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terça-feira, 9 de agosto de 2011

A onda da terceira idade


No início deste mês o jornal “A Notícia” publicou a reportagem “Vida longa para os catarinenses”. Nela, segundo pesquisa do IBGE, “houve um aumento na esperança de vida onde os homens de SC têm a maior expectativa de longevidade do país e, de forma geral, as mulheres vivem mais em média que os homens”.
Três histórias chamaram à atenção: a da dona Ísis, que aos 82 anos passou a escrever poesias e é voluntária do grupo Alegria de Viver, do SESC, em encontros semanais com crianças. A segunda história é de um médico que, logo cedo, já está deslizando nas ondas do mar com a sua prancha de surfe. Com uma vida bem regrada: “sem açúcar, sem cigarro e com alimentação à base de vegetais e frutas”, ele pretende fugir da osteoporose. Apesar de não estar na casa dos “terceira-idadeanos”, hoje com 56, disse que daqui a 20 anos pretende continuar surfando todas as manhãs e trabalhar à tarde. A terceira história é a do seu Ênio, 69, que está prestes a completar três anos de namoro com a dona Nilda, também do grupo do SESC. Todos se mostraram sorridentes, felizes e de bem com a vida.
Como se vê, está na moda o “culto pela terceira idade”. Aí, então, me lembrei que havia também participado de uma solenidade de formatura de um grupo de alunas, vejam só, alunas da terceira idade, na faculdade Anhanguera. As meninas, num total de 12, receberam seus diplomas após terem cursado um semestre cheio de atividades acadêmicas, entre elas pintura, teatro, canto etc.
Nesta formatura, além das homenagens, elas deram um show cantando três músicas: “Cabecinha no ombro”, “Chalana” e como despedida do “semestre letivo”, “Então é Natal”; uma versão de “Happy Christmas”, de John Lennon. Tive a oportunidade de acompanhá-las ao violão (nada profissional é bem verdade). Mas, o que mais chamou à atenção foi uma interpretação teatral chamada “Chapéu violeta”. Achei tão interessante que vale à pena descrevê-la (me perdoem os que já a conhecem).
O palco estava decorado com um pano drapeado e um espelho onde as “alunas-atrizes” eram chamadas uma a uma. Olhando-se no espelho elas diziam: aos 3 anos, ela olha para o espelho e vê uma rainha; aos 8, ela olha para si e vê uma Cinderela; aos 15, se vê uma freira horrorosa e diz: “mãe, eu não posso ir à escola desse jeito”; aos 20, ela se vê muito gorda, muito magra, muito alta, muito baixa, cabelos muito lisos, muito encaracolados, mas decide sair assim mesmo; aos 30, ela olha para e se vê muito gorda, muito magra, muito alta, muito baixa, cabelos muito lisos, muito encaracolados, mas decide que agora não tem tempo para consertar as coisas, então vai sair assim mesmo; aos 40, ela se vê muito gorda, muito magra, muito alta, muito baixa, cabelos muito lisos, muito encaracolados, mas diz: “pelo menos estou limpa” e sai assim mesmo; aos 50, ela olha para si e se vê, como ela é. Então, vai para onde bem entender; aos 60, ela olha para si e se lembra de todas as pessoas que não podem mais se olhar no espelho. Sai de casa e conquista o mundo; aos 70, ela olha para si e vê sabedoria, risos, habilidades. Sai para o mundo e aproveita a vida; aos 80 anos, ela não se incomoda mais em olhar para si. Põe simplesmente o “Chapéu violeta” e vai se divertir com o mundo. “Talvez a gente devesse pegar o Chapéu violeta mais cedo”. (Infelizmente não pude dar o crédito ao autor desta vez, pois é considerado desconhecido).
A onda da terceira idade, neste início de milênio é a de “não deixar a peteca cair”. Já não cabe mais ficar em casa, improdutivamente, esperando o tempo passar. É tempo de curtir a vida, contar histórias, fazer ginástica, sempre com o acompanhamento de um médico especialista, de procurar trabalhos sociais e porque não voltar aos bancos escolares; mesmo porque a idade que conta é a da mente e não a cronológica. E para nós, que ainda não chegamos lá, vamos nos preocupar com os bons exemplos aqui apresentados e não nos preocuparmos tanto com o “Chapéu violeta”.

