Powered By Blogger

terça-feira, 9 de agosto de 2011

Aqui na terrinha é diferente


Dia destes, estava na fila do banco esperando minha vez. Peguei minha senha e sentei pacientemente. Sabia que iria passar uns bons minutos até chegar meu número. Não adianta ter pressa mesmo; todos sabem que o atendimento é do tipo conta-gotas. Aliás, não é só nos bancos; qualquer lugar tem filas. Elas chegam a ser quilométricas e só resta esperar. Já faz parte do dia a dia e da cultura do brasileiro.
Como de costume sempre carrego alguma leitura pra passar o tempo e me atualizar. Naquele dia estava folheando as páginas do “A Notícia” e deu para perceber que o número de acidentes de trânsito envolvendo motocicletas cresce assustadoramente. Bem, o calor lá fora era infernal. Também, ultimamente tem feito dias que dá pra sentir saudades dos meses de inverno.
À minha frente sentaram-se duas pessoas. Enquanto eu fazia calmamente uma varredura pelas manchetes, a conversa começou a chamar minha atenção: estavam falando sobre escola, filhos e professores. Deu para perceber que elas não eram daqui da terrinha. Pelo sotaque, acredito que fossem lá de “Estrama”, capital do estado do “Mariuse” (ME), ao norte do Brasil. A conversa era a respeito das férias escolares que se aproximam. Uma perguntou à outra como estavam as crianças na escola, se iriam passar de ano e se estavam fazendo as tarefas propostas pelos professores. A segunda se indignou. Disse que na semana passada teve de ir à escola reclamar com à diretora, porque a professora estava passando muitas tarefas para seus filhos. Eles não tinham mais tempo para brincar. Quanto a passar de ano, todos iriam passar porque ninguém reprova mais. Pensei comigo: aqui na terrinha é diferente. Os pais sempre sentam com seus filhos e estudam juntos. Aqui na terrinha, os pais tomam a lição e diariamente estão vendo os cadernos dos filhos. Quando há reunião nas escolas os auditórios estão sempre cheios. Os pais são comprometidos e conversam periodicamente com os professores. Afinal, estes profissionais passam várias horas junto a eles. Às vezes, aliás, até mais ainda que os próprios pais. Vejam só a responsabilidade.
A conversa estava muito animada, quando a primeira lembrou que no ano passado, sua filha havia reprovado. Ela foi até a escola e conversou com a direção. Disse que se a filha fosse realmente reprovada, ela tiraria a menina da escola. A diretora disse que a mãe não precisava se preocupar, pois sua filha não reprovaria. A outra mãe complementou: também fui chamada à escola e a diretora disse que não gostaria de ter um índice de reprovação muito alto e que apesar de tudo, sua filha estava passada. As gargalhadas foram em uníssono. Pensei mais uma vez: aqui na terrinha não é assim. Aqui, quando os filhos reprovam, os pais compreendem perfeitamente e até agradecem, pois têm consciência de que o filho merece.
Minha senha já estava quase chegando quando ainda consegui ouvir mais uma: a professora de história havia solicitado como tarefa, que os alunos lessem determinado assunto e escrevessem sobre ele. Porém, seu filho usou do artifício do ctrl-c ctlr-v (o da cola). Consequentemente a professora deu uma nota baixa; foi então chamada pela direção que a obrigou a aceitar o trabalho. Como resultado a própria professora “entregou o chapéu”.
Dizem que lá em “Estrama”, na capital daquele estado (“Mariuse”), ao norte do Brasil, os alunos são mal criados e respondões. Eles não têm limites. Falam todos ao mesmo tempo; brigam todos ao mesmo tempo. Querem responder, todos ao mesmo tempo. Criticam, todos, ao mesmo tempo. Ironicamente, nas reuniões os pais agem da mesma forma. Como se vê, o exemplo vem de casa.
Como está a nossa educação? Onde estão os professores? A cada ano, mais e mais professores deixam a educação por falta de apoio. Muitos trocam de profissão, viram motoristas de ônibus, massoterapeutas, vendedores e, se sentem felizes e mais valorizados. Ainda bem que aqui na terrinha é diferente!

