semana seguinte, quando voltei à lotérica, havia um cartaz: “Favor confira o seu dinheiro no ato do troco. Não aceitamos reclamações”. Parece até piada, mas é a pura verdade.Vamos fazer uma conta rápida: imagine que você passou no caixa de um supermercado e ele ficou devendo o seu troquinho: R$ 0,02. Multiplique por cem clientes em um dia. Agora multiplique por 30 “bocas de caixa”, por dia. Continue multiplicando por 30 dias. Finalmente, multiplique por dez lojas em todo o Estado. Total: R$ 18 mil. Você sabe quem paga aqueles brindes que são sorteados no final do ano? Nós, com o nosso rico troquinho, juntando cada centavinho que nós não exigimos; e são só dois centavinhos!Outro dia, quando minha filha estava passando pelo caixa perguntaram a ela: “Posso ficar devendo R$ 0,10?” Ela respondeu com a mesma pergunta: “Posso eu ficar devendo R$ 0,10?” Disse-me que recebeu de troco R$ 0,25, com uma batida de mão no balcão e uma “cara feia”.Para finalizar, um amigo gerente aposentado de várias agências bancárias em Joinville me disse que as moedas de R$ 0,01 não estão mais sendo produzidas pelo Banco Central. Pois é, meninos e meninas, aonde vamos parar? Eu só sei de uma coisa: faço questão do “troquinho nosso de cada dia”. Não quero mais balas.

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Fique atento


Albecir, 38, funcionário de uma empresa de prestação de serviços na área de concertos eletrônicos, trabalhava com instalação e reparo de antenas parabólicas. Todos os dias, como de costume, ao chegar no trabalho, sua prancheta já estava preparada com as visitas a serem feitas. Sobre o balcão, após um rápido olhar, sempre percorria os endereços para poder fazer sua rota, a menos que houvesse alguma observação a pedido do próprio cliente, para que o serviço fosse efetuado em determinado horário do dia. Casualmente, na madrugada anterior, houvera uma chuva de granizo e, quando tal fato se dá, além dos telhados das casas, as antenas parabólicas sofrem danos. Com uma carteira de clientes considerável, sua primeira parada naquela manhã foi em uma cidade vizinha.Durante a tarde, foi instruído a verificar um defeito de imagem na casa da família Nunes. Das duas antenas parabólicas, somente uma estava recebendo o sinal. Como de costume, Albecir buscou sua caixa azul de ferramentas e a colocou no porta-malas. Na parte superior do carro, amarrou a escada, daquelas que quando em uso formam a letra “A” maiúscula. Ao chegar a casa, foi recebido pela empregada, a qual o levou até o local onde estavam instaladas as antenas. Ela o lembra que desta vez os cachorros estavam presos. Santa graça, pois ele tinha verdadeira aversão a caninos. Durante o serviço, o senhor Nunes, patriarca da família, aproximou-se sorrateiro e conversou com Albecir: “Capricha aí, meu rapaz”, sorridente. “Deixa comigo, seu Nunes. O senhor sabe que o serviço aqui é de primeira. Assim que eu terminar, vou provar mais uma vez ao senhor!” “Não tenho dúvidas. Por isso sempre chamamos vocês quando precisamos”. Sorridente, permaneceu olhando o rapaz executar seu serviço. Naquele dia, o velho trajava marrom, com cinto da mesma cor e camisa amarela de mangas longas, dobradas até o cotovelo. No braço esquerdo, reluzia um daqueles cebolões antigos, dos que ainda precisavam dar corda, de marca estrangeira. Após pouco mais de uma hora, Albecir conseguiu detectar o problema. Trocou a peça danificada e solicitou à empregada que chamasse o sr. Nunes para conferir o reparo, pois já estava pronto para ir embora. “Vou chamar a sra. Nunes”, disse ela. “Moça, chame o sr. Nunes, por favor”, insistiu. “Prometi que, assim que terminasse, lhe provaria que somos os melhores da cidade”, disse Albecir. A moça, com expressão de espanto, saiu correndo em direção ao interior da casa e voltou com a sra. Nunes. Naquele momento, percebeu um certo ar de espanto nas duas mulheres e insistiu mais uma vez pelo Sr. Nunes. Porém, para sua surpresa, dessa vez, a mulher mais velha lhe diz: “Moço, meu marido faleceu há exatos 30 dias”. Albecir inconformado, afirma que havia falado com o homem no momento que iniciou seu serviço, logo após a moça ter ido ao interior da casa. A senhora Nunes, por sua vez, perguntou sobre o que os dois conversaram. Procurava saber detalhes, especialmente a roupa que o falecido estava vestindo e se Albecir era médium. Para sua surpresa, ele afirmou que não seguia religião alguma e, muito pelo contrário, se dizia ateu. Sobre a vestimenta, para espanto de todos, era exatamente a mesma que o seu marido vestia no dia da sua partida; inclusive seu relógio.O fato que acabo de lhes relatar foi descrito por alguém que conheço e aconteceu aqui mesmo em Joinville. Como explicá-lo? A ciência afirma que todo fato que não se pode repetir, não se pode provar. Entretanto, foi verdade. Mesmo que tenha sido um simples episódio, aconteceu. Às vezes, sem nos dar conta, coisas acontecem ao nosso redor. Pode ser um simples: “Que horas são?”, “Bom dia!” ou até mesmo um pedido de informação sobre o ponto de ônibus mais próximo. Que tal ficarmos mais atentos?

