Quando o conheci ele era um jovem que recém havia completado maioridade; estava então com seus 22 anos. Graças ao seu “pai”, o brusquense Arthur Schlosser, ele se tornou uma referência em termos de esporte no nosso Estado. Sua primeira versão se deu no ano de 1960 e, como não poderia ser diferente, realizado no vale europeu da bela Santa Catarina, em Brusque. E, vejam só, logo será chamado de cinqüentão.
Desde o seu batismo, somente em duas ocasiões as competições não foram realizadas: em 83 e no ano passado, por causa das fortes chuvas que maltrataram Santa Catarina. Neste ano, ele reaparece na cidade de Chapecó, para mais uma vez, dar o ar da sua graça. Mas como está a sua saúde? A motivação dos atletas ainda continua a mesma dos tempos de outrora? E o glamour ainda existe?
Quando cheguei a Joinville, os Jogos Abertos de Santa Catarina (JASCs) eram comparados aos Jogos Olímpicos (os verdadeiros). A cidade respirava esporte. Os jornais publicavam diariamente os dias que faltavam para o início dos próximos Jogos. Assim que acabava uma edição, no dia seguinte se via, estampado nas suas páginas, “Faltam 365 dias para os próximos Jogos Abertos” e assim sucessivamente, em ordem decrescente, até a chegada da tão esperada competição. Entretanto hoje, pelo que se vê, o glamour está em baixa.
O mesmo motivo que me trouxe para Joinville, também me afastou da cidade: a falta de apoio para continuar o projeto Prata da Casa. A proposta era formar atletas, para evitar o chamado “atleta paraqueda”. Não sei a quantas andam essa questão; já faz muito tempo que me afastei do esporte. O paraqueda era aquele que, quando contratado, viajava direto da sua cidade para a sede dos Jogos; competia, fazendo jus à sua obrigação e voltava para casa, sem nem mesmo conhecer, ou ter pisado, na cidade que o havia contratado
Considero ter feito a lição de casa: conquistamos, em 1987, na Ginástica Olímpica, o troféu para Joinville; e somente com Pratas da Casa. Verdadeiros amadores. Praticava-se o esporte amador pela própria acepção da palavra. Entretanto, aos poucos a “gurizada” foi sendo obrigada a deixar a prática esportiva, pois tinham que começar a trabalhar. Foi aí que me ausentei durante seis anos.
Na volta, uma das primeiras coisas que fiz, foi visitar o Ginásio Mário Timm, palco de várias vitórias. Para surpresa, encontrei praticamente os mesmos aparelhos utilizados e, o que mais me chamou atenção foi a mesma goteira, no mesmo lugar. Fiquei triste obviamente.
Esporte amador foi e sempre será difícil de se praticar. O profissional “já patina” atrás de patrocínio, imaginem o amador. Ele é caro, exige dedicação, tempo, preparo, doação. Sua concepção mudou muito. Se não houver o propósito de se fazer um trabalho a longo prazo, não se consegue resultados. Hoje, sem patrocínio, é difícil. Para se ter uma elite representativa em termos de resultado, há de se trabalhar também a base. Será que os governantes estão pensando em termos de futuro para o Rio 2016, por exemplo? Caso não tenham começado, já é tarde, pois faltam apenas sete anos e não se faz um atleta de elite em tão pouco tempo. Uma Daiane dos Santos não aparece da noite para o dia. Quais as estratégias que estão sendo traçadas, para aglutinar esforços, para direcionar investimentos e se obter resultados positivos no esporte? Tenham certeza que se não fosse o “paitrocínio” muitos atletas não estariam viajando para representar nosso estado e nosso país.
Vamos pensar em dar maiores e melhores condições aos jovens para que possam se desenvolver como atletas e como pessoas. Uma criança que pratica esporte durante o dia, não tem tempo para pensar em drogas. Nem todos se tornarão atletas de competição, evidentemente, mas podem surgir grandes dirigentes, incentivadores e amantes de uma vida saudável. Amanhã, a cidade de Chapecó inicia a 49ª jornada dos JASCs. Boa sorte, sucesso. Que vença o esporte.


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