O debate da EaD


A Educação a Distância (EaD) vem chegando a passos largos nestes últimos anos. O conceito de que a sala de aula compreende um quadro negro, verde, branco, ou até mesmo uma lousa digital, como se vê neste início de terceiro milênio, começa a se transformar. O paradigma da sala de aula está mudando. Hoje, o professor, não necessariamente está à frente dos seus alunos; ele pode estar distante geograficamente centenas de quilômetros e ao mesmo tempo estar presente. Para a grande maioria da população este tipo de educação é novo, porém já existe há certo tempo.
A primeira menção que se conhece foi em 1728, em Boston, nos Estados Unidos, onde um anúncio oferecia “material para ensino e tutoria por correspondência”. Começou a tomar força no Canadá, Espanha, Alemanha e desde então sua prática vem se disseminando gradativamente pelo mundo, ganhando mais e mais adeptos.
Aqui no Brasil, sua criação se deu com o “serviço de radiodifusão educativa do Ministério da Educação”, mais de cem anos após seu lançamento nos EUA, em 1937, numa parceria com a CNBB. Tinha como objetivos bem definidos, promover e orientar a educação. Na década de 1960 surge o famoso Instituto Universal Brasileiro, com seus cursos de Corte e costura, Eletrônica, Fotografia, Datilografia etc. Nesta época também surge o famoso Telecurso do 2º Grau, da Rede Globo, incentivado pelo jornalista Roberto Marinho, objetivando levar educação de qualidade aos brasileiros por meio da televisão. Hoje em dia ele se chama Telecurso 2000 e é apresentado na forma de vídeo aulas, apostiladas, direcionadas aos Ensinos Fundamental e Médio.
Poderiam ser enumeradas centenas de perguntas a respeito da EaD, porém vamos centrar nestas: Qual o seu nível de aprendizado? Quem é o aluno a distância? A educação presencial irá acabar? E o futuro da educação?
Por ser um método “novo”, a quebra deste paradigma assusta muitos profissionais, inclusive da própria educação. Muitos afirmam que o nível de educação é baixo e que nada se aprende; ledo engano. A vontade de aprender vem de dentro do indivíduo. Ninguém aprende porque o outro quer lhe ensinar; aprendemos quando queremos e, sobretudo, quando acontece a mudança no nosso comportamento. O aluno à distância é aquele focado no seu aprendizado e que busca a informação que lhe interessa. Muitas vezes o aluno presencial está mais distante do foco do ensino do que aquele à distância. Por ironia, também, existem aqueles profissionais, da própria educação à distância, que também duvidam dela. Chegam a perguntar se realmente se aprende. Claro que sim, e muito; especialmente porque a leitura e a produção escrita são condições básicas. Claro que existem casos e casos.
A educação presencial jamais irá acabar, assim como o rádio não acabou com a chegada da televisão e, a televisão com a chegada da internet. Ela sempre existiu e sempre existirá. O que irá acontecer, e já acontece em certas instituições, é a mesclagem das duas. Haverá disciplinas em que o aluno irá buscar seu próprio conhecimento, geograficamente longe do professor, e outras em que o aluno estará, junto com o mestre, preferencialmente discutindo e buscando o conhecimento necessário para o seu desenvolvimento. Ou seja, o binômio teoria-prática sempre existirá. O contato do ser humano é essencial para o seu progresso, assim como o silêncio e a concentração também.
Quanto ao futuro da educação é fácil de prever: se hoje a internet contribui de forma maciça no nosso aprendizado, com seus sites, links, bibliotecas virtuais, através da tela do monitor, no futuro o professor virtual estará na nossa casa – literalmente; assim também como nossos colegas de sala - holograficamente. Eles estarão, nas nossas casas, tão vivos quanto os nossos colegas e professores presenciais. São os novos tempos. Devemos nos adaptar a eles e buscar o que de melhor cada sistema pode oferecer.