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Pontos de luz


Cheiro de jasmim. Cachoeiras. Águas cristalinas. Força. Luz. Que bom seria se este mundo fosse um lugar, digamos, de menos expiações. Entretanto, aqui estamos. Do jeito que merecemos. Do jeito que precisamos. Nem um pouquinho a mais, nem um pouquinho a menos. O famoso dito popular: “Há males que vêm para o bem”, não faz parte do meu vocabulário. Para mim, se é bem, se é bom, não é mal. Portanto, não há mal. Tudo é para o nosso bem.Que bom seria se o nosso planeta fosse um lugar, talvez como o Sol, com relação à luz por ele emanada, com relação à força, à energia, que nos proporciona. Que bom seria se a Terra fosse um lugar de amizade, onde ela e o amor perdurassem de verdade, na acepção da palavra e não só da boca para fora. Não é fácil. Parece que só as almas puras conseguem transparecer tal ternura. Quando penso assim, algumas pessoas passam pela minha mente: a Madre Tereza, o papa João Paulo 2º, Chico Xavier, Jesus Cristo. É claro que existem dezenas mais, centenas mais, milhares mais; e estas pessoas estão às vezes ao nosso lado, na nossa frente, na nossa própria casa e não nos damos conta.As palavras têm um peso tão grande que, assim como destroem, constróem; assim como batem no peito e machucam, tocam no coração e elevam. Elas são poderosas, sabemos. Entretanto, não creio que elas removam montanhas como dizem. A oração ensinada pelo mestre dos mestres, o doutor dos doutores, o maior professor que o mundo já viu, é, na maioria das vezes, uma ato mecânico: “Perdoai as nossas ofensas, assim como nós perdoamos a quem nos tenha ofendido”. Será que realmente perdoamos? Será que pensamos quando oramos? Creio que o melhor seria “perdoai as nossas ofensas quanto nós perdoarmos a quem nos tenha ofendido”. É a partir do momento do nosso perdão que seremos realmente perdoados. Mas, quem somos nós para perdoarmos? Simples mortais. O que estamos fazendo para tornar este mundo um lugar melhor para se viver? Qual herança deixaremos quando partirmos?Acredito em pontos de luz. Acredito na força do pensamento. Acredito na força do elogio, na paz e no amor. Vivemos no mundo que merecemos, no mundo que escolhemos e, por isto, estamos aqui, para o nosso próprio progresso.Que bom seria se dentro de cada casa, se dentro de cada coração, de cada cidade, quando vista do alto, saísse um feixe de luz, como um raio iluminando o resto do universo, assim como o sol. Depende só da nossa vontade. Se todos os dias da semana, nas 24 horas do dia, fosse praticado em uníssono a força da oração. Acredito que viveríamos em um mundo melhor. Imaginem todos os dias, todas as horas, a força da oração sendo proferida, emanando energia, desejando amor e felicidade a todos os nossos amigos, a todos os familiares, a todos os parentes, aos alunos, professores, vizinhos, governantes. Com fé, viveríamos num lugar muito mais pacífico e sereno do que temos atualmente.Façamos uma corrente, sem que nenhum elo seja rompido. Escolha o seu dia e horário e, junto com a sua família, com seus amigos ou mesmo sozinho, pratique uma oração sincera. Um momento de amor ao próximo, com muita luz e sinceridade. Vamos nos doar em pensamento. Vamos doar amor, carinho, amizade e luz. E o bom disto tudo é que não existe contraindicação e faz bem ao coração.Quando vocês escolherem seu dia, façam com fé. Façam com que todos que passarem pelas suas mentes, todos que estiverem conectados em pensamento recebam o reflexo desta luz. Eu já escolhi o meu dia (domingo) e meu horário (nove da noite). Funciona. Dá muito resultado e a gente começa a ver os outros com outros olhos. Não esqueçamos também dos que estão nos leitos dos hospitais, nas prisões, aqueles que neste momento não têm onde repousar e especialmente os nossos desafetos. É difícil, mas não custa tentar. Sei que não vamos ser os salvadores do mundo, como disse um mestre amigo, mas podemos ser os ajudantes dele. Que todos recebam esta bondade mental. É o trabalho da luz. Do amor.

quarta-feira, 29 de julho de 2009

Férias escolares: antes e agora


Nesta semana, grande parte das escolas da Cidade dos Príncipes está reiniciando suas atividades. E na próxima, o ciclo se completa com praticamente todos os alunos joinvilenses. Deu para perceber, no período da manhã e na hora do almoço, que as ruas estavam vazias, ou seja, sem os uniformes escolares, mochilas, grupos caminhando, bicicletas, vans escolares circulando, ônibus, etc. Fiquei me perguntando: o que será que esta gurizada fez durante a ausência dos bancos escolares? Será que se divertiu? Será que aproveitou?Comecei então a recordar as minhas férias. Eu brincava de revólver (de bandido e mocinho), subia em árvores, escalava morros com cordas, não jogava futebol (porque, confesso, sempre fui meio perna-de-pau), mas fazia ginástica olímpica. Em outras palavras, praticava alguma atividade física e estava sempre em movimento. Também jogava botão, trocava figurinhas e descia ladeiras em carrinhos de rolimã.Hoje em dias, as coisas mudaram muito. Não se veem mais crianças brincando nas ruas; não só pelo tempo chuvoso, porque, quando não chove, também não os vemos. Fiquei curioso para saber o que meus amigos, familiares e alunos faziam nas férias. Alguns disseram que não se lembravam. As respostas foram as mais variadas: rodavam bambolê, jogavam basquete, futebol, empinavam pipa, andavam de bicicleta. Os que cresceram no campo andavam a cavalo, corriam na sanga (plantação de arroz) e tomavam leite puro, direto da vaca. Minha tia disse que “brincava de ser professora, de comadre e pulava corda”. Uma amiga contou que “jogava taco com os meninos e brincava de espaçonave num sombreiro” e ela complementou: “Hoje, eles são obesos, sem criatividade, não sabem brincar, não se sujam na lama”.Quis então saber a visão das crianças deste início de terceiro milênio, e as respostas foram quase unânimes: ficam na frente da televisão e do computador. A imobilidade, após longas horas, provoca uma infinidade de problemas e efeitos negativos à saúde. Se o índice de massa corporal é superior a 30% do peso, o indivíduo é considerado obeso. Muitas crianças e adolescentes estão neste caminho – efeitos da vida sedentária. Hoje, as crianças e adolescentes não se movimentam como há algumas décadas. Provavelmente, as gerações futuras sofrerão de problemas de visão. A chamada “síndrome da visão do usuário do computador” traz como consequências a irritação, o ressecamento, o cansaço ocular, entre outros, além da má postura à frente do monitor; uns se sentam com as pernas cruzadas, de lado, curvados, e é inútil solicitar que corrijam suas posturas.Nas férias escolares de hoje, até que eles jogam basquete e futebol, porém no do joystick do computador; correm ao volante de um carro acoplado ao computador; conversam na ponta dos dedos, no MSN, Orkut e Twitter. Sempre na frente do computador ou da televisão; às vezes, os dois ao mesmo tempo. Outro depoimento que me deram foi: “Hoje em dia, eles não fazem nada e não vão mais para fora (de casa). Falo para os meus filhos: lá fora tem sol. Eles até que têm bicicletas, mas não existem tantos lugares para andar”.E as suas férias como eram? Com certeza, muitos de vocês estão recordando. Muitos jogaram pião, baralho e jogos de tabuleiro como dama e xadrez. Outros tocaram violão, subiram em árvores para comer goiaba, jabuticaba ou tangerina. Aposto também que alguns chegaram até a nadar no nosso rio Cachoeira. Que as próximas férias sejam mais proveitosas, mais movimentadas e mais saudáveis.

