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terça-feira, 9 de agosto de 2011

Amamentar: um ato de amor


Sabe aquela cena que a gente vê e não esquece? Aquela que marca para o resto do dia? Da semana? Do mês? Talvez do ano? Comigo foi assim. Jamais esquecerei. Na verdade foi uma cena comum, tanto que é vista na televisão, nas páginas dos jornais e revistas, nos hospitais, porém a forma que se deu é que me marcou.
Eu estava dirigindo para mais um dia de aula, quando de repente, algo chamou minha atenção. Diminui a velocidade e atentamente observei. Uma mãe, que pela distância aparentava ser de meia idade, desceu da bicicleta, encostou-a contra o muro e sentou-se confortavelmente no chão, pernas cruzadas e costas inclinadas para trás. Aconchegou seu bebê nos braços, como em forma de berço e na sequência, também acomodou sua cabecinha ao lado esquerdo, enquanto sua mão direita foi em direção à sua cintura, até encontrar sua barriga. Deslizou suavemente sua mão espalmada, como num movimento ascendente até encontrar seu seio. Deslocou seu sutiã, descobrindo-o, e levou até a boca da criança, e ali ficaram, num fitar de olhos penetrante, com amor e cumplicidade.
Comecei a me perguntar: qual a sensação de amamentar seu próprio filho? Qual o sentimento que passa pela cabeça de uma mãe, naquele exato momento que está se doando de corpo e alma?
Lembro de minha esposa, quando amamentava nossa filha, comentando que ao dar o seio, sentia seu útero “se contraindo, se repuxando, voltando para o lugar”, como um dos efeitos daquele ato de amor, efeito cicatrizante do parto, como um bálsamo, como um antídoto para o seu próprio corpo, além da sensação de bem estar e dever cumprido. Tentei imaginar como seria esta sensação, esta experiência única de um ser humano. Claro que jamais poderei sentir, pelo menos não nesta vida.
Dei uma de pesquisador e fui a campo. Na instituição onde trabalho, comecei a perguntar às minha alunas o que era amamentar e as respostas foram as seguintes: “é se doar, professor”; ”é dedicação, é comprometimento”. As declarações foram tão particulares e espontâneas, que uma delas escreveu: “amamentar é a maior expressão de amor que pode existir entre a mãe e seu filho. Quando o bebê procura você para se alimentar, você se sente a pessoa mais importante do mundo e percebe como Deus faz as coisas tão perfeitas, que até fornece o alimento para o ser humano que está chegando ao mundo agora. É simplesmente inexplicável, pois existe uma troca de cumplicidade, de amor e afeto! É o que eu senti amamentando minha filhinha”. A outra deu uma declaração surpreendente: “É a sensação mais gostosa que existe. Porém, quando se para de amamentar, é como se cortasse o cordão umbilical; é uma dor muito grande”.
Nós homens jamais saberemos o verdadeiro prazer que existe neste ato de doação e amor. Cabe a nós incentivar as mulheres a amamentar sua prole. O leite é o melhor alimento, pois além de proteger de doenças, também auxilia na imunidade do bebê. A Organização Mundial de Saúde recomenda que a amamentação deve se dar “exclusivamente com leite materno até os seis meses de idade e continuar amamentando até o primeiro ano”. E, ainda, segundo a UNICEF: “se todos os bebês fossem exclusivamente amamentados durante os seis primeiros meses de vida e continuassem a mamar até os dois anos de idade, quase um 1,3 milhão de crianças poderiam ser salvas, todos os anos, e outros milhares de meninos e meninas cresceriam muito mais saudáveis em todo o mundo”. Pois é, lembram-se daquela mãezinha que desceu da bicicleta, no início destas palavras: ela já está fazendo a sua parte. Parabéns!

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