O Natal e os amigos-secretos


Vai Natal, vem Natal e a brincadeira do “amigo-secreto” cada vez mais toma força. Dizem que a ideia surgiu no início do século passado, em plena depressão de 1929, com a queda da bolsa de valores americana. Como as “vacas estavam magras”, alguém teve a ideia de trocar presentes para que todos saíssem da brincadeira com pelo menos um. E parece que ela é uma brincadeira mundial: na terra do tio Sam ela se chama “Secret Santa”. Lá o nosso Papai Noel é chamado de Santa Claus – o São Nicolau. Nos países de língua espânica, ela se denomina “Amigo Invisible” – o amigo invisível e por aí afora.
Nesta época pré-natalícia, as famílias estipulam o seu valor e começam a se mobilizar, preenchendo os “papelzinhos” com os nomes de todos os seus integrantes, para sortear o seu amigo. Às vezes, como se sabe, ela tem que ser feita mais de uma vez, pois a pessoa “tira” o seu próprio nome. Quando chega o dia de anunciar o seu “amigo invisível”, a revelação se dá por meio de dicas, risos e gritos.
Existem aqueles que torcem para ser sorteado por determinada pessoa, porque sabem que vão ganhar um bom presente. Outros nunca estão contentes com o que ganham. Outros ainda ficam na expectativa: será que vou tirar a minha sogra?!
Nas escolas, empresas e faculdades não é diferente. O valor depende da situação financeira. Para uns vale tudo. Para outros, existe só o preço mínimo. Há aqueles que estipulam um valor mínimo e o máximo. Já vi até de R$ 1,99. É mais pela brincadeira mesmo. Neste caso os presentes mais inspiradores são anjinhos, porta-retratos, espelho de bolsa. Já vi até gente ganhando sapo de gesso, aquele deitado com uma pança avantajada e a cabeça sendo segurada pela mão, de cor verde. Até que lembrava, e muito, a barriga e o jeito de deitar de quem o recebeu. Haja criatividade.
Ultimamente o costume é deixar uma lista com o presente que se queira ganhar. Foi o que me chamou atenção. Estava afixado em num mural a seguinte frase: “Que tal dar uma ajudinha para o seu amigo?” A coisa é bem organizada. Cada um assina o seu nome e ao lado o presente que quer ganhar. O que me chamou ainda mais atenção foram os seguintes pedidos: chinelo de dedo com tirinhas finas – menos dourado, um livro (ou) uma pulseira, carteira, vale da loja XYZ, vale presente de R$ 100,00 (nada modesto por sinal), bolsinha de ladinho quadradinho não muito brilhosa, a fulana (citou o nome da amiga) tem uma e a sicrana (outro nome) também, tem duas alças. Entretanto, o pedido que mais chamou atenção foi o seguinte: pura e simplesmente, Rodrigo Santoro. Sim ele mesmo, o ator da Rede Globo. E, ao lado estava escrito, a lápis, já tenho, kkk (risos).
A imaginação começou a fluir. Pensei então no próprio Papai Noel e sua família. Fiquei imaginando o que eles iriam escrever na lista: o “bom velhinho” iria pedir um trenó novo, 4 x 4, diesel, com air bags. Sua esposa, a “boa velhinha” iria pedir uma máquina de fazer biscoitos, aqueles de Natal. A “sogra Noel” uma vassoura, em formato de aspirador de pó, movida a GNV (Gás Natural Veicular). E, finalmente, o “sogro Noel” uma vara de pescar wireless.
Brincadeiras à parte, creio que o tal presente do amigo secreto deva ser uma coisa espontânea - uma surpresa na essência. Esse negócio de escolher o próprio presente deixa a brincadeira sem emoção. Qual é a graça de abrir o presente sabendo o que o espera? O legal mesmo é abrir o pacote e ter a curiosidade, até o fim, de apreciar a lembrança; goste ou não goste. Aliás, foi o que aconteceu. No último Natal, depois de brigar com o meu pacote para abri-lo, recebi uma linda rede de casal, diretamente do nordeste brasileiro, daquelas de se pendurar na parede. Meninos e meninas, que a brincadeira seja “a moda da casa”, ou seja, ao seu próprio gosto e que acima de tudo, aproveitem o verdadeiro espírito de Natal. Que os abraços sejam sinceros e o maior presente de todos esteja sempre presente: a saúde. Boa brincadeira.