quarta-feira, 22 de julho de 2009

O nosso festival


Quarta-feira, meio de semana, e o dito popular diz que hoje é o “dia internacional do sofá”. Mas aqui em Joinville podemos trocar o sofá por uma arquibancada – a grande pedida é este 27º Festival de Dança. Hoje à noite temos balé clássico de repertório, ou seja, aquelas obras que já caíram em domínio público como os famosíssimos “O Quebra-nozes”, “A Bela Adormecida”, “Dom Quixote”; e na segunda parte da noite, jazz.Para os que ainda não foram, é uma excelente opção de lazer. Pois é, para os que ainda não foram! Fiquei me perguntando quando foi a última vez que assisti a alguma das noites de apresentação do festival. Meu winchester começou a processar feito um déjà vu e voltei no Ginásio Mário Timm. Era uma apresentação de balé clássico, com saltos, giros verticais (piruetas), pernas às vezes flexionadas, às vezes alongadas, mãos no prolongamento do corpo, queixo erguido, sapatilhas de ponta, lembrando borboletas planando no ar. É, a minha última visita a alguma apresentação já faz um tempão (foi no século passado).Não cheguei a ver o mais famoso bailarino do mundo Mikhail Baryshnikov, o Misha, nem a brasileira Ana Botafogo. Muitos o fizeram, e ao vivo. Quem diria, esta pacata cidade, do Norte de Santa Catarina, algum dia se tornar a capital mundial da dança. E mais ainda, em 2005, o evento foi considerado o maior festival do mundo pelo “Guinness Book”.Parece que este ano, pelo menos é o que se vê nas ruas, o número de bailarinos diminuiu. Acho que a gripe A tem afastado muita gente, pelo menos algumas pessoas estão evitando ir ao festival com medo dessa doença. Perguntei a várias pessoas se elas já haviam assistido a alguma apresentação e as respostas foram as mais variadas: “Trabalho à noite”, “Tenho ingresso mas não fui”, “Muito caro”, “Tenho medo da gripe”.Parece que o joinvilense não está prestigiando o festival como deveria, afinal de contas, ele é nosso. Levando em conta minha enquete, resolvi visitar a Feira da Sapatilha e alguns palcos alternativos no domingo passado. O lugar estava “crowdeado”, como dizem os surfistas. Vendem de tudo: caneca, sapatilha, relógio, faz-se até massagem relaxante. O boletim anunciava algumas apresentações. Deixei para ver a das 17h30. Infelizmente foi cancelada. Esse tipo de coisa não pode acontecer. Assim como eu, havia pelo menos uma centena de pessoas esperando para ver as danças.A praça de alimentação estava como em qualquer lugar: cheia. Entre idas e vindas, vi dreadlocks, sapatilhas meia-ponta, gente pintada e até chimarrão. Resolvi então assistir a algumas mostras em um dos shoppings da cidade. Era gente se acotovelando para conseguir ver alguma parte das apresentações. É impressionante a emoção sentida ao ver a performance dos dançarinos em meio aos aplausos acalorados da plateia. O repertório foi bem variado: street dance, sapateado, folclore. Vi até balé ao som de tango (do tipo Carlos Gardel). Dá para imaginar que no futuro alguns deste artistas irão se tornar astros famosos, como Misha e a nossa Aninha. Vi também, o que me fez pensar “ponto negativo”, quando, durante uma das apresentações, o dançarino inicia tirando seus sapatos e camisa, assovios maldosos (coisas de terceiro mundo, em pleno festival de primeiro mundo). Ao final, só aplausos.Quanto ao preço dos ingressos – reclamação de alguns – acho que poderiam ser mais baratos. Afinal de contas, olhem as empresas e instituições patrocinadoras, apoiadoras, colaboradoras, além das que ajudaram na realização. Vamos realmente popularizar os ingressos.Entre pontos positivos e negativos, todos saímos ganhando. A dança realmente envolve a cidade. Em plena João Colin, na volta para casa, uma menina girando, como se estivesse em um grande palco – e estava. A Cidade dos Príncipes é um grande palco. A dança realmente envolve e transforma este lugar. Parabéns, Joinville. Parabéns, festival.


