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terça-feira, 9 de agosto de 2011

A Joinville de todos nós


Parabéns a você protagonista destes 159 anos, Manchester Catarinense. Aquela que mais ICMS produz, contribuindo para o engrandecimento da bela e Santa Catarina; aquela que possui a maior população do estado e que em virtude da fama, incentivou a chegada de brasileiros de todos os estados, de todos os rincões. São gaúchos, paranaenses, paulistas e paraenses; já conheci até gente de Roraima, tornando-se uma cidade multiestadual. Pode-se ir mais longe: nas tuas terras já chegaram noruegueses, suíços e é claro, alemães. Hoje em dia até se percebe olhinhos puxados nas tuas ruas e universidades. Tu és na verdade multinacional. Mas além de pacata e tranquila também já passastes a ter um dos maiores índices de criminalidade e roubo do estado. Não é raro, em conversas informais, a lembrança dos tempos que se dormia com as janelas abertas, sem se preocupar com o movimento daqueles frequentadores indesejáveis. Crescestes tanto que hoje em dia somos nós que estamos prisioneiros, dentro das nossas casas. Somos reféns de nós mesmos. São grades nas janelas, alarme nas casas, cães e até guarda-noturno. Já não és tão pacata assim; é o preço que se paga pela fama e por teu engrandecimento.
Nesta data querida as tuas ruas não são tão limpas como antigamente; um antigamente não tão distante. Parece que estás sendo vencida pela sujeira e pelos buracos. Tenho minhas dúvidas se ainda podemos te alcunhar de Cidade das Flores. Conheço algumas, não muito distantes daqui, que mereceriam o teu título – infelizmente para nós. Até aquela que é o teu maior cartão postal, a rua das Palmeiras, clama por socorro. Cheira-se cola, fuma-se maconha e o crack rola em plena luz do dia. Camisinhas e seringas já fazem parte do teu dia a dia. Autoridades, por favor, usem o poder e a responsabilidade que lhes foram creditados para não deixar a Alameda Brüstlein sucumbir e virar um lixo a céu aberto. E por falar nas tuas ruas, por favor, Executivo, trabalhe para diminuir os buracos que a cada dia aumentam em proporções exponenciais. Antigamente se dizia que havia buracos nas ruas; hoje existem ruas nos buracos. O número é tão grande que temos que fazer verdadeiros malabarismos no volante para não danificar nossos pés de borracha.
Muitas felicidades é como todas as tuas irmãs te saúdam. Em pouco mais de duas décadas ganhastes prédios altos, shoppings, indústrias. Antigamente, doces eram saboreados na Confeitaria Dietrich, pães e cucas na Brunkow, casais de namorados se encontravam no Gato Preto. Quando se procuravam brinquedos educativos o nome certo era a Pica-pau, a ferragem no Fernando Tilp, salada de frutas na Confeitaria Polar. O restaurante da hora era o Klug’s e os secos e molhados no Alfredo Boehm. Agora temos a Via Gastronômica, além de restaurantes de todos os tipos e “nacionalidades”. Tuas ruas hoje já lembram uma pequena São Paulo, com grandes congestionamentos nas horas do rush. De pacata cidadezinha interiorana, já és cidade grande, com seus (calcula-se) quase seiscentos mil habitantes. A continuar assim teremos que pensar no rodízio de carros e até quem sabe pedágio nas ruas centrais.
Muitos anos de vida lhe desejamos, pois a cada 9 de março, quem ganha presentes somos nós. Entretanto, também acho que das Bicicletas estás deixando de ser. Hoje são tantas motos e scooters a circular, que as magrelas estão encostadas nas garagens. Antigamente eram milhares delas deixando os diversos turnos da Fundição Tupy. Hoje são os ônibus que transportam os operários. E, para finalizar, teus filhos nascem às pencas: são mais de trinta diariamente, nos diversos hospitais e na Darci Vargas. É tão grande este número que a proporção é de uma sala de aula por dia. Vamos então nos preparar para o futuro. Então Joinville, mais uma vez aqui, cantemos: parabéns a você, nesta data querida, muitas felicidades, muitos anos de vida.

O Cristo tem dono?


Todo ano, como de costume, as campanhas da fraternidade apresentam um tema norteador aos seus trabalhos. A da virada do milênio foi “Dignidade humana e paz”. No ano seguinte, “Vida sim, droga não”. Já se trataram dos mais variados temas, como “Os povos indígenas”, “Água, fonte de vida”, a “Amazônia”, a “Defesa da vida” e, neste ano, o tema é “Economia e vida” e traz como mote as palavras de Mateus: “Ninguém pode servir a dois senhores; porque ou há de odiar a um e amar o outro, ou há de dedicar-se a um e desprezar o outro. Não podeis servir a Deus e às riquezas” (6:24).
No início de fevereiro, o papa Bento 16 fez um pronunciamento sobre a Campanha da Fraternidade Ecumênica de 2010. Nele, o representante maior da Igreja Católica na atualidade, o sucessor do carismático e inesquecível João Paulo II, manifesta (resumidamente aqui) que “deseja sucesso às igrejas e comunidades eclesiásticas no Brasil que, este ano, decidiram unir esforços para reconciliar as pessoas com Deus, ajudando-lhes a libertarem-se da escravidão do dinheiro”. E que, como lembra a Campanha da Fraternidade Ecumênica de 2010 – citando palavras de Jesus – “vocês não podem servir a Deus e ao dinheiro’. Alegrando-me com tal propósito de conversão, recordo que a escravidão ao dinheiro e a injustiça ‘têm origem no coração do homem, onde se encontram os germes de uma misteriosa convivência com o mal”.
Entende-se que o objetivo seja ir contra os lucros abusivos, contra o capital especulativo, contra a luta desenfreada pelo “faz me rir” e a força do consumismo. Entretanto, não há como fugir. Estamos todos no mesmo barco e para fazê-lo navegar precisamos de combustível, pois sem ele o barco não anda. Fica à deriva e não se chega a lugar algum.
Será que dinheiro traz felicidade? É possível servir ao Senhor sem pensar em money? Por acaso, campanhas são divulgadas sem que haja verbas investidas?
Por mais que “não se queira dizer”, dinheiro traz felicidade, sim. E muita! Afinal, quem vive sem ele? O que se condena é a corrida desenfreada em detrimento do bem-estar da comunidade, ou a gula de alguns por uma conta bancária gorda, muitas vezes até fora do País.
Ironicamente ao tema da campