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terça-feira, 9 de agosto de 2011

Gastos públicos: nosso rico dinheirinho


Certo dia andando pela rua, algo chamou atenção: um veículo oficial estacionado, com aqueles sinalizadores de segurança superior girando, motor ligado e dois responsáveis a aproximadamente cinquenta metros de distância, destacando aquelas “folhinhas” dos seus conhecidos “bloquinhos”, aos automóveis que estavam estacionados em local proibido. Correto pensei. Regras são regras e foram feitas para serem seguidas. Existem pessoas que insistem em estacionar seus carros em locais proibidos, esquecendo que podem causar acidentes ou mesmo prejuízo ao tráfego. Cá pra nós, os camisas azuis fazem um trabalho perfeito quando estão com suas canetas em movimento. Afinal, estão cumprindo a lei. Mas neste caso, o fato que mais chamou atenção é que este episódio demorou mais de vinte minutos, e o motor do carro continuou ligado durante todo o tempo. Gasto desnecessário do dinheiro público. Do meu dinheiro, do seu dinheiro, do nosso dinheiro, nosso rico dinheirinho, diga-se de passagem, aquele arrecadado por meio dos tributos que depositamos nas nossas compras ou no uso de serviços; vocês sabem – os impostos. Fiquei pensando: como é fácil gastar o dinheiro dos outros.
Por ironia do destino (ou do acaso), duas horas mais tarde, estava em direção ao meu carro, quando me chamou atenção outro veículo. O calor estava infernal e vi um motorista sentado dentro do carro, com todas as janelas fechadas, o motor ligado e o ar condicionado também. Seu banco estava recostado para trás, parecendo tirar uma pestana. Olhei para a placa do carro e não deu outra: era branca – outro veículo oficial, de um município da redondeza. Fiquei indignado. Quando o dinheiro é dos outros, parece que não faz falta. Dinheiro público é fácil de gastar: afinal entra fácil.
Com certeza seus superiores não conseguem saber tudo que se passa fora das quatro paredes, mesmo porque o quadro de funcionários é grande e eles têm confiança que estejam trabalhando para o bem comum da comunidade a qual prestam seus serviços. Sabe-se que a parcela de funcionários inconsequente é uma minoria. Mas infelizmente é esta minoria que atrapalha o bom andamento do serviço público denegrindo-o. São aqueles que não conseguem ver um palmo à frente do seu próprio nariz.
Gastos públicos sempre existiram, porém devem ser banidos e com consequência àqueles que deles exageram. O economista e professor Osmar Arcanjo realizou pesquisa sobre o tema (desperdício no setor público) e constatou que “a esmagadora maioria sabe que deve e pode evitá-lo, mas na prática a história é outra. O desperdício é generalizado, sendo premente uma solução. O setor público tem o dever e obrigação de ser vanguarda neste processo”. Na maioria dos casos (noventa e sete por cento) é possível reduzir gastos, desde os mais simples como energia, água, papel, complementa a pesquisa.
Outro desperdício que não quer calar é o aluguel dos veículos da Câmara de Vereadores de Joinville. Eles totalizam vinte, zerinhos em folha, e estão desfilando pelas ruas, gerando um gasto de R$ 1,3 mil por mês, para um contrato de menos de um ano. Será que não é hora de se começar a pensar numa frota própria de veículos e diminuir os gastos? Qualquer veículo bem cuidado pode ter uma vida útil aumentada, economizando milhares de reais anualmente; dinheiro, aliás, que poderia ser mais bem empregado na Saúde, na Educação, no Saneamento Básico etc. - o tal do nosso rico dinheirinho. Segundo justificativas, é mais barato alugar um veículo do que comprá-lo. Se fosse tão mais econômico assim, será que não seria uma prática comum? A Câmara é uma das poucas que utilizam tal procedimento. Parece que quando o dinheiro não sai do próprio bolso fica mais fácil de abrir a mão. Outra justificativa é que a manutenção custa muito caro. Carro novo não dá manutenção e além do mais a Prefeitura possui mecânicos que poderiam executar tal serviço e com muita propriedade. Vamos pensar, afinal de contas os gastos públicos são feitos com o nosso rico dinheiro.

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