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terça-feira, 9 de agosto de 2011

A Joinville de todos nós


Parabéns a você protagonista destes 159 anos, Manchester Catarinense. Aquela que mais ICMS produz, contribuindo para o engrandecimento da bela e Santa Catarina; aquela que possui a maior população do estado e que em virtude da fama, incentivou a chegada de brasileiros de todos os estados, de todos os rincões. São gaúchos, paranaenses, paulistas e paraenses; já conheci até gente de Roraima, tornando-se uma cidade multiestadual. Pode-se ir mais longe: nas tuas terras já chegaram noruegueses, suíços e é claro, alemães. Hoje em dia até se percebe olhinhos puxados nas tuas ruas e universidades. Tu és na verdade multinacional. Mas além de pacata e tranquila também já passastes a ter um dos maiores índices de criminalidade e roubo do estado. Não é raro, em conversas informais, a lembrança dos tempos que se dormia com as janelas abertas, sem se preocupar com o movimento daqueles frequentadores indesejáveis. Crescestes tanto que hoje em dia somos nós que estamos prisioneiros, dentro das nossas casas. Somos reféns de nós mesmos. São grades nas janelas, alarme nas casas, cães e até guarda-noturno. Já não és tão pacata assim; é o preço que se paga pela fama e por teu engrandecimento.
Nesta data querida as tuas ruas não são tão limpas como antigamente; um antigamente não tão distante. Parece que estás sendo vencida pela sujeira e pelos buracos. Tenho minhas dúvidas se ainda podemos te alcunhar de Cidade das Flores. Conheço algumas, não muito distantes daqui, que mereceriam o teu título – infelizmente para nós. Até aquela que é o teu maior cartão postal, a rua das Palmeiras, clama por socorro. Cheira-se cola, fuma-se maconha e o crack rola em plena luz do dia. Camisinhas e seringas já fazem parte do teu dia a dia. Autoridades, por favor, usem o poder e a responsabilidade que lhes foram creditados para não deixar a Alameda Brüstlein sucumbir e virar um lixo a céu aberto. E por falar nas tuas ruas, por favor, Executivo, trabalhe para diminuir os buracos que a cada dia aumentam em proporções exponenciais. Antigamente se dizia que havia buracos nas ruas; hoje existem ruas nos buracos. O número é tão grande que temos que fazer verdadeiros malabarismos no volante para não danificar nossos pés de borracha.
Muitas felicidades é como todas as tuas irmãs te saúdam. Em pouco mais de duas décadas ganhastes prédios altos, shoppings, indústrias. Antigamente, doces eram saboreados na Confeitaria Dietrich, pães e cucas na Brunkow, casais de namorados se encontravam no Gato Preto. Quando se procuravam brinquedos educativos o nome certo era a Pica-pau, a ferragem no Fernando Tilp, salada de frutas na Confeitaria Polar. O restaurante da hora era o Klug’s e os secos e molhados no Alfredo Boehm. Agora temos a Via Gastronômica, além de restaurantes de todos os tipos e “nacionalidades”. Tuas ruas hoje já lembram uma pequena São Paulo, com grandes congestionamentos nas horas do rush. De pacata cidadezinha interiorana, já és cidade grande, com seus (calcula-se) quase seiscentos mil habitantes. A continuar assim teremos que pensar no rodízio de carros e até quem sabe pedágio nas ruas centrais.
Muitos anos de vida lhe desejamos, pois a cada 9 de março, quem ganha presentes somos nós. Entretanto, também acho que das Bicicletas estás deixando de ser. Hoje são tantas motos e scooters a circular, que as magrelas estão encostadas nas garagens. Antigamente eram milhares delas deixando os diversos turnos da Fundição Tupy. Hoje são os ônibus que transportam os operários. E, para finalizar, teus filhos nascem às pencas: são mais de trinta diariamente, nos diversos hospitais e na Darci Vargas. É tão grande este número que a proporção é de uma sala de aula por dia. Vamos então nos preparar para o futuro. Então Joinville, mais uma vez aqui, cantemos: parabéns a você, nesta data querida, muitas felicidades, muitos anos de vida.

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