Os Jogos Abertos de Santa Catarina


Quando o conheci ele era um jovem que recém havia completado maioridade; estava então com seus 22 anos. Graças ao seu “pai”, o brusquense Arthur Schlosser, ele se tornou uma referência em termos de esporte no nosso Estado. Sua primeira versão se deu no ano de 1960 e, como não poderia ser diferente, realizado no vale europeu da bela Santa Catarina, em Brusque. E, vejam só, logo será chamado de cinqüentão.
Desde o seu batismo, somente em duas ocasiões as competições não foram realizadas: em 83 e no ano passado, por causa das fortes chuvas que maltrataram Santa Catarina. Neste ano, ele reaparece na cidade de Chapecó, para mais uma vez, dar o ar da sua graça. Mas como está a sua saúde? A motivação dos atletas ainda continua a mesma dos tempos de outrora? E o glamour ainda existe?
Quando cheguei a Joinville, os Jogos Abertos de Santa Catarina (JASCs) eram comparados aos Jogos Olímpicos (os verdadeiros). A cidade respirava esporte. Os jornais publicavam diariamente os dias que faltavam para o início dos próximos Jogos. Assim que acabava uma edição, no dia seguinte se via, estampado nas suas páginas, “Faltam 365 dias para os próximos Jogos Abertos” e assim sucessivamente, em ordem decrescente, até a chegada da tão esperada competição. Entretanto hoje, pelo que se vê, o glamour está em baixa.
O mesmo motivo que me trouxe para Joinville, também me afastou da cidade: a falta de apoio para continuar o projeto Prata da Casa. A proposta era formar atletas, para evitar o chamado “atleta paraqueda”. Não sei a quantas andam essa questão; já faz muito tempo que me afastei do esporte. O paraqueda era aquele que, quando contratado, viajava direto da sua cidade para a sede dos Jogos; competia, fazendo jus à sua obrigação e voltava para casa, sem nem mesmo conhecer, ou ter pisado, na cidade que o havia contratado
Considero ter feito a lição de casa: conquistamos, em 1987, na Ginástica Olímpica, o troféu para Joinville; e somente com Pratas da Casa. Verdadeiros amadores. Praticava-se o esporte amador pela própria acepção da palavra. Entretanto, aos poucos a “gurizada” foi sendo obrigada a deixar a prática esportiva, pois tinham que começar a trabalhar. Foi aí que me ausentei durante seis anos.
Na volta, uma das primeiras coisas que fiz, foi visitar o Ginásio Mário Timm, palco de várias vitórias. Para surpresa, encontrei praticamente os mesmos aparelhos utilizados e, o que mais me chamou atenção foi a mesma goteira, no mesmo lugar. Fiquei triste obviamente.
Esporte amador foi e sempre será difícil de se praticar. O profissional “já patina” atrás de patrocínio, imaginem o amador. Ele é caro, exige dedicação, tempo, preparo, doação. Sua concepção mudou muito. Se não houver o propósito de se fazer um trabalho a longo prazo, não se consegue resultados. Hoje, sem patrocínio, é difícil. Para se ter uma elite representativa em termos de resultado, há de se trabalhar também a base. Será que os governantes estão pensando em termos de futuro para o Rio 2016, por exemplo? Caso não tenham começado, já é tarde, pois faltam apenas sete anos e não se faz um atleta de elite em tão pouco tempo. Uma Daiane dos Santos não aparece da noite para o dia. Quais as estratégias que estão sendo traçadas, para aglutinar esforços, para direcionar investimentos e se obter resultados positivos no esporte? Tenham certeza que se não fosse o “paitrocínio” muitos atletas não estariam viajando para representar nosso estado e nosso país.
Vamos pensar em dar maiores e melhores condições aos jovens para que possam se desenvolver como atletas e como pessoas. Uma criança que pratica esporte durante o dia, não tem tempo para pensar em drogas. Nem todos se tornarão atletas de competição, evidentemente, mas podem surgir grandes dirigentes, incentivadores e amantes de uma vida saudável. Amanhã, a cidade de Chapecó inicia a 49ª jornada dos JASCs. Boa sorte, sucesso. Que vença o esporte.

