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quarta-feira, 29 de julho de 2009

Férias escolares: antes e agora


Nesta semana, grande parte das escolas da Cidade dos Príncipes está reiniciando suas atividades. E na próxima, o ciclo se completa com praticamente todos os alunos joinvilenses. Deu para perceber, no período da manhã e na hora do almoço, que as ruas estavam vazias, ou seja, sem os uniformes escolares, mochilas, grupos caminhando, bicicletas, vans escolares circulando, ônibus, etc. Fiquei me perguntando: o que será que esta gurizada fez durante a ausência dos bancos escolares? Será que se divertiu? Será que aproveitou?Comecei então a recordar as minhas férias. Eu brincava de revólver (de bandido e mocinho), subia em árvores, escalava morros com cordas, não jogava futebol (porque, confesso, sempre fui meio perna-de-pau), mas fazia ginástica olímpica. Em outras palavras, praticava alguma atividade física e estava sempre em movimento. Também jogava botão, trocava figurinhas e descia ladeiras em carrinhos de rolimã.Hoje em dias, as coisas mudaram muito. Não se veem mais crianças brincando nas ruas; não só pelo tempo chuvoso, porque, quando não chove, também não os vemos. Fiquei curioso para saber o que meus amigos, familiares e alunos faziam nas férias. Alguns disseram que não se lembravam. As respostas foram as mais variadas: rodavam bambolê, jogavam basquete, futebol, empinavam pipa, andavam de bicicleta. Os que cresceram no campo andavam a cavalo, corriam na sanga (plantação de arroz) e tomavam leite puro, direto da vaca. Minha tia disse que “brincava de ser professora, de comadre e pulava corda”. Uma amiga contou que “jogava taco com os meninos e brincava de espaçonave num sombreiro” e ela complementou: “Hoje, eles são obesos, sem criatividade, não sabem brincar, não se sujam na lama”.Quis então saber a visão das crianças deste início de terceiro milênio, e as respostas foram quase unânimes: ficam na frente da televisão e do computador. A imobilidade, após longas horas, provoca uma infinidade de problemas e efeitos negativos à saúde. Se o índice de massa corporal é superior a 30% do peso, o indivíduo é considerado obeso. Muitas crianças e adolescentes estão neste caminho – efeitos da vida sedentária. Hoje, as crianças e adolescentes não se movimentam como há algumas décadas. Provavelmente, as gerações futuras sofrerão de problemas de visão. A chamada “síndrome da visão do usuário do computador” traz como consequências a irritação, o ressecamento, o cansaço ocular, entre outros, além da má postura à frente do monitor; uns se sentam com as pernas cruzadas, de lado, curvados, e é inútil solicitar que corrijam suas posturas.Nas férias escolares de hoje, até que eles jogam basquete e futebol, porém no do joystick do computador; correm ao volante de um carro acoplado ao computador; conversam na ponta dos dedos, no MSN, Orkut e Twitter. Sempre na frente do computador ou da televisão; às vezes, os dois ao mesmo tempo. Outro depoimento que me deram foi: “Hoje em dia, eles não fazem nada e não vão mais para fora (de casa). Falo para os meus filhos: lá fora tem sol. Eles até que têm bicicletas, mas não existem tantos lugares para andar”.E as suas férias como eram? Com certeza, muitos de vocês estão recordando. Muitos jogaram pião, baralho e jogos de tabuleiro como dama e xadrez. Outros tocaram violão, subiram em árvores para comer goiaba, jabuticaba ou tangerina. Aposto também que alguns chegaram até a nadar no nosso rio Cachoeira. Que as próximas férias sejam mais proveitosas, mais movimentadas e mais saudáveis.