quarta-feira, 15 de julho de 2009

O céu está mais pop



“Existe um momento em que a gente escuta um certo chamado; que o mundo deve se unir como um só. Existem pessoas morrendo e é chegada a hora de darmos uma mão à vida; o maior presente de todos. Nós não podemos continuar fingindo que alguém, algum dia, em algum lugar, irá em breve fazer alguma coisa. Nós fazemos parte da grande família de Deus e, na verdade, o amor é tudo o que precisamos. Nós somos o mundo, nós somos as crianças, somos aqueles que fazemos um dia melhor, um dia mais feliz, mais radiante. Então, vamos começar a doar. Existe a oportunidade de fazermos e salvar as nossas próprias vidas. É verdade, vamos fazer um dia melhor, vocês e eu”.Para quem ainda não reconheceu este poeta, me refiro à gravação do vídeo clipe “We Are the World”, do negro, ou branco – como ele mesmo dizia, “se você está certo, não importa se você é negro ou branco, Michael Jackson”. A ideia foi gravar uma música para arrecadar fundos ao combate à fome no continente africano. Não se pode deixar de dar o crédito também ao cantor e compositor Lionel Ritchie que, junto com Michael, compôs este clássico da música pop mundial. Gravado ainda em LP (guardo meu vinil) com mais de 40 cantores e compositores de renome internacional, rendeu mais de US$ 55 milhões. Lembro dos aviões e helicópteros das Nações Unidas jogando os alimentos através de suas comportas e o povo correndo atrás.“Enviem-lhes seu coração, desta forma, eles saberão que alguém se importa com suas vidas e se tornarão mais fortes e livres”. Mais livres, pois um povo com fome é um povo escravo; escravo do azar, escravo do sistema, escravo da própria vida. “Assim como Deus nos mostrou a transformação da pedra em pão; desta forma, todos nós devemos emprestar nossa ajuda”. Esta “transformação” na verdade não aconteceu, biblicamente falando. Creio que deva estar ligada à vontade de não querer ver crianças subnutridas passando fome. “Se você estiver numa pior, sem esperança; se você acreditar que não há uma forma de cair” de sucumbir, “a mudança só pode acontecer quando juntos nos unirmos como um só”.A canção está aí, sendo tocada em todas as emissoras de rádio, nas telinhas, na internet, batendo recordes em downloads e também na nossa mente. É um clássico da música contemporânea, tal como “Imagine”, de John Lennon. Ouvimos hoje e continuaremos a ouvir daqui a algumas décadas, daqui a alguns séculos, assim como a “Nona Sinfonia”, de Beethoven, tocada pela primeira vez há exatos 175 anos; assim também como o “Bolero”, de Ravel, irão tocar eternamente.Clássicos não morrem. Clássicos são eternos. O corpo padece, as ideias permanecem. Sócrates quando foi condenado à morte por suas ideologias filosóficas, teve ao seu lado Platão. Antes de beber cicuta, veneno letal como sentença de morte, ouviu o apelo do seu pupilo para que negasse seus ensinamentos. O pai da filosofia respondeu: “Sócrates jamais irá morrer”. E não morreu mesmo.Dizem que Michael Jackson estava falido. Dizem, também, que sua fortuna atual está estimada em US$ 500 milhões. Entenda-se agora: como um falido tem uma fortuna com tal cifra? E por falar em vendas, os ingressos para os shows que aconteceriam na Inglaterra se esgotaram em questão de horas. Falido?A questão da pedofilia está em aberto. A lei dos homens é bem clara: o princípio da presunção da inocência afirma que “todos são inocentes até que se prove o contrário” e, ainda mais, ninguém é culpado até que saia a sentença condenando o indivíduo; mesmo assim, se pode recorrer”. Michael pagou para que o processo fosse arquivado, é verdade.O triste é que agora já apareceu na mídia o próprio adolescente envolvido no processo afirmando que foi “forçado pelos pais a mentir”. Criança não mente, a menos que seja coagida para tal. Por falar em criança, Paris, a filha de Michael, disse: “Desde que eu nasci, papai tem sido o melhor pai que eu poderia imaginar. Eu só queria dizer que eu amo ele demais”. Quem somos nós para julgá-lo? Uma coisa é certa: o céu está mais pop desde o dia 25 de junho.

