
quarta-feira, 29 de julho de 2009
Férias escolares: antes e agora

quarta-feira, 22 de julho de 2009
O nosso festival

Quarta-feira, meio de semana, e o dito popular diz que hoje é o “dia internacional do sofá”. Mas aqui em Joinville podemos trocar o sofá por uma arquibancada – a grande pedida é este 27º Festival de Dança. Hoje à noite temos balé clássico de repertório, ou seja, aquelas obras que já caíram em domínio público como os famosíssimos “O Quebra-nozes”, “A Bela Adormecida”, “Dom Quixote”; e na segunda parte da noite, jazz.Para os que ainda não foram, é uma excelente opção de lazer. Pois é, para os que ainda não foram! Fiquei me perguntando quando foi a última vez que assisti a alguma das noites de apresentação do festival. Meu winchester começou a processar feito um déjà vu e voltei no Ginásio Mário Timm. Era uma apresentação de balé clássico, com saltos, giros verticais (piruetas), pernas às vezes flexionadas, às vezes alongadas, mãos no prolongamento do corpo, queixo erguido, sapatilhas de ponta, lembrando borboletas planando no ar. É, a minha última visita a alguma apresentação já faz um tempão (foi no século passado).Não cheguei a ver o mais famoso bailarino do mundo Mikhail Baryshnikov, o Misha, nem a brasileira Ana Botafogo. Muitos o fizeram, e ao vivo. Quem diria, esta pacata cidade, do Norte de Santa Catarina, algum dia se tornar a capital mundial da dança. E mais ainda, em 2005, o evento foi considerado o maior festival do mundo pelo “Guinness Book”.Parece que este ano, pelo menos é o que se vê nas ruas, o número de bailarinos diminuiu. Acho que a gripe A tem afastado muita gente, pelo menos algumas pessoas estão evitando ir ao festival com medo dessa doença. Perguntei a várias pessoas se elas já haviam assistido a alguma apresentação e as respostas foram as mais variadas: “Trabalho à noite”, “Tenho ingresso mas não fui”, “Muito caro”, “Tenho medo da gripe”.Parece que o joinvilense não está prestigiando o festival como deveria, afinal de contas, ele é nosso. Levando em conta minha enquete, resolvi visitar a Feira da Sapatilha e alguns palcos alternativos no domingo passado. O lugar estava “crowdeado”, como dizem os surfistas. Vendem de tudo: caneca, sapatilha, relógio, faz-se até massagem relaxante. O boletim anunciava algumas apresentações. Deixei para ver a das 17h30. Infelizmente foi cancelada. Esse tipo de coisa não pode acontecer. Assim como eu, havia pelo menos uma centena de pessoas esperando para ver as danças.A praça de alimentação estava como em qualquer lugar: cheia. Entre idas e vindas, vi dreadlocks, sapatilhas meia-ponta, gente pintada e até chimarrão. Resolvi então assistir a algumas mostras em um dos shoppings da cidade. Era gente se acotovelando para conseguir ver alguma parte das apresentações. É impressionante a emoção sentida ao ver a performance dos dançarinos em meio aos aplausos acalorados da plateia. O repertório foi bem variado: street dance, sapateado, folclore. Vi até balé ao som de tango (do tipo Carlos Gardel). Dá para imaginar que no futuro alguns deste artistas irão se tornar astros famosos, como Misha e a nossa Aninha. Vi também, o que me fez pensar “ponto negativo”, quando, durante uma das apresentações, o dançarino inicia tirando seus sapatos e camisa, assovios maldosos (coisas de terceiro mundo, em pleno festival de primeiro mundo). Ao final, só aplausos.Quanto ao preço dos ingressos – reclamação de alguns – acho que poderiam ser mais baratos. Afinal de contas, olhem as empresas e instituições patrocinadoras, apoiadoras, colaboradoras, além das que ajudaram na realização. Vamos realmente popularizar os ingressos.Entre pontos positivos e negativos, todos saímos ganhando. A dança realmente envolve a cidade. Em plena João Colin, na volta para casa, uma menina girando, como se estivesse em um grande palco – e estava. A Cidade dos Príncipes é um grande palco. A dança realmente envolve e transforma este lugar. Parabéns, Joinville. Parabéns, festival.
quarta-feira, 15 de julho de 2009
O céu está mais pop