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Chega de preconceito.


Neste início de terceiro milênio, onde a informação é disseminada com a ajuda de um “clique no mouse”, não há mais espaço para o preconceito; isto é coisa do tempo das cavernas. Naquela época, o homem saía em busca do sustento da tribo e, na volta, entregava a presa para que “ela” preparasse seu alimento. “Ela”, por sua vez, corria para a fogueira a fim de manusear aquele delicioso javali, bem ou mal passado. A história da mulher pilotar o fogão é milenar. Ela passava a maior parte do tempo no seu habitat, também, devido à sua força física, a qual indiscutivelmente é inferior a dele, além do ônus de cuidar da prole.Hoje em dia, isso não cabe mais, salvo os machões de plantão – aqueles que ainda estão na ilusão de que o lugar de mulher é na cozinha. Estes, sim, ainda estão na época das cavernas.O “tremendão”, o Erasmo, na sua canção “Mulher”: “Dizem que a mulher é o sexo frágil, mas que mentira absurda...”. Para ele, após um longo dia de trabalho (como o homem das cavernas), espera que ao chegar em casa, tenha a atenção total; porém, continua ele, um reclama “o seu peito, o outro reclama a sua mão”. Dependentes e carentes somos nós, que dependemos da força delas. E que força! Diz o chavão popular: “Atrás de um grande homem, sempre existe uma grande mulher” e o ditado contemporâneo complementa que é “para empurrá-lo”. “Na escola em que você foi ensinada, jamais tirei um dez, sou forte mas não chego aos seus pés”, complementa o poeta, nesta já consagrada canção.A mulher de hoje é administradora, corretora, negociadora. Ela é artista, dentista, motorista. Há algumas décadas, uma mulher no volante era motivo de chacota; quando se via uma batida de veículos, onde um dos motoristas era do dito sexo frágil, sempre se ouvia: “Só podia ser mulher mesmo”.Hoje, as mulheres no trânsito são motivo de respeito. Elas são muito mais conscientes e precavidas que os machões de plantão. Eles, por sua vez, quando estão de posse de um volante, se acham super-heróis; puros pilotos de Fórmula 1. O Departamento Nacional de Trânsito apresentou dados de uma pesquisa, feita entre 2004 e 2007, que constatou que apenas 11% dos “motoristas envolvidos em acidentes de trânsito com vítimas eram mulheres”.Atualmente, existem centenas delas em transportes escolares, em táxis, em ônibus e até caminhões. Fico imaginando as crianças, antes e após o horário escolar, sendo transportadas por elas. Para aguentar o falatório, só mesmo uma mulher: paciente, com seu extinto materno. Têm-se notícias que passageiros, após adentrarem em táxis, percebendo que “o” motorista era na verdade “a” motorista, desceram, dizendo que iriam pegar um táxi, dirigido por homem. Triste, mas é verdade.Percebe-se aqui, nas ruas da Manchester Catarinense, que mais e mais mulheres estão sendo responsáveis por centenas de passageiros, por meio das suas manobras e, diga-se de passagem, com muito respeito. Como diz a nossa Carta Magna: “Homens e mulheres são iguais em direitos ...”. Antigamente, os anúncios de trabalho diziam: admitimos motoristas do sexo masculino, ou, vaga masculina para almoxarifado. Graças à diminuição do preconceito, erros como estes estão se exaurindo.Finalmente, agora são as BRs que estão ganhando um pouco mais de batom e blush no volante. Assim como Bino e Pedro, personagens da série “Carga Pesada”, da Rede Globo, protagonizada por Stênio Garcia e Antônio Fagundes, mais mulheres estão se aventurando e abraçando como profissão este novo nicho de mercado. Parece ainda que os donos das estradas seguram um certo preconceito. Elas ainda sofrem. Ainda se ouve que, “a mulher deve colocar a barriga no fogão e não no caminhão”. Sabe-se que, no fundo, lá dentro do ego, eles sentem orgulho. Portanto, meninas, bola para frente. Com vossas presenças, as estradas ficarão certamente muito mais charmosas e seguras.