quarta-feira, 8 de julho de 2009

A invasão do estrangeirismo


De uns tempos para cá, após o boom da internet, a língua portuguesa vem sofrendo uma grande influência do estrangeirismo, o qual, diga-se de passagem, vem especialmente lá da terra do Tio Sam. Aliás, tal fenômeno é mundial. Na maioria dos países, a influência da língua inglesa está presente de forma maciça e existe uma razão forte.Quanto tempo faz que comemos hot dog, hamburger, cheese burger, que a maioria das pessoas diz “xis-burguer”, milk shake. A grande influência vem na área da informática: software, hardware, Word, Windows, data show, as teclas enter, shift, backspace, os atalhos ctrl+c, ctrl+v etc. Uns chamam de notebook, outros de lap top na versão wireless.Existe até uma lei tramitando na Câmara Federal, desde 1999, com o objetivo de proteger e defender o uso da língua portuguesa, restringindo a utilização das palavras estrangeiras. Nela, o deputado Aldo Rebelo quer proibir o uso do estrangeirismo que possua correspondente na língua portuguesa. Tal projeto de lei provavelmente foi incentivado por semelhante na França, o qual afirma que o idioma daquele país “é elemento fundamental da personalidade e do seu patrimônio”. É que eles receiam “perder sua nacionalidade” com influências externas.Portugal segue o mesmo caminho; o mouse do computador é chamado de rato. Lá eles dizem “dê um clique no rato”. Entretanto, ironicamente, as placas de trânsito “pare” levam a inscrição “stop”!Qual o motivo de tanto estrangeirismo? De onde ele vem? É possível coibi-lo? Ele é benéfico ou maléfico para o idioma?Dizem os especialistas que a razão é histórica. Se voltarmos no tempo, vamos perceber que a invasão de um país sobre o outro fazia com que o idioma do vencedor se sobrepusesse ao do vencido. A língua portuguesa, na época dos ditos “descobrimentos”, foi disseminada largamente. O espanhol, da mesma forma, tanto que ele é um dos mais falados no mundo. Com o passar do tempo, o francês tornou-se o idioma universal, por meio dos seus famosos pensadores, até antes da Segunda Guerra Mundial, quando, então, os Estados Unidos e a Inglaterra dominaram, elevando a língua inglesa como idioma universal.Na verdade, o estrangeirismo sempre existiu. A influência de palavras de outros idiomas vem de séculos; ou vocês acham que os portugueses que aqui aportaram, falavam e escreviam exatamente como o fazemos agora? Só para citar alguns exemplos desta influência, vejam só: as palavras abajur, chapéu e tricô vieram da França; harpa é germânica; dos árabes temos arroz, azeite, algodão; até os japoneses contribuíram com biombo, quimono e samurai.Portanto, a presença de palavras de idiomas estrangeiros só contribui para que o vocabulário tenha um acréscimo. Além do mais, simplificam nossa vida. Hoje, a palavra “surf” já foi aportuguesada. Caso a lei do deputado tivesse sido aprovada, como nos expressaríamos? Teríamos que dizer, por exemplo: neste próximo final de semana, vou “deslizar em pé sobre as ondas em cima de uma prancha”. Não é mais fácil dizer “vou surfar”?Coibir a livre “expressão da comunicação da manifestação do pensamento sob qualquer forma” é inconstitucional. Temos o direito de manifestar nosso pensamento. Além do mais, aos que temem, a língua portuguesa não desaparecerá da face da Terra. Temos hoje oito países que a praticam como língua-mãe; são mais de 230 milhões de habitantes e a tendência é, claro, aumentar este número.Qual é o país mais falado atualmente? Qual o país que tem alcançado altos índices nos seus negócios internacionais e grande crescimento na sua balança comercial? Exatamente, a China. A terra de Hu Jintao, com seu 1,34 bilhão de habitantes. Se a história continuar no seu ritmo, será que no futuro o mandarim passará a ser considerado o idioma estrangeiro mais falado, como atualmente a língua inglesa? Passaremos então a utilizar o vocabulário daquele país? Será ele, então, o novo estrangeirismo? Por hoje, vos digo “bye, bye”. Como se diz no idioma dos olhinhos puxados?