quarta-feira, 8 de julho de 2009
A invasão do estrangeirismo

De uns tempos para cá, após o boom da internet, a língua portuguesa vem sofrendo uma grande influência do estrangeirismo, o qual, diga-se de passagem, vem especialmente lá da terra do Tio Sam. Aliás, tal fenômeno é mundial. Na maioria dos países, a influência da língua inglesa está presente de forma maciça e existe uma razão forte.Quanto tempo faz que comemos hot dog, hamburger, cheese burger, que a maioria das pessoas diz “xis-burguer”, milk shake. A grande influência vem na área da informática: software, hardware, Word, Windows, data show, as teclas enter, shift, backspace, os atalhos ctrl+c, ctrl+v etc. Uns chamam de notebook, outros de lap top na versão wireless.Existe até uma lei tramitando na Câmara Federal, desde 1999, com o objetivo de proteger e defender o uso da língua portuguesa, restringindo a utilização das palavras estrangeiras. Nela, o deputado Aldo Rebelo quer proibir o uso do estrangeirismo que possua correspondente na língua portuguesa. Tal projeto de lei provavelmente foi incentivado por semelhante na França, o qual afirma que o idioma daquele país “é elemento fundamental da personalidade e do seu patrimônio”. É que eles receiam “perder sua nacionalidade” com influências externas.Portugal segue o mesmo caminho; o mouse do computador é chamado de rato. Lá eles dizem “dê um clique no rato”. Entretanto, ironicamente, as placas de trânsito “pare” levam a inscrição “stop”!Qual o motivo de tanto estrangeirismo? De onde ele vem? É possível coibi-lo? Ele é benéfico ou maléfico para o idioma?Dizem os especialistas que a razão é histórica. Se voltarmos no tempo, vamos perceber que a invasão de um país sobre o outro fazia com que o idioma do vencedor se sobrepusesse ao do vencido. A língua portuguesa, na época dos ditos “descobrimentos”, foi disseminada largamente. O espanhol, da mesma forma, tanto que ele é um dos mais falados no mundo. Com o passar do tempo, o francês tornou-se o idioma universal, por meio dos seus famosos pensadores, até antes da Segunda Guerra Mundial, quando, então, os Estados Unidos e a Inglaterra dominaram, elevando a língua inglesa como idioma universal.Na verdade, o estrangeirismo sempre existiu. A influência de palavras de outros idiomas vem de séculos; ou vocês acham que os portugueses que aqui aportaram, falavam e escreviam exatamente como o fazemos agora? Só para citar alguns exemplos desta influência, vejam só: as palavras abajur, chapéu e tricô vieram da França; harpa é germânica; dos árabes temos arroz, azeite, algodão; até os japoneses contribuíram com biombo, quimono e samurai.Portanto, a presença de palavras de idiomas estrangeiros só contribui para que o vocabulário tenha um acréscimo. Além do mais, simplificam nossa vida. Hoje, a palavra “surf” já foi aportuguesada. Caso a lei do deputado tivesse sido aprovada, como nos expressaríamos? Teríamos que dizer, por exemplo: neste próximo final de semana, vou “deslizar em pé sobre as ondas em cima de uma prancha”. Não é mais fácil dizer “vou surfar”?Coibir a livre “expressão da comunicação da manifestação do pensamento sob qualquer forma” é inconstitucional. Temos o direito de manifestar nosso pensamento. Além do mais, aos que temem, a língua portuguesa não desaparecerá da face da Terra. Temos hoje oito países que a praticam como língua-mãe; são mais de 230 milhões de habitantes e a tendência é, claro, aumentar este número.Qual é o país mais falado atualmente? Qual o país que tem alcançado altos índices nos seus negócios internacionais e grande crescimento na sua balança comercial? Exatamente, a China. A terra de Hu Jintao, com seu 1,34 bilhão de habitantes. Se a história continuar no seu ritmo, será que no futuro o mandarim passará a ser considerado o idioma estrangeiro mais falado, como atualmente a língua inglesa? Passaremos então a utilizar o vocabulário daquele país? Será ele, então, o novo estrangeirismo? Por hoje, vos digo “bye, bye”. Como se diz no idioma dos olhinhos puxados?