quarta-feira, 22 de julho de 2009

O nosso festival


Quarta-feira, meio de semana, e o dito popular diz que hoje é o “dia internacional do sofá”. Mas aqui em Joinville podemos trocar o sofá por uma arquibancada – a grande pedida é este 27º Festival de Dança. Hoje à noite temos balé clássico de repertório, ou seja, aquelas obras que já caíram em domínio público como os famosíssimos “O Quebra-nozes”, “A Bela Adormecida”, “Dom Quixote”; e na segunda parte da noite, jazz.Para os que ainda não foram, é uma excelente opção de lazer. Pois é, para os que ainda não foram! Fiquei me perguntando quando foi a última vez que assisti a alguma das noites de apresentação do festival. Meu winchester começou a processar feito um déjà vu e voltei no Ginásio Mário Timm. Era uma apresentação de balé clássico, com saltos, giros verticais (piruetas), pernas às vezes flexionadas, às vezes alongadas, mãos no prolongamento do corpo, queixo erguido, sapatilhas de ponta, lembrando borboletas planando no ar. É, a minha última visita a alguma apresentação já faz um tempão (foi no século passado).Não cheguei a ver o mais famoso bailarino do mundo Mikhail Baryshnikov, o Misha, nem a brasileira Ana Botafogo. Muitos o fizeram, e ao vivo. Quem diria, esta pacata cidade, do Norte de Santa Catarina, algum dia se tornar a capital mundial da dança. E mais ainda, em 2005, o evento foi considerado o maior festival do mundo pelo “Guinness Book”.Parece que este ano, pelo menos é o que se vê nas ruas, o número de bailarinos diminuiu. Acho que a gripe A tem afastado muita gente, pelo menos algumas pessoas estão evitando ir ao festival com medo dessa doença. Perguntei a várias pessoas se elas já haviam assistido a alguma apresentação e as respostas foram as mais variadas: “Trabalho à noite”, “Tenho ingresso mas não fui”, “Muito caro”, “Tenho medo da gripe”.Parece que o joinvilense não está prestigiando o festival como deveria, afinal de contas, ele é nosso. Levando em conta minha enquete, resolvi visitar a Feira da Sapatilha e alguns palcos alternativos no domingo passado. O lugar estava “crowdeado”, como dizem os surfistas. Vendem de tudo: caneca, sapatilha, relógio, faz-se até massagem relaxante. O boletim anunciava algumas apresentações. Deixei para ver a das 17h30. Infelizmente foi cancelada. Esse tipo de coisa não pode acontecer. Assim como eu, havia pelo menos uma centena de pessoas esperando para ver as danças.A praça de alimentação estava como em qualquer lugar: cheia. Entre idas e vindas, vi dreadlocks, sapatilhas meia-ponta, gente pintada e até chimarrão. Resolvi então assistir a algumas mostras em um dos shoppings da cidade. Era gente se acotovelando para conseguir ver alguma parte das apresentações. É impressionante a emoção sentida ao ver a performance dos dançarinos em meio aos aplausos acalorados da plateia. O repertório foi bem variado: street dance, sapateado, folclore. Vi até balé ao som de tango (do tipo Carlos Gardel). Dá para imaginar que no futuro alguns deste artistas irão se tornar astros famosos, como Misha e a nossa Aninha. Vi também, o que me fez pensar “ponto negativo”, quando, durante uma das apresentações, o dançarino inicia tirando seus sapatos e camisa, assovios maldosos (coisas de terceiro mundo, em pleno festival de primeiro mundo). Ao final, só aplausos.Quanto ao preço dos ingressos – reclamação de alguns – acho que poderiam ser mais baratos. Afinal de contas, olhem as empresas e instituições patrocinadoras, apoiadoras, colaboradoras, além das que ajudaram na realização. Vamos realmente popularizar os ingressos.Entre pontos positivos e negativos, todos saímos ganhando. A dança realmente envolve a cidade. Em plena João Colin, na volta para casa, uma menina girando, como se estivesse em um grande palco – e estava. A Cidade dos Príncipes é um grande palco. A dança realmente envolve e transforma este lugar. Parabéns, Joinville. Parabéns, festival.


