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terça-feira, 9 de agosto de 2011

Aonde vamos parar?


A semana passada foi uma das mais quentes na história da nossa cidade. O calor foi infernal. As lojas nunca venderam tantos aparelhos para “espantar calor” como nos últimos dias. Os responsáveis pela previsão do tempo estão custando a acertar. Segundo especialistas a temperatura chegaria à casa dos 36ºC. Entretanto sabemos que ela foi muito além; a sensação térmica chegou à casa dos 56ºC. Joinville e seus moradores nunca sofreram tanto como ultimamente. Parece que estamos entrando em uma nova era.
Cientistas estão prevendo, há décadas, que o clima do planeta está mudando, e parece que o ser humano não está dando ouvidos aos seus clamores. Quanto tempo ainda falta para que a população perceba que esta é a nossa única morada e que se não cuidarmos dela correremos o risco da extinção? Qual é a nossa parte neste cenário? Ainda é possível interferir a fim de minimizar esta situação?
As transformações do clima não se dão somente aqui na Cidade dos Príncipes. Elas aparecem também em toda a Bela e Santa Catarina, no Brasil e no mundo. Na mega São Paulo, por exemplo, manchetes de jornais da semana passada mostraram fotos da capital, que mais parecia o terremoto que assolou o Haiti, em janeiro. Se não fossem os prédios ao fundo, intactos, daria para se afirmar que era o país caribenho. Lama por todo o lado, asfalto completamente destruído, árvores caídas sobre o passeio e automóveis e pessoas sendo levadas pelas correntezas.
É, a natureza está dando o ar da sua graça. Ela está dando o ar, o calor, a chuva, a neve da sua graça. Na Europa, na Ásia e nos Estados Unidos é a neve que chega com uma proporção inversa ao nosso calor. Assim como tomamos seu espaço, ela vem com mais força e leva quem estiver pela frente.
Quando cheguei a Joinville, no início da década de 80, chovia todo o santo dia. São Pedro, literalmente, não dava trégua. Era de segunda a sexta, finais de semanas e feriados, sem exceção. Diziam que se você estivesse dirigindo pela BR 101, no sentido Norte, Joinville era a primeira chuva à direita; caso você estivesse descendo a BR, era a primeira chuva à esquerda. Minhas duas primeiras semanas foram de chuva e céu fechado; sem nenhuma trégua – fiquei assustado. Somente então, deu para ver o azul do céu. As estações do ano eram bem definidas: na primavera tínhamos a chegada das flores; no verão um calor suportável (não como esse de agora); no outono, caíam as folhas das árvores; e, o inverno vinha com seu frio úmido de lascar. Eram casacos, luvas e até pijama por debaixo das calças. Tínhamos as quatro estações bem definidas.
Hoje, após uma década deste terceiro milênio, não podemos mais afirmar quando inicia e quando termina tal e tal estação do ano. É veranico de maio e invernico de dezembro. Comecei até a quebrar alguns preconceitos. Achava que ar condicionado em carro era luxo e coisa de magnata. Parece que não é bem assim. Estou trocando meus conceitos. No carro e em certos ambientes, ar condicionado é condição de bem-estar, de qualidade de vida, melhora a produtividade.
Ainda é possível minimizar os efeitos “vingativos” da natureza. Digo vingativos, porque tiramos dela e não estamos repondo. E ela tem todo o direito. Devemos cuidar do meio ambiente como se fosse nosso próprio corpo. Afinal de contas, escovamos nossos dentes, tomamos banho etc. para nos sentirmos asseados. E quanto ao nosso planeta, quem está fazendo a sua parte? Quem está reciclando? Quem está fazendo a coleta seletiva: sacos plásticos, vidros, papel? O velho e poluído Rio Cachoeira que nos diga. Hoje é possível encontrar de tudo, desde cama, geladeira, pneus; já vi até um capacete de motociclista. Uma frase que marcou na semana passada foi a da Senadora Marina Silva: “o cuidado com o meio ambiente começa no quintal da nossa casa”. Realmente. Se cada um de nós fizer a sua parte, poderemos minimizar os devastadores efeitos que a natureza vem nos mostrando, pois se não cuidarmos desta nossa morada, não sei “aonde vamos parar”!