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Não dê um tiro no seu pé.


Hoje, só não estuda quem não quer. Vejamos Joinville: no início da década de 1980, era possível enumerar as instituições de ensino superior existentes, somando-se apenas os dedos de uma das mãos; e ainda sobravam dedos. Agora, quase no final da primeira década deste terceiro milênio, temos de usar até os dedos dos pés, pois o número cresceu demasiadamente. Este fenômeno, se pudermos assim afirmar, é nacional. A educação virou um comércio – e muito lucrativo. Numa mesma cidade, vários são os cursos na mesma área.Até bem pouco tempo, o percentual candidato/vaga era superior. Atualmente, esta proporção se inverteu; existem mais vagas do que candidatos; muito mais, diga-se de passagem, com exceção dos cursos clássicos e, principalmente, os das instituições públicas, sempre muitos concorridos.Instituições de ensino se proliferam e, com isso, o governo consegue mostrar ao mundo que o número de universitários vem crescendo no País. Todavia, o próprio governo percebeu que o negócio está “galopante” e começa, por meio do Ministério da Educação (MEC), a proibir vestibulares e “passar a faca” em vagas de cursos superiores de má qualidade, além de arquivar centenas de pedidos de novos cursos.Vários são os mecanismos de avaliação para se tentar manter uma educação de qualidade e, espera-se, elevar o nível do ensino. Alguns destes mecanismos são as avaliações do MEC como a Prova Brasil, para estudantes das séries finais do ensino fundamental, o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) e o Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (Enade). Vamos nos fixar aqui no último. Ele acontecerá em todo o País, no dia 8 de novembro (domingo!), às 13 horas, para alunos ingressantes dos primeiros anos e concluintes de dezenas de cursos, desde administração, ciências contábeis, passando por direito, design de moda, marketing, só para citar alguns. Não há como escapar. Até o ano passado, o MEC selecionava aleatoriamente os alunos de cada curso, em cada instituição. A partir deste ano, todos, sem exceção, terão de participar. A presença deve ser de cem por cento, caso contrário, o aluno não recebe seu diploma de conclusão de curso superior.Existe uma certa ojeriza em torno do Enade. Casos e mais casos começam a acontecer pelo País afora. Muitos universitários pactuam em simplesmente “assinar a prova e entregá-la em branco”. Metaforicamente falando é “dar um tiro no próprio pé”. E já aconteceu várias vezes, em vários Estados brasileiros, inclusive na Cidade dos Príncipes, às margens do Cachoeira. De fonte segura, me relataram que, uma determinada turma de formandos de um determinado curso fizeram o tal pacto. Algum tempo se passou até que os então formados começaram a distribuir seus currículos. Batendo “à porta” de determinada instituição, receberam um grande e sonoro não, dizendo que a instituição “não iria contratar profissionais que tiraram nota zero no Enade”. A consequência disso é que a própria instituição de ensino tem sua avaliação prejudicada. É o feitiço virando contra o feiticeiro.Até que se poderia ir um pouco mais adiante, alcançar o outro lado da moeda: acho que os professores também deveriam ser avaliados; sim, por que não? Afinal, existem aqueles que já se graduaram e ficaram parados no tempo. Aqueles que não procuraram se especializar com capacitações, especializações, cursos de extensão etc. Aqueles que, como os alunos, não leem. Aqueles que têm planos de aulas estão amarelados pelo tempo e, quando algo não dá certo, dizem: “Eu estou dando esta mesma aula a mais de 20 anos e os alunos nunca reclamaram”. É uma questão de tempo; o tal exame também se dará.Portanto, meninos e meninas, futuros profissionais graduados, ao receber seu caderno de questões, responda-o de forma consciente, dando o seu melhor, em benefício próprio, honrando suas instituições. Valorizem sua carreira acadêmica, porque, afinal de contas, foram quatro, cinco anos de dedicação e esforço e não se deve jogar a oportunidade pela janela. Boa sorte a sucesso.