quarta-feira, 15 de julho de 2009

O céu está mais pop



“Existe um momento em que a gente escuta um certo chamado; que o mundo deve se unir como um só. Existem pessoas morrendo e é chegada a hora de darmos uma mão à vida; o maior presente de todos. Nós não podemos continuar fingindo que alguém, algum dia, em algum lugar, irá em breve fazer alguma coisa. Nós fazemos parte da grande família de Deus e, na verdade, o amor é tudo o que precisamos. Nós somos o mundo, nós somos as crianças, somos aqueles que fazemos um dia melhor, um dia mais feliz, mais radiante. Então, vamos começar a doar. Existe a oportunidade de fazermos e salvar as nossas próprias vidas. É verdade, vamos fazer um dia melhor, vocês e eu”.Para quem ainda não reconheceu este poeta, me refiro à gravação do vídeo clipe “We Are the World”, do negro, ou branco – como ele mesmo dizia, “se você está certo, não importa se você é negro ou branco, Michael Jackson”. A ideia foi gravar uma música para arrecadar fundos ao combate à fome no continente africano. Não se pode deixar de dar o crédito também ao cantor e compositor Lionel Ritchie que, junto com Michael, compôs este clássico da música pop mundial. Gravado ainda em LP (guardo meu vinil) com mais de 40 cantores e compositores de renome internacional, rendeu mais de US$ 55 milhões. Lembro dos aviões e helicópteros das Nações Unidas jogando os alimentos através de suas comportas e o povo correndo atrás.“Enviem-lhes seu coração, desta forma, eles saberão que alguém se importa com suas vidas e se tornarão mais fortes e livres”. Mais livres, pois um povo com fome é um povo escravo; escravo do azar, escravo do sistema, escravo da própria vida. “Assim como Deus nos mostrou a transformação da pedra em pão; desta forma, todos nós devemos emprestar nossa ajuda”. Esta “transformação” na verdade não aconteceu, biblicamente falando. Creio que deva estar ligada à vontade de não querer ver crianças subnutridas passando fome. “Se você estiver numa pior, sem esperança; se você acreditar que não há uma forma de cair” de sucumbir, “a mudança só pode acontecer quando juntos nos unirmos como um só”.A canção está aí, sendo tocada em todas as emissoras de rádio, nas telinhas, na internet, batendo recordes em downloads e também na nossa mente. É um clássico da música contemporânea, tal como “Imagine”, de John Lennon. Ouvimos hoje e continuaremos a ouvir daqui a algumas décadas, daqui a alguns séculos, assim como a “Nona Sinfonia”, de Beethoven, tocada pela primeira vez há exatos 175 anos; assim também como o “Bolero”, de Ravel, irão tocar eternamente.Clássicos não morrem. Clássicos são eternos. O corpo padece, as ideias permanecem. Sócrates quando foi condenado à morte por suas ideologias filosóficas, teve ao seu lado Platão. Antes de beber cicuta, veneno letal como sentença de morte, ouviu o apelo do seu pupilo para que negasse seus ensinamentos. O pai da filosofia respondeu: “Sócrates jamais irá morrer”. E não morreu mesmo.Dizem que Michael Jackson estava falido. Dizem, também, que sua fortuna atual está estimada em US$ 500 milhões. Entenda-se agora: como um falido tem uma fortuna com tal cifra? E por falar em vendas, os ingressos para os shows que aconteceriam na Inglaterra se esgotaram em questão de horas. Falido?A questão da pedofilia está em aberto. A lei dos homens é bem clara: o princípio da presunção da inocência afirma que “todos são inocentes até que se prove o contrário” e, ainda mais, ninguém é culpado até que saia a sentença condenando o indivíduo; mesmo assim, se pode recorrer”. Michael pagou para que o processo fosse arquivado, é verdade.O triste é que agora já apareceu na mídia o próprio adolescente envolvido no processo afirmando que foi “forçado pelos pais a mentir”. Criança não mente, a menos que seja coagida para tal. Por falar em criança, Paris, a filha de Michael, disse: “Desde que eu nasci, papai tem sido o melhor pai que eu poderia imaginar. Eu só queria dizer que eu amo ele demais”. Quem somos nós para julgá-lo? Uma coisa é certa: o céu está mais pop desde o dia 25 de junho.