Dar ou não dar esmolas? Eis a questão


Por mais campanhas que se façam, o número de pedintes e esmoleiros persiste, dando até a impressão que aumenta aqui na Manchester Catarinense, na nossa bela e Santa Catarina e, porque não dizer, também, no Brasil. São realizadas campanhas com o intuito de diminuir, quiçá erradicá-la, porém parece que os esforços são em vão. A cada dia o número de esmoleiros e pedintes aumenta. São crianças, jovens, adolescentes, homens e mulheres maduras, até velhos, perambulando pelas ruas, fazendo deste meio o seu ganha pão – antes fosse para o pão e o leite. Todavia, como se sabe, na maioria das vezes, é para o consumo de drogas: crack e álcool principalmente. Será que existe alguma forma de combater este mal? De que forma a sociedade pode contribuir para combater este “vicio”?
Aqui em Joinville esta questão passa pelas mãos da Secretaria de Assistência Social, a qual já apresentou pesquisa de opinião sobre “o ato de dar esmolas”, do Programa Porto Seguro. De posse dela, os dados que mais chamam atenção são: “dos adultos, 56,2% não têm conhecimento de nenhum programa social; 82,5% afirmam que o ato de dar esmolas é negativo; 61,3% afirmam que quem recebe esmolas se acostuma a pedi-las; 21,1% afirmam que dar esmolas não ajuda a pessoa que as recebe. Apesar da consciência que possuem acerca da negatividade, eles ainda costumam dar esmolas. Existe uma tendência dos adultos, acima de 55 anos, em dar esmolas, entretanto a mesma tendência entre os jovens é menor. Com relação à escolaridade, os pós-graduados costumam dar menos esmolas – são 45,9%. Finalizando, 82% dos adultos entrevistados costumam dar esmolas por caridade, independentemente da idade, do grau de escolaridade ou sexo”. Percebe-se que a questão é bem controversa.
Uma das ações da Secretaria de Assistência Social é a divulgação em semáforos, de placas com o conhecido dizer: “Não dê esmola. Ajude de verdade”, além do telefone de contato. Já liguei avisando que havia um esmoleiro, em um determinado cruzamento da cidade, tentando fazer a minha parte. No dia seguinte notei que ele estava no mesmo lugar, no mesmo “ponto”. Tornei a ligar e a atendente me disse que eles o recolheram e, além de lhe dar uma cesta básica o interrogaram. Ele disse que ganha mais dinheiro num só dia, do que o valor da tal cesta básica. Como se vê não é só problema de falta de trabalho ou coisa assim; é malandragem mesmo. Até outdoors já foram colocados nas ruas para sensibilizar a população. Esforços estão sendo feitos, portanto. Lembro-me agora, quando estudava no Colégio Dom Bosco, em Porto Alegre. Certo dia, disse o Padre Conselheiro, um homem pediu um prato de comida. Ele não se negou a dar, porém disse que da próxima vez, ele teria que roçar o gramado da escola. Adivinhem se ele voltou?
O binômio “educação e trabalho” parece ser uma das soluções. A educação sendo disseminada nas escolas (poderia até ser tema em um dos bimestres escolares) despertaria a consciência de que realmente o ato de dar esmolas vicia e incita ao pedinte de voltar às ruas. A esmola é como um combustível, ou seja, enquanto se continuar com a prática, haverá pedintes estendendo suas mãos.
Um programa de trabalho, para estas pessoas parece ser uma das soluções. Ensinar-lhes o ofício da jardinagem, de fazer pão, de cortar cabelo, até mesmo a construção civil, contribuiria para a diminuição da indústria da esmola, profissionalizando-os. Entretanto, parece é que é mais fácil “não fazer nada” recebendo, do que trabalhar de “sol a sol” para conseguir algum trocado.
Por mais campanhas que se façam, a conscientização pessoal, da população como um todo, é que fará a diferença e a diminuição da “esmolagem”. Quando todos, sem exceção, toda a população parar, literalmente de dar moedinhas e troquinhos, especialmente nos semáforos, eles serão obrigados a procurar alguma colocação no mercado de trabalho. Claro que muitos dirão que o crime aumentará. Como se vê uma coisa incita outra. Algo deve ser feito, senão continuaremos a andar em círculos.