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

A saúde bucal


“Hoje em dia, parece que a estética está ganhando da saúde bucal.” A afirmação é de propriedade de um dentista. E não é para menos. Conversando com um “médico da boca”, chegamos à conclusão que os cuidados com a beleza estão à frente, dos cuidados com a saúde. Então, vejamos. Cabelos, por exemplo, são mais bem tratados e acariciados do que os dentes. Parece que as pessoas passam mais tempo olhando seus próprios cabelos, do que preocupados com a saúde dental.Não é para menos: ir ao cabeleireiro dói menos que ir ao dentista. Existem lugares que para se “fazer pé e mão” chegam a cobrar R$ 30. Um corte com escova pode alcançar seus R$ 90; e, um retoque de raiz vai além. Os salões de beleza estão sempre cheios. A espera é longa e com hora marcada. Ao passo que os consultórios dentários, muitos estão vazios.O brasileiro não está acostumado a trabalhar a profilaxia, onde o dito popular afirma – é melhor prevenir do que remediar. Dizem os especialistas que o ideal é visitar o dentista duas vezes por ano. Muitos não recorrem a essa prática, nem mesmo uma vez. Nada contra os cabeleireiros, pois tenho amigos e alunos neste ramo. É simplesmente uma forma de comparação. Poderia até ser outra, como o tabagismo já comentado aqui neste espaço. O que se pretende alertar é que, na verdade, a saúde não custa tão caro assim, desde que se encare preventivamente.Um dos grandes motivos da procrastinação, sem dúvida, é a dor. É quase que impossível entrar e sair do consultório sem ela (durante, então, nem se fala!). Para muitos, são momentos de angústia e sofrimento. Porém, está mudando. Antigamente, sofria-se muito mais do que hoje. Na época do sr. Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes, sentia-se muito mais dor. Eram os “práticos” que cuidavam da boca das pessoas. Aqui no Brasil, este profissional, até pouco tempo, ainda era o responsável por essa prática, especialmente nas cidades menores. Eles aprenderam a lidar com a profissão, sem o devido conhecimento teórico.Atualmente, existem vários cursos nesta área. Aqui mesmo em Joinville já se graduaram vários dentistas e com alto grau de desenvolvimento. Diferentemente de países europeus como Portugal, aqui no País, o dentista tem a sua própria faculdade. Lá, a odontologia é uma especialização da medicina; estamos muito à frente dos dentistas da terra de Camões. Não é pra menos. Somos “exportadores de estética e matéria-prima”. Nossos profissionais estudam mais tempo e possuem um maior número de horas de prática e treinamento. Nas palavras de outro dentista: “A odontologia brasileira está entre as melhores do mundo, com profissionais reconhecidos internacionalmente. Temos um maior número de profissionais para cada indivíduo; no entanto, uma parcela grande da sociedade nunca foi ao dentista. É uma discrepância que grande parte da população não tenha acesso. A questão não será resolvida apenas com o incremento no número de profissionais, mas sim no estabelecimento de políticas públicas que visem à saúde bucal, como parte integrante de uma política de saúde atrelada ao desenvolvimento econômico, social e cultural da população”.Agora, o trabalho do dentista é muito mais que “catar dentes”. Ele tem ao seu dispor materiais e tecnologias que permitem realizar tratamentos até pouco tempo inimagináveis, como é o caso dos implantes dentários. A dor de hoje, nem se compara com as da época do mártir da independência.Neste próximo domingo, dia 25, é o dia da saúde dentária – Dia do Dentista. Vocês são profissionais, não que os demais também não sejam, abençoados por Deus. Particularmente, sempre quando estou aos seus cuidados sinto que a mão Dele está amparando às suas e que os anjos sempre estão por perto contribuindo para o êxito. Portanto, nesta semana, faça um favor a você mesmo: ligue para o seu dentista e o parabenize-o. Aproveite também para cuidar da saúde bucal.

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Você trabalha ou só dá aula?