Feliz dia das mães


Mais uma vez, mãe querida, estamos aqui para parabenizá-la. Você que nos deu o dom da vida, você que mesmo antes de eu nascer, cuidou da minha saúde, preparou meu quartinho, guardou minhas roupinhas e sonhou com o meu futuro; sempre com um sorriso no rosto. Você que suportou a dor do parto e que no momento que me viu, disse que já me conhecia e que sabia que seria a mais linda das crianças. Mãe querida te agradeço do fundo do coração por tudo que fizestes e continuas a fazer por mim. Sei que sempre estou nas tuas orações.
Você que me ajudou a engatinhar, que me deu a mão para que de pé pudesse dar meu primeiro passo, o segundo, o terceiro e, finalmente, me deixou sozinho para que pudesse caminhar; você que levantou tantas vezes para me amamentar, que me medicou quando a caxumba chegou, que me tratou das dores de garganta e segurou meu primeiro dente, dizendo para colocá-lo embaixo da cama, para que as formiguinhas viessem buscá-lo e deixassem uma barra de chocolate. Você que me deu mamadeira, que me ensinou a andar de bicicleta, que me deu a primeira bola e me encheu de beijos quando chegava com os joelhos sangrando de dor, depois das peladas no campinho. Você que foi mãe mesmo antes de eu nascer, na minha infância, na adolescência, agora e para todo o sempre. Recordo-me certa vez que, em conversa com “papai do céu” antes da minha chegada, ele havia prometido o melhor presente: você. E você sabe que Ele nunca erra.
Diga para o papai não ficar com ciúmes, mesmo porque além do “papai do céu”, se estamos aqui hoje é graças a ele também. Ele também sempre esteve presente nas noites mal dormidas, nas peladas de futebol e no primeiro dia de escola. Graças a ele aprendi a jogar bolinha de gude, a tocar violão, namorar e dirigir. Sabemos que as palmadas foram merecidas e que também ele é o melhor pai do mundo, do jeito que o Fábio Júnior fala na canção: “você foi meu herói meu bandido, hoje é mais muito mais que um amigo, nem você nem ninguém tá sozinho, você [também] faz parte desse caminho, que hoje eu sigo em paz, pai, paz ... “.
Por que será que a gente sempre diz, somente no segundo domingo de maio que “mãe não tem dia, que todos os dias é o Dia das Mães”? Por que será que no segundo domingo de agosto, a gente também diz que “pai é todo o dia”? E vem dia, e passa dia e a gente se esquece de agradecer e comemorar o dia, o dia a dia, todos os dias. É no Dia da Mulher, no Dia dos Namorados, no das crianças, dos Professores. É no dia das almas, o qual, aliás para a maioria, é o único dia de ir ao cemitério, de vassourar, de mangueirar e tirar as ervas daninhas e finalmente depositar aquele lindo vaso de Crisântemos (o qual pode durar até um mês), para então dar às costas e voltar no próximo ano!
E agora, como diz a maioria chega “Natal”. Será que estamos comemorando-o na sua essência, no seu verdadeiro sentido? Será que ele é lembrado somente para presentear e dizer “da boca pra fora”: “Feliz Natal” e de lambuja “Próspero Ano Novo”? Será que estamos perdendo a razão das comemorações? Será que só presenteamos, no dia do dia? Que abraços só são lembrados nas datas comemorativas?
O Natal vem chegando e é momento de reflexão e não momento de pensar em renovar o guarda-roupa ou trocar de celular. Será que os desejos e promessas só devem ser feitos na noite do Ano novo?
Vamos fazer o seguinte: vamos lembrar, abraçar, beijar, e porque não presentear, todos os dias. Vamos fazer aquela ligação aos nossos pais, mães, padrinhos, amigos, professores e dizer que os amamos. Não vamos esperar mais um ano. Vamos comprar aquela linda rosa vermelha e oferecer às nossas mulheres e maridos e dizer, do fundo do coração – “eu ti amo”. Não vamos deixar para um único dia. Todos os dias são dias para se comemorar. Portanto meus amigos, leitores, editores, professores, meninos e meninas, pai e mãe, lembrem-se “amo vocês”.

