Todo ano, como de costume, as campanhas da fraternidade apresentam um tema norteador aos seus trabalhos. A da virada do milênio foi “Dignidade humana e paz”. No ano seguinte, “Vida sim, droga não”. Já se trataram dos mais variados temas, como “Os povos indígenas”, “Água, fonte de vida”, a “Amazônia”, a “Defesa da vida” e, neste ano, o tema é “Economia e vida” e traz como mote as palavras de Mateus: “Ninguém pode servir a dois senhores; porque ou há de odiar a um e amar o outro, ou há de dedicar-se a um e desprezar o outro. Não podeis servir a Deus e às riquezas” (6:24).
No início de fevereiro, o papa Bento 16 fez um pronunciamento sobre a Campanha da Fraternidade Ecumênica de 2010. Nele, o representante maior da Igreja Católica na atualidade, o sucessor do carismático e inesquecível João Paulo II, manifesta (resumidamente aqui) que “deseja sucesso às igrejas e comunidades eclesiásticas no Brasil que, este ano, decidiram unir esforços para reconciliar as pessoas com Deus, ajudando-lhes a libertarem-se da escravidão do dinheiro”. E que, como lembra a Campanha da Fraternidade Ecumênica de 2010 – citando palavras de Jesus – “vocês não podem servir a Deus e ao dinheiro’. Alegrando-me com tal propósito de conversão, recordo que a escravidão ao dinheiro e a injustiça ‘têm origem no coração do homem, onde se encontram os germes de uma misteriosa convivência com o mal”.
Entende-se que o objetivo seja ir contra os lucros abusivos, contra o capital especulativo, contra a luta desenfreada pelo “faz me rir” e a força do consumismo. Entretanto, não há como fugir. Estamos todos no mesmo barco e para fazê-lo navegar precisamos de combustível, pois sem ele o barco não anda. Fica à deriva e não se chega a lugar algum.
Será que dinheiro traz felicidade? É possível servir ao Senhor sem pensar em money? Por acaso, campanhas são divulgadas sem que haja verbas investidas?
Por mais que “não se queira dizer”, dinheiro traz felicidade, sim. E muita! Afinal, quem vive sem ele? O que se condena é a corrida desenfreada em detrimento do bem-estar da comunidade, ou a gula de alguns por uma conta bancária gorda, muitas vezes até fora do País.
Ironicamente ao tema da campanha 2010, vem a público a Igreja Católica, mais precisamente a Arquidiocese do Rio, solicitar uma indenização pela veiculação da imagem do Cristo Redentor no filme “2012”. O filme, diga-se de passagem, é uma porcaria, me perdoem os cinéfilos. Nele, o Cristo é destruído por uma catástrofe que inunda as grandes cidades e o quebra em pedaços. Pois bem, os representantes de Pedro no Brasil estão pedindo uma indenização pelo uso indevido da imagem da estátua. De acordo com os noticiários, está havendo uma “negociação amigável”, uma pseudoindenização. Quem será que vai ganhar esta batalha? A Igreja ou a distribuidora do filme? A quem pertence Cristo?
De acordo com a assessoria de imprensa da Arquidiocese do Rio de Janeiro, o Cristo Redentor é de propriedade dela e o órgão teria que pagar uma indenização. São tantas as perguntas que não querem calar, tais como: onde entra Deus nesta negociação? Será que Ele ajudará a arquidiocese ou a Columbia Pictures? De qual lado a Justiça ficará? Ou ela ajuda a um ou a outro, mesmo porque, nas palavras de Mateus: “Ninguém pode servir a dois senhores... ou há de odiar um e amar o outro, ou há de dedicar-se a um e desprezar o outro”.
A estátua do Cristo Redentor é da humanidade. Em 7/7/2007, foi divulgado o resultado de uma votação internacional, a qual tinha como objetivo listar as sete maravilhas do mundo moderno, e o nosso Cristo foi escolhido, entre outros. Mesmo que tenha sido uma escolha extraoficial, já que o concurso não contou com o aval da Unesco nem das Nações Unidas, sabemos que o Cristo pertence à humanidade. Ele é de todos. Ele é nosso. Se alguém deve algo somos nós, pela sua beleza e bênção, com seus braços abertos, orando e nos protegendo.


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