Olá muchachos companheiros de profissão. Força; muita! A história apresenta que em 15 de outubro de 1827, o então primeiro Imperador do Brasil, Dom Pedro 1º, pai da “nossa” Dona Francisca (sim, aquela que começa no centro de Joinville e vai em direção a “Pira”) decreta que “todas as cidades, vilas e lugarejos tivessem suas escolas de primeiras letras”. Exatos 120 anos após, um tal professor Salomão Becker sugeriu aos seus pares que fosse feita uma pausa letiva para se debater as questões da educação, do planejamento das aulas, incentivando a troca de experiências. A iniciativa teve o apoio e foi crescendo até que, em 1967, o Dia do Professor foi instituído como feriado nacional pelo então presidente João Goulart. Seu intento era “comemorar condignamente. [...] Os estabelecimentos de ensino farão promover solenidades, em que se enaltecerá a função do mestre na sociedade moderna, fazendo participar os alunos e as famílias”.Como comemorar? Amanhã, creio eu, muitos estarão emergidos em correções de trabalhos e provas para o fechamento de mais um bimestre, ou mesmo “correndo atrás da máquina” na preparação das provas que se avizinham.Professor não tem sábado, não tem domingo. No seu próprio dia, continua trabalhando (sem soldo). Muitos ainda dizem que vida de professor é fácil; “é só dar aula”. Ledo engano. Tem professor que, para complementar a renda mensal, vende perfumes, cosméticos, é sacoleiro. Outros trabalham três turnos e, pasmem, muitas vezes não sobra real para o aprimoramento pessoal. Terminando esta aliteração consonântica, às vezes, chega a ser anormal; é irreal.Quando surgiu, ele era o dono do saber; quando falava, os outros ouviam. Para pedir a palavra, levantava-se a mão; quando alguém abria a porta, todos se levantavam. As provas eram aos sábados; daí o termo sabatina. Antes preocupava-se com a educação acadêmica; hoje, é tia, é profe, é teacher, psicólogo, pai e mãe. Parece que não detém tanto o saber, competindo com a poderosa internet.Não sei se Sócrates lograria tantos frutos quantos plantados em Platão, com o seu método do questionamento, com uma pergunta em cima da própria pergunta, fazendo o discípulo pensar. Hoje, não se quer pensar. Responder é mais fácil. A vantagem do problema a ser resolvido, a da mudança do comportamento, que gera o consequente aprendizado, é compreendida como aula chata.Dizem por aí que professor não trabalha – só dá aula. Hilário é ouvir de outro professor esta mesma pergunta. Existem os que não são professores e dão aulas. Aliás, quase que qualquer um pode virar professor. Existem dezenas de centenas que começam a fazer um “biquinho” e continuam. E os professores que são Professores e não professores ficam calados. Frequentemente, vê-se na televisão, nas páginas d’A Notícia, também, que fulano estava consultando sem nem mesmo ter cursado algum semestre de medicina; engenheiros construindo sem diploma, assim como dentistas e, todos, unem-se para desmascarar o impostor. Mas professor, qualquer um pode ser; e o próprio professor não faz nada para se impor.A matéria prima do docente é o conhecimento. Será que é possível estar em constante aperfeiçoamento? Será que é possível a compra de “um” livro, a cada dois meses, pelo menos, para se estar por dentro do que os grandes pensadores abordam? Será que é possível frequentar cursos de pós-graduação para o aperfeiçoamento contínuo?Triste mesmo é saber que muitos deixam a cátedra por falta de motivação. Outros por desilusão. Não que não sejam preparados para o ofício. Falta mesmo é educação. Aquela que deve ser aprendida em casa. Entretanto, a família também está deixando esta tarefa para os professores. Vocês pais, perdoem-me, pois toda regra tem sua exceção.Será que é uma profissão que está em extinção? Será que nós, os professores, não somos os culpados? Vamos refletir. De qualquer forma, amo o que faço. Para mim, não é profissão; é um prazer estar sempre aprendendo com colegas e alunos – meninos e meninas.

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Crematório ou não crematório?