Aqui na terrinha é diferente


Dia destes, estava na fila do banco esperando minha vez. Peguei minha senha e sentei pacientemente. Sabia que iria passar uns bons minutos até chegar meu número. Não adianta ter pressa mesmo; todos sabem que o atendimento é do tipo conta-gotas. Aliás, não é só nos bancos; qualquer lugar tem filas. Elas chegam a ser quilométricas e só resta esperar. Já faz parte do dia a dia e da cultura do brasileiro.
Como de costume sempre carrego alguma leitura pra passar o tempo e me atualizar. Naquele dia estava folheando as páginas do “A Notícia” e deu para perceber que o número de acidentes de trânsito envolvendo motocicletas cresce assustadoramente. Bem, o calor lá fora era infernal. Também, ultimamente tem feito dias que dá pra sentir saudades dos meses de inverno.
À minha frente sentaram-se duas pessoas. Enquanto eu fazia calmamente uma varredura pelas manchetes, a conversa começou a chamar minha atenção: estavam falando sobre escola, filhos e professores. Deu para perceber que elas não eram daqui da terrinha. Pelo sotaque, acredito que fossem lá de “Estrama”, capital do estado do “Mariuse” (ME), ao norte do Brasil. A conversa era a respeito das férias escolares que se aproximam. Uma perguntou à outra como estavam as crianças na escola, se iriam passar de ano e se estavam fazendo as tarefas propostas pelos professores. A segunda se indignou. Disse que na semana passada teve de ir à escola reclamar com à diretora, porque a professora estava passando muitas tarefas para seus filhos. Eles não tinham mais tempo para brincar. Quanto a passar de ano, todos iriam passar porque ninguém reprova mais. Pensei comigo: aqui na terrinha é diferente. Os pais sempre sentam com seus filhos e estudam juntos. Aqui na terrinha, os pais tomam a lição e diariamente estão vendo os cadernos dos filhos. Quando há reunião nas escolas os auditórios estão sempre cheios. Os pais são comprometidos e conversam periodicamente com os professores. Afinal, estes profissionais passam várias horas junto a eles. Às vezes, aliás, até mais ainda que os próprios pais. Vejam só a responsabilidade.
A conversa estava muito animada, quando a primeira lembrou que no ano passado, sua filha havia reprovado. Ela foi até a escola e conversou com a direção. Disse que se a filha fosse realmente reprovada, ela tiraria a menina da escola. A diretora disse que a mãe não precisava se preocupar, pois sua filha não reprovaria. A outra mãe complementou: também fui chamada à escola e a diretora disse que não gostaria de ter um índice de reprovação muito alto e que apesar de tudo, sua filha estava passada. As gargalhadas foram em uníssono. Pensei mais uma vez: aqui na terrinha não é assim. Aqui, quando os filhos reprovam, os pais compreendem perfeitamente e até agradecem, pois têm consciência de que o filho merece.
Minha senha já estava quase chegando quando ainda consegui ouvir mais uma: a professora de história havia solicitado como tarefa, que os alunos lessem determinado assunto e escrevessem sobre ele. Porém, seu filho usou do artifício do ctrl-c ctlr-v (o da cola). Consequentemente a professora deu uma nota baixa; foi então chamada pela direção que a obrigou a aceitar o trabalho. Como resultado a própria professora “entregou o chapéu”.
Dizem que lá em “Estrama”, na capital daquele estado (“Mariuse”), ao norte do Brasil, os alunos são mal criados e respondões. Eles não têm limites. Falam todos ao mesmo tempo; brigam todos ao mesmo tempo. Querem responder, todos ao mesmo tempo. Criticam, todos, ao mesmo tempo. Ironicamente, nas reuniões os pais agem da mesma forma. Como se vê, o exemplo vem de casa.
Como está a nossa educação? Onde estão os professores? A cada ano, mais e mais professores deixam a educação por falta de apoio. Muitos trocam de profissão, viram motoristas de ônibus, massoterapeutas, vendedores e, se sentem felizes e mais valorizados. Ainda bem que aqui na terrinha é diferente!