quarta-feira, 8 de julho de 2009

A invasão do estrangeirismo


De uns tempos para cá, após o boom da internet, a língua portuguesa vem sofrendo uma grande influência do estrangeirismo, o qual, diga-se de passagem, vem especialmente lá da terra do Tio Sam. Aliás, tal fenômeno é mundial. Na maioria dos países, a influência da língua inglesa está presente de forma maciça e existe uma razão forte.Quanto tempo faz que comemos hot dog, hamburger, cheese burger, que a maioria das pessoas diz “xis-burguer”, milk shake. A grande influência vem na área da informática: software, hardware, Word, Windows, data show, as teclas enter, shift, backspace, os atalhos ctrl+c, ctrl+v etc. Uns chamam de notebook, outros de lap top na versão wireless.Existe até uma lei tramitando na Câmara Federal, desde 1999, com o objetivo de proteger e defender o uso da língua portuguesa, restringindo a utilização das palavras estrangeiras. Nela, o deputado Aldo Rebelo quer proibir o uso do estrangeirismo que possua correspondente na língua portuguesa. Tal projeto de lei provavelmente foi incentivado por semelhante na França, o qual afirma que o idioma daquele país “é elemento fundamental da personalidade e do seu patrimônio”. É que eles receiam “perder sua nacionalidade” com influências externas.Portugal segue o mesmo caminho; o mouse do computador é chamado de rato. Lá eles dizem “dê um clique no rato”. Entretanto, ironicamente, as placas de trânsito “pare” levam a inscrição “stop”!Qual o motivo de tanto estrangeirismo? De onde ele vem? É possível coibi-lo? Ele é benéfico ou maléfico para o idioma?Dizem os especialistas que a razão é histórica. Se voltarmos no tempo, vamos perceber que a invasão de um país sobre o outro fazia com que o idioma do vencedor se sobrepusesse ao do vencido. A língua portuguesa, na época dos ditos “descobrimentos”, foi disseminada largamente. O espanhol, da mesma forma, tanto que ele é um dos mais falados no mundo. Com o passar do tempo, o francês tornou-se o idioma universal, por meio dos seus famosos pensadores, até antes da Segunda Guerra Mundial, quando, então, os Estados Unidos e a Inglaterra dominaram, elevando a língua inglesa como idioma universal.Na verdade, o estrangeirismo sempre existiu. A influência de palavras de outros idiomas vem de séculos; ou vocês acham que os portugueses que aqui aportaram, falavam e escreviam exatamente como o fazemos agora? Só para citar alguns exemplos desta influência, vejam só: as palavras abajur, chapéu e tricô vieram da França; harpa é germânica; dos árabes temos arroz, azeite, algodão; até os japoneses contribuíram com biombo, quimono e samurai.Portanto, a presença de palavras de idiomas estrangeiros só contribui para que o vocabulário tenha um acréscimo. Além do mais, simplificam nossa vida. Hoje, a palavra “surf” já foi aportuguesada. Caso a lei do deputado tivesse sido aprovada, como nos expressaríamos? Teríamos que dizer, por exemplo: neste próximo final de semana, vou “deslizar em pé sobre as ondas em cima de uma prancha”. Não é mais fácil dizer “vou surfar”?Coibir a livre “expressão da comunicação da manifestação do pensamento sob qualquer forma” é inconstitucional. Temos o direito de manifestar nosso pensamento. Além do mais, aos que temem, a língua portuguesa não desaparecerá da face da Terra. Temos hoje oito países que a praticam como língua-mãe; são mais de 230 milhões de habitantes e a tendência é, claro, aumentar este número.Qual é o país mais falado atualmente? Qual o país que tem alcançado altos índices nos seus negócios internacionais e grande crescimento na sua balança comercial? Exatamente, a China. A terra de Hu Jintao, com seu 1,34 bilhão de habitantes. Se a história continuar no seu ritmo, será que no futuro o mandarim passará a ser considerado o idioma estrangeiro mais falado, como atualmente a língua inglesa? Passaremos então a utilizar o vocabulário daquele país? Será ele, então, o novo estrangeirismo? Por hoje, vos digo “bye, bye”. Como se diz no idioma dos olhinhos puxados?