Parafraseando Shakespeare, em Hamlet: “crematório ou não crematório, eis a questão”. A frase suscita muita especulação. Mas, afinal, quais são os temores, os mitos, as expectativas que carregam as pessoas quando se trata da hora de nos despedirmos dos nossos entes queridos?A cremação é a prática de incineração do corpo após a morte. Coloquialmente, é a passagem desta vida para outra dimensão. Engraçado é ouvir da maioria que “do outro lado tudo é muito melhor” ou “agora ele está descansando”. Porém, esta mesma maioria não pretende passar “desta para uma melhor” tão cedo.A Índia, por exemplo, desenvolve esta prática milenarmente. Numa conversa informal com alguns colegas professores, perguntei a uma como foi a experiência de ter assistido a um ritual de cremação, naquele país. Foi na cidade de Varanasi, às margens do rio Ganges. Havia um carro que carregava um volume, cheio de flores e um “embrulho de gente” com serragem, gravetos e flores por cima. Durante o processo, não havia cheiro. O único odor sentido foi o de sândalo, uma madeira aromática assim como outras do tipo. Só havia homens. Mulheres e crianças não participam, porque dizem que o choro atrapalha a ascensão da alma. O próprio Ganges é o cemitério. Morrer em Varanasi é o máximo da espiritualidade deles. Como se vê, foge à nossa cultura.Aqui em Joinville, a Câmara de Vereadores está discutindo a questão. Aliás, a discussão já vem de tempo. No final da década de 1990, quando o então prefeito Luiz Henrique da Silveira ainda ocupava o cargo, foi solicitado um estudo à implantação de um crematório. Faz, portanto, dez anos que se pensa na possibilidade de a Manchester Catarinense ofertar esta outra opção de ritual pós-morte. Naquela época, existia uma resistência muito grande; parece que agora a opinião está mudando, pois para a maioria das pessoas perguntadas, a resposta foi favorável.Atualmente, existe um projeto tramitando na Câmara, ao qual o prefeito Carlito Merss solicitou seu veto, para que seja encontrado um melhor local e definição para a questão da “ocupação do solo”. Mas ela não é só política ou burocrática. Dois grandes temas, pelo menos, devem ser considerados hoje em dia: a questão do meio ambiente e a questão religiosa.Com relação ao primeiro, existem duas correntes. Se, por um lado, a queima produz a poluição do ar, por meio da combustão e liberação do CO2, por outro, quando um corpo é enterrado, ocorre o efeito chamado “necrochorume” – o da decomposição, do qual 60% se tornam água; 30%, sais minerais; e 10%, substâncias orgânicas. Todo este material desce até as camadas do subsolo, poluindo desta forma os lençóis freáticos. Além da poluição, vem a questão do depósito: um espaço físico tremendo, comparado com aproximadamente um 1,5 quilo de cinzas; uma economia muito mais racional.Quanto à questão religiosa, existe a crença da ressuscitação; muitos acreditam que os mortos ressuscitarão. Chega a mexer com os brios e crenças pensar de outra forma. Outros já dizem que é a maneira mais fácil e rápida de se voltar ao pó. Para a ciência, após a decomposição, torna-se impossível um organismo voltar a viver. Mas, para Deus, tudo é possível. Se realmente for assim, das cinzas também se ressuscitará; por que temer? É difícil compreender. Faltaria lugar no planeta Terra. Isso não deixa de ser uma forma de pensar materialmente. Entretanto, o que permanece é a alma. O importante é o que a pessoa fez quando ainda estava neste mundo – ou deixou de fazer. O importante é a forma com que ela contribuiu para o engrandecimento da humanidade. O corpo perece; a alma permanece.Joinville já merece um crematório; já merece essa outra opção. É uma questão democrática. Aquele que pensa diferente, que utilize a forma tradicional. Outra coisa: antes que aconteça a hora, que seja feita a doação dos órgãos para aqueles que estão agonizando na dor, ou mesmo não enxergando esta natureza maravilhosa que Deus nos deu. De qualquer forma, tudo irá ou “pelos ares” ou por “água abaixo”.