Os Jogos Abertos de Santa Catarina


Quando o conheci ele era um jovem que recém havia completado maioridade; estava então com seus 22 anos. Graças ao seu “pai”, o brusquense Arthur Schlosser, ele se tornou uma referência em termos de esporte no nosso Estado. Sua primeira versão se deu no ano de 1960 e, como não poderia ser diferente, realizado no vale europeu da bela Santa Catarina, em Brusque. E, vejam só, logo será chamado de cinqüentão.
Desde o seu batismo, somente em duas ocasiões as competições não foram realizadas: em 83 e no ano passado, por causa das fortes chuvas que maltrataram Santa Catarina. Neste ano, ele reaparece na cidade de Chapecó, para mais uma vez, dar o ar da sua graça. Mas como está a sua saúde? A motivação dos atletas ainda continua a mesma dos tempos de outrora? E o glamour ainda existe?
Quando cheguei a Joinville, os Jogos Abertos de Santa Catarina (JASCs) eram comparados aos Jogos Olímpicos (os verdadeiros). A cidade respirava esporte. Os jornais publicavam diariamente os dias que faltavam para o início dos próximos Jogos. Assim que acabava uma edição, no dia seguinte se via, estampado nas suas páginas, “Faltam 365 dias para os próximos Jogos Abertos” e assim sucessivamente, em ordem decrescente, até a chegada da tão esperada competição. Entretanto hoje, pelo que se vê, o glamour está em baixa.
O mesmo motivo que me trouxe para Joinville, também me afastou da cidade: a falta de apoio para continuar o projeto Prata da Casa. A proposta era formar atletas, para evitar o chamado “atleta paraqueda”. Não sei a quantas andam essa questão; já faz muito tempo que me afastei do esporte. O paraqueda era aquele que, quando contratado, viajava direto da sua cidade para a sede dos Jogos; competia, fazendo jus à sua obrigação e voltava para casa, sem nem mesmo conhecer, ou ter pisado, na cidade que o havia contratado
Considero ter feito a lição de casa: conquistamos, em 1987, na Ginástica Olímpica, o troféu para Joinville; e somente com Pratas da Casa. Verdadeiros amadores. Praticava-se o esporte amador pela própria acepção da palavra. Entretanto, aos poucos a “gurizada” foi sendo obrigada a deixar a prática esportiva, pois tinham que começar a trabalhar. Foi aí que me ausentei durante seis anos.
Na volta, uma das primeiras coisas que fiz, foi visitar o Ginásio Mário Timm, palco de várias vitórias. Para surpresa, encontrei praticamente os mesmos aparelhos utilizados e, o que mais me chamou atenção foi a mesma goteira, no mesmo lugar. Fiquei triste obviamente.
Esporte amador foi e sempre será difícil de se praticar. O profissional “já patina” atrás de patrocínio, imaginem o amador. Ele é caro, exige dedicação, tempo, preparo, doação. Sua concepção mudou muito. Se não houver o propósito de se fazer um trabalho a longo prazo, não se consegue resultados. Hoje, sem patrocínio, é difícil. Para se ter uma elite representativa em termos de resultado, há de se trabalhar também a base. Será que os governantes estão pensando em termos de futuro para o Rio 2016, por exemplo? Caso não tenham começado, já é tarde, pois faltam apenas sete anos e não se faz um atleta de elite em tão pouco tempo. Uma Daiane dos Santos não aparece da noite para o dia. Quais as estratégias que estão sendo traçadas, para aglutinar esforços, para direcionar investimentos e se obter resultados positivos no esporte? Tenham certeza que se não fosse o “paitrocínio” muitos atletas não estariam viajando para representar nosso estado e nosso país.
Vamos pensar em dar maiores e melhores condições aos jovens para que possam se desenvolver como atletas e como pessoas. Uma criança que pratica esporte durante o dia, não tem tempo para pensar em drogas. Nem todos se tornarão atletas de competição, evidentemente, mas podem surgir grandes dirigentes, incentivadores e amantes de uma vida saudável. Amanhã, a cidade de Chapecó inicia a 49ª jornada dos JASCs. Boa sorte, sucesso. Que vença o esporte.