O Programa Começar de Novo


Atualmente vem sendo veiculado nas emissoras de televisão e rádio o Programa Começar de Novo, do Conselho Nacional de Justiça, o qual tem como objetivos principais a “reinserção social e no mercado de trabalho dos presos libertados após o cumprimento de penas, além da redução do preconceito aos ex-presidiários”. No comercial é possível ver um ex-detento em uma encruzilhada, onde existe uma placa indicando duas vias: uma leva ao “trabalho” e a outra leva de “volta ao crime”. O mote final é: “errar é humano. Ajudar quem errou é mais humano ainda”.
Parece que é uma ótima ideia, desde que as penitenciárias tenham condições de treinar, conscientizar e preparar os presidiários para a vida após a reclusão. Todavia, antes, é preciso capacitar o sistema prisional. É preciso dar condições e segurança a quem trabalha nele e, parcerias, muitas parcerias para realmente fazer daquele lugar, um lugar de reflexão e não um depósito de infratores.
Os presídios, não só atualmente, como há décadas, estão cheios, transbordando, diria até que “saindo pelo gargalo” e a contravenção só aumenta. Será que é possível “tentar” reverter esta situação? Quais seriam as possíveis ações governamentais e da sociedade, para que realmente se consiga reverter esta situação? Acho que a resposta pode ser encontrada em dois vieses: no trabalho e na educação.
Em primeiro lugar, eles deveriam trabalhar para o seu próprio sustento, pagando desta forma a luz, a água, a comida, assistência médica etc. que consomem. Este ônus não pode ser da sociedade. Parece utopia, mas para comer eles receberiam sementes, para plantar e colher, animais para tirar o leite etc. Hoje em dia eles recebem tudo, de “mãos beijadas”, e não dão valor. E, em muitos casos, seus dependentes podem até receber o Auxílio Reclusão que é de R$ 798,30, para não fazer nada, enquanto o salário mínimo, para o trabalhador honesto é de R$ 510, para se trabalhar um mês, honestamente diga-se de passagem.
Em segundo lugar, educação para todos, desde os níveis básicos, até o superior. Nas cidades de grande porte, de médio e até mesmo de pequeno porte, que tenham universidades, faculdades ou cursos técnicos, poder-se-ia incentivar a prática de projetos em parceria com essas instituições. Estagiários, das áreas mais afins, estariam na prática, aplicando seus ensinamentos e gerando bons frutos para todos: sociedade, detentos, faculdades. Os da área da educação poderiam dar aula, os da área médica poderiam iniciar suas práticas acadêmicas; a educação a distância também funcionaria muito bem.
Seria um dia em que o trabalho começaria cedo e a noite eles estariam estudando. Desta forma, a cabeça estaria ocupada e o corpo cansado, como qualquer um de nós e, no final do dia, teriam o descanso merecido. Talvez até a ideia de privatizar o sistema carcerário brasileiro, pudesse ser uma solução, do tipo: quem trabalha e produz, teria seu salário, para pagar as suas despesas e, quem não trabalha, não comeria. Quem queimasse seu colchão dormiria no chão, quem quebrasse a instituição, teria que reconstruí-la, caso contrário dormiria na chuva, ao relento. Claro que os Direitos Humanos criticariam, dizendo ser desumano; porém, se esquecem que os mesmos cidadãos que eles protegem, roubaram, furtaram, mataram, sequestraram, levando famílias ao desconforto.
Parece utopia, mas creio que deveria ser tentado e não simplesmente deixar o tempo passar. É utopia, também, achar que do jeito que está, o ex-detento estará apto a reiniciar sua vida. Se o governo pretende dar condições de reabilitação, deve fazer algo que surta efeito, caso contrário, na primeira encruzilhada, o caminho pode não ser o “trabalho”, mas provavelmente a “volta ao crime”. Mesmo porque, “errar é humano” e continuar praticando os mesmos princípios carcerários de hoje é continuar errando.

As bodas de casamento


Existem certas convenções que a sociedade estabelece como norma e que as convencionamos. Quando uma empreitada inicia, contamos nos dedos: os minutos, as horas, os dias, as semanas, os meses, os anos, as décadas, os séculos, os milênios. Com o casamento é assim. Naquele exato momento que, na maioria das vezes é realizado numa igreja, existe o tradicional juramento: “juro amar-te na pobreza, na saúde, na doença, na alegria e na tristeza” se estabelece o vínculo entre duas pessoas. Tudo é festa, diversão e alegria. A partir daí a vida é outra. Não se pensa mais sozinho. Os acordos começam a tomar efeito. Um cede de um lado, o outro do outro. O tempo vai passando e os meses são contados desde o “juramento”. Algumas perguntas surgem: quanto tempo dura uma lua de mel? E o amor entre o casal é realmente “até que a morte os separe”? Quanto tempo ele dura?
Cada dia é uma vitória. As bodas são contadas no ciclo dos 365 dias. A primeira é de “papel”, a segunda de “algodão”. Depois vem de “couro”, “seda”, “jade”. Aos dez anos, segundo algumas versões, é a vez de “cristal”. As mais conhecidas são: “prata” para vinte e cinco anos, “ouro” para cinquenta e “diamante” para setenta e cinco. Haja amor para tantos anos.
Lembro de um amigo m(eu), que na sua primeira “boda” levou para casa um “buquê”, com “uma” rosa vermelha. A esposa toda contente com aquela data tão marcante agradeceu e com um sorriso “meia-boca” disse: - Legal. Obrigado. “Só” uma? A resposta foi: - Sim. É só o primeiro ano. Deu então para entender que a cada ano seria acrescida “uma“ rosa vermelha. E até hoje, no dia marcado, na mesma hora, ela as conta, “uma a uma”, para ver se estão todas ali.
Nos primeiros anos é amorzinho, benzinho e queridinha. Com o passar do tempo é amor, bem e querida. Parece que o “zinho” perde espaço para o tempo. Para muitos a lua de mel acaba na porta do novo lar. Para outros ela dura um ou dois meses. Porém, é possível eternizá-la. Já ouvi dizer que ela está durando mais de vinte e seis anos. Acho que um dos segredos, também, é apaixonar-se pela mesma pessoa, como um ciclo em espiral. Muitos creem que é difícil; e é. Entretanto basta comprometimento e, porque não, dedicação. Dedicar-se a si e ao próximo. O amor não tem idade. Pergunte a você mesmo: você casaria com a mesma pessoa, mesmo depois de tantos anos?
Amar é um dos atos mais simples e mais complicados, assim como diz Roberto Carlos na sua canção “Outra vez”. Outros dizem “Que seja eterno enquanto dure este amor”. Existem também aqueles que não passaram pela oficialização, ou seja, pelo crivo da Igreja ou da Justiça, mas que nem por isso perdem o seu valor. Muitos dizem que estão juntos quatro anos, sete anos, mas que ainda não se casaram. Enganam-se. Já estão casados nestes quatro ou sete anos. Perante a lei, o que vale é a união estável.
Muitas bodas vão se apagando. Muitas se acabam por causa da lei da gravidade. O que era “belo” e “firme” perde espaço para o tempo. Uns até trocam uma de quarenta por duas de vinte, ou menos. Cabe a nós entender, aceitar e nos acostumarmos; nem por isso devemos parar de lutar para parecer sempre jovem. É digno de se admirar quando um casal, de idade avantajada, caminha de mãos dadas, como eternos namorados. Quantos anos se passaram desde a primeira boda. Parece que a lua de mel não acabou. E não deve mesmo. Devemos vivê-la eternamente, independentemente do tempo, ou da ação da gravidade.
Os buquês e flores também devem ser presenteados sempre, sem detrimento da data. Não precisamos esperar o ciclo dos trezentos e sessenta e cinco dias para lembrar de comprá-los. A surpresa, aliás, é também um dos maiores presentes. Pode até mesmo ser aquela colhida no quintal de casa, ou “roubada” do vizinho. O que vale é a intenção. E, a lua de mel pode ser vivida a vida inteira. Basta dedicação, renúncia, doação e não viver a vida do outro. Vamos viver e comemorar cada boda com muito prazer e orgulho, afinal de contas, nascemos para amar e sermos amados.

E você tem algum apelido?


Apelidos servem para identificar pessoas ou lugares. Quem de nós já não teve algum? Quem de nós, em determinado momento de nossa vida, já não foi chamado, ou apelidado, independentemente da nossa vontade? Muitos se sentem lisonjeados, se sentem até homenageados, entretanto outros nem tanto e, muito pelo contrário: viram verdadeiras feras. Por exemplo: quando alguém está dirigindo muito devagar é chamado de Barrichello; quando é um “ás no volante” é comparado ao alemão, sete vezes campeão da Fórmula 1, Michael Schumacher, ou simplesmente o “Schumy”. O outro Michael, o rei do pop, também tinha seu apelido. Na América ele era chamado de Waco.
Na língua espanhola a palavra “apelido” significa sobrenome. Em inglês apelido é nickname, ou simplesmente nick, termo muito utilizado para se falar nos sites de relacionamento; todos têm o seu nick.
Há quase um ano o “gordo dos domingos”, o da tela da TV Globo, apresentou uma engraçada matéria. Nela, existe uma cidade no estado das Minas Gerais, chamada Cláudio, na qual todos os habitantes têm o seu apelido. “O curioso é que se não colocar o apelido no anúncio de falecimento das pessoas, não aparece ninguém nos enterros”.
Existem apelidos que se transformam em nomes. Vocês conhecem o José de Lima Sobrinho e o Durval de Lima? São os famosos Chitãozinho e Xororó. E o José Luís e o Emival Eterno? Viraram o saudoso Leandro e o seu irmão Leonardo.
Comecei então a lembrar dos amigos, familiares e suas respectivas alcunhas. Os mais comuns, ou seja, aqueles que são de fácil identificação: “Alex” de Alexandre, “Beto”, de Alberto ou Roberto, “Dudu”, de Eduardo, “Carol” de Carolina. Existem aqueles onde utilizamos o diminutivo ou aumentativo: “Toninho”, “Jairão”, “Paulinha”, “Cabeção”. A Elenita é a “Leni” e o Leandro é o “Lê”. E, acreditem se quiser, na minha família, até hoje meus tios me chamam de “Alfredinho”.
Tem aqueles que nunca gostaram dos seus. Um deles era o “Gão”. É que ele era muito medroso e o apelido pegou desde o primeiro momento. O “Molinha” é porque seus cabelos eram encaracolados. Outro amigo, ao fazer um exercício de ginástica saiu correndo e gritando - Sou fabuloso, sou fabuloso; virou “Fabu”. Até hoje não sei o seu nome verdadeiro.
Para alguns o apelido é como uma marca registrada. Certa vez estava eu na cidade de Araranguá, procurando por um tal de Vivaldo. Ninguém o conhecia. Quando perguntei pelo seu apelido - “Caveira” foi mais fácil: - Ah, o Caveira. Fui direcionado à sua casa sem dificuldades. E olha que ele morava lá a mais de trinta anos. Seu apelido se originou na época em que ele cavava buracos, no Morro dos Conventos, e encontrou algumas caveiras. Quando as trouxe para a cidade, exibindo-as aos amigos, o apelido pegou na hora (saudoso “Caveira”, que Deus o tenha).
Fiquei sabendo que é possível alguém trocar de nome, desde que haja motivo real. É a Lei 6.015/73, no seu artigo 56. Após atingir a maioridade, basta ir a um cartório e solicitar a mudança ou acréscimo, do apelido ao nome. A Lei permite em casos como: se a pessoa for testemunha em algum processo criminal e precisa se manter em absoluto sigilo, para resguardar sua identidade; ou, se o nome causa constrangimento, expondo-se ao ridículo (neste caso basta acessar a internet para obter alguns nomes hilários). Conheci um que se chamava João Pinto da Costa Neto. “Joãozinho”, entretanto, nunca se incomodou com seu nome. Também, em casos de correção gráfica; ou, quando o nome é muito comum (quantos João da Silva existem em Joinville, em Santa Catarina, no Brasil e no mundo?); ou, se o apelido for muito conhecido, acrescentando-o ao nome. A lista dos famosos é longa. O “barbudo” foi batizado Luiz Inácio da Silva e virou Luiz Inácio “Lula” da Silva. A Rainha dos Baixinhos também teve seu apelido acrescido ao seu nome; hoje ela se chama Maria da Graça “Xuxa” Meneghel. E o Atleta do Século 20, o Pelé. Será que alguém, em sã consciência, o chamaria pelo seu nome: bom dia senhor Édson Arantes do Nascimento?
E você, tem algum apelido?

Carlos Drummond "brasileiro" de Andrade


Parece que o nosso poeta Drummond nasceu para estar sempre sob os olhares das câmeras; agora mais do que nunca. Capas de jornais e revistas comentam que sua estátua, inaugurada quinze anos após sua morte, foi pela oitava vez, vejam só, oitava vez, depredada por vândalos inconsequentes. Mas quem foi este poeta? Qual o seu legado? Por que tanta falta de consideração e desprezo?
Carlos Drummond “brasileiro” de Andrade (o complemento é por minha conta) é mineiro e nasceu na virada do século passado. Formou-se farmacêutico por insistência familiar para que obtivesse diploma universitário, porém nunca exerceu a profissão alegando “preservar a saúde dos outros”. Sua veia literária sempre esteve muito pulsante. Trabalhou em vários jornais no Rio e Minas, tendo sido inclusive chefe de gabinete de um dos ministros da República.
Foi poeta em prosa e verso, cronista e escritor. Além de traduzir francês e espanhol, teve suas obras transcritas, entre tantos idiomas, desde os considerados comuns, como o espanhol, o inglês, o italiano, o alemão, também se encontram textos seus em sueco, tcheco, búlgaro, chinês (do Sr. Hu Jintao) e, até, a considerada “língua morta”, a qual nunca deixará de existir, o Latim, com “Carmina drummondiana”.
Suas idas e vindas para a Argentina foram intensas; sua filha casara-se com um “irmano” e como consequência seus netos também nasceram por lá. Ela começou a difundir sua obra no país vizinho e durante sua vida se tornou escritora também.
As homenagens foram tantas que este espaço não as comporta. Entretanto, algumas chamam a atenção: a verde-rosa do Rio, a Casa da Moeda e os Correios. Em 1987 a Escola de Samba Estação Primeira de Mangueira desfilou seu enredo principal sob o nome “No Reino das Palavras”, sendo inclusive a vencedora daquele ano. Diga-se de passagem, homenagem ainda em vida, pois ele veio a falecer em agosto do mesmo ano. Após dois anos foi a vez da Casa da Moeda homenageá-lo emitindo uma nota de 50 cruzeiros com seu retrato, seus versos e uma auto-caricatura. Os Correios e Telégrafos emitiram um selo em sua homenagem. Finalmente, o hoje “mais que centenário” arquiteto Oscar Niemeyer projetou o Museu de Território Caminhos Drummondianos, em Itabira, Minas, cidade Natal do poeta.
Como se vê, ele sempre teve seu nome em destaque, evidenciando seu trabalho, merecidamente diga-se de passagem. Em 2002 foi erguida e inaugurada uma estátua de bronze, em tamanho real na praia de Copacabana, na cidade maravilhosa. O local é ponto turístico obrigatório de quem por lá passa. Nela Drummond está sentado, no seu jeito característico, com pernas cruzadas e seus braços também ao seu longo, pensativo. Não há quem não se sente ao seu lado e dispare um “click” de uma máquina fotográfica como recordação. Pois bem, ou, “pois mal”, já se passaram vários anos desde a sua primeira versão, que, seus óculos vêm sofrendo vandalismo e depredação, chegando a um total de oito. Por serem muito frágeis e vulneráveis, eles foram arrancados e provavelmente tiveram destinos que podem assim ser imaginados: ou, os vândalos os guardem como troféu, nalguma gaveta e sentem o prazer de virar notícia ao serem mencionados, ostentado-o como troféu; ou, são vendidos com o intuito de virar pó ou pedra de crack. Para esses, o prazer de cheirar é maior do que o nosso: de apreciar. E, dizem que o preço pago não passa dos “oito pilas”.
Desta vez espera-se que os ditos vândalos se sintam mais intimidados e a estátua do poeta se mantenha preservada. A Companhia de Engenharia de Tráfego do Rio estará monitorando Drummond vinte e quatro horas do dia, com os olhos de uma câmera especialmente direcionada para ele. Como o próprio poeta escreveu num dos seus mais conhecidos versos: “no meio do caminho tinha uma pedra, tinha uma pedra no meio do caminho ... nunca me esquecerei desse acontecimento, na vida de minhas retinas tão fatigadas ...”. Desta vez, então, teremos “uma câmera no meio do caminho”. Esperamos que o velho Drummond tenha o descanso merecido.

Adeus, ano velho


Mais uma vez cá estamos: “Adeus ano velho, feliz ano novo, que tudo se realize ... “. O ritmo é de valsa. A contagem é regressiva. Todos estarão de olhos bem abertos, voltados ao ponteiro dos segundos, o qual correrá da esquerda para a direita: “... cinco, quatro, três, dois, um”. Fogos de artifício riscam a noite escura, subindo e se armando como arcos. É verde, é vermelho, azul, brilhante. Champanhes explodem. Espumantes enchem taças. Abraços, beijos, risos. Votos de saúde, paz, amor. É o ritual de Ano Novo. As esperanças se renovam. As promessas são reconsideradas. Serão 365 novas tentativas de parar de fumar, de começar aquele regime, ou recomeçá-lo. Planos para ginástica, para aquela corrida, para entrar em forma, e para se dedicar mais aos estudos.
Todo ano é assim e não vai mudar. Pelo menos aqui neste cantinho do mundo, e em todo o Brasil. É a nossa cultura. O ser humano é movido por sonhos. Muitos se realizam no decorrer da vida. Outros não. A esperança de é que um dia, eles se realizem. Nem que seja numa próxima vida, para o nosso próprio crescimento espiritual.
Foi um ano como outro qualquer, só que alguns fatos marcam mais que outros. No mundo alguns nos deixaram; como o rei do pop, Michael Jackson. Entretanto, sua voz não se calou. Independentemente do seu criticado estilo de vida, sua música estará sempre viva, já que os clássicos não morrem; eles só nos deixam. Sócrates, por exemplo, continua “vivinho da silva”, depois de ter nos deixado, com seus ensinamentos. A eleição do primeiro presidente americano negro, o qual diga-se de passagem, ironicamente recebeu o Prêmio Nobel da Paz, mesmo pregando que “o uso da força não é apenas necessário como também moralmente justificável”. Puro antagonismo. A crise econômica mundial afetou todos os países, apesar do nosso presidente ter afirmado que aqui no Brasil ela seria uma “marolinha”. E parece que foi. A indústria brasileira está produzindo mais do que nunca. Altos índices de produção são divulgados, com números invejáveis mundo afora. Nunca se vendeu, e se comprou tantos carros, motos etc. como ultimamente. Na construção civil as paredes não param de subir. É cimento e reboco para todos os lados. Parece que o barbudo e ex-sindicalista tinha razão.
Não podemos nos esquecer também das várias pizzas comidas no Congresso e no Senado. Aliás, ultimamente parece que o cardápio mudou: são panetones agora. Pouca (ou nenhuma) vergonha. O MST destruiu uma plantação de, nada mais, nada menos, sete mil pés de laranjas. E não foi a primeira do ano. Cenas chocantes de destruição das “nossas” riquezas e do trabalho de vários meses dos agricultores. Um verdadeiro crime contra o país. E chamaram de “manifestações sociais”. Bando de “desprovidos de inteligência”.
Aqui na Manchester temos a volta do JEC no cenário nacional, após a conquista da Copa Santa Catarina. Nosso “coelho” estará representando o estado na Série D. Pelo menos marcará um recomeço e esperança de dias melhores; esperamos que “de séries melhores também”. Brigas políticas sempre as teremos; fazem parte da história. Quem ganha reclama das condições encontradas; quem perde diz que deixou um ótimo legado.
Mas afinal, o que se pode esperar a partir da noite de amanhã? Quais serão as novas promessas? Como diz a canção inicial: “... muito dinheiro no bolso, saúde pra dar e vender”. Dinheiro no bolso é essencial e ele traz felicidade, sim. Não adianta os moralistas dizer que “dinheiro não é tudo e não traz felicidade”. Ele traz; e muita. Desde que possa ser usado com consciência e de forma igualitária. Mas, acima de tudo, o que se quer mesmo é muita saúde. É por ela que devemos clamar: saúde, saúde, saúde... Que todos nós a tenhamos, para conseguirmos por em prática todos os nossos sonhos. Que a tenhamos, em número, em grau e gênero o suficiente para crescermos como seres humanos e contribuirmos de alguma forma para com nossos semelhantes. Que Deus nos cubra com Suas bênçãos, para que possamos dar conta dos nossos empreendimentos em 2010.