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Chega de preconceito.


Neste início de terceiro milênio, onde a informação é disseminada com a ajuda de um “clique no mouse”, não há mais espaço para o preconceito; isto é coisa do tempo das cavernas. Naquela época, o homem saía em busca do sustento da tribo e, na volta, entregava a presa para que “ela” preparasse seu alimento. “Ela”, por sua vez, corria para a fogueira a fim de manusear aquele delicioso javali, bem ou mal passado. A história da mulher pilotar o fogão é milenar. Ela passava a maior parte do tempo no seu habitat, também, devido à sua força física, a qual indiscutivelmente é inferior a dele, além do ônus de cuidar da prole.Hoje em dia, isso não cabe mais, salvo os machões de plantão – aqueles que ainda estão na ilusão de que o lugar de mulher é na cozinha. Estes, sim, ainda estão na época das cavernas.O “tremendão”, o Erasmo, na sua canção “Mulher”: “Dizem que a mulher é o sexo frágil, mas que mentira absurda...”. Para ele, após um longo dia de trabalho (como o homem das cavernas), espera que ao chegar em casa, tenha a atenção total; porém, continua ele, um reclama “o seu peito, o outro reclama a sua mão”. Dependentes e carentes somos nós, que dependemos da força delas. E que força! Diz o chavão popular: “Atrás de um grande homem, sempre existe uma grande mulher” e o ditado contemporâneo complementa que é “para empurrá-lo”. “Na escola em que você foi ensinada, jamais tirei um dez, sou forte mas não chego aos seus pés”, complementa o poeta, nesta já consagrada canção.A mulher de hoje é administradora, corretora, negociadora. Ela é artista, dentista, motorista. Há algumas décadas, uma mulher no volante era motivo de chacota; quando se via uma batida de veículos, onde um dos motoristas era do dito sexo frágil, sempre se ouvia: “Só podia ser mulher mesmo”.Hoje, as mulheres no trânsito são motivo de respeito. Elas são muito mais conscientes e precavidas que os machões de plantão. Eles, por sua vez, quando estão de posse de um volante, se acham super-heróis; puros pilotos de Fórmula 1. O Departamento Nacional de Trânsito apresentou dados de uma pesquisa, feita entre 2004 e 2007, que constatou que apenas 11% dos “motoristas envolvidos em acidentes de trânsito com vítimas eram mulheres”.Atualmente, existem centenas delas em transportes escolares, em táxis, em ônibus e até caminhões. Fico imaginando as crianças, antes e após o horário escolar, sendo transportadas por elas. Para aguentar o falatório, só mesmo uma mulher: paciente, com seu extinto materno. Têm-se notícias que passageiros, após adentrarem em táxis, percebendo que “o” motorista era na verdade “a” motorista, desceram, dizendo que iriam pegar um táxi, dirigido por homem. Triste, mas é verdade.Percebe-se aqui, nas ruas da Manchester Catarinense, que mais e mais mulheres estão sendo responsáveis por centenas de passageiros, por meio das suas manobras e, diga-se de passagem, com muito respeito. Como diz a nossa Carta Magna: “Homens e mulheres são iguais em direitos ...”. Antigamente, os anúncios de trabalho diziam: admitimos motoristas do sexo masculino, ou, vaga masculina para almoxarifado. Graças à diminuição do preconceito, erros como estes estão se exaurindo.Finalmente, agora são as BRs que estão ganhando um pouco mais de batom e blush no volante. Assim como Bino e Pedro, personagens da série “Carga Pesada”, da Rede Globo, protagonizada por Stênio Garcia e Antônio Fagundes, mais mulheres estão se aventurando e abraçando como profissão este novo nicho de mercado. Parece ainda que os donos das estradas seguram um certo preconceito. Elas ainda sofrem. Ainda se ouve que, “a mulher deve colocar a barriga no fogão e não no caminhão”. Sabe-se que, no fundo, lá dentro do ego, eles sentem orgulho. Portanto, meninas, bola para frente. Com vossas presenças, as estradas ficarão certamente muito mais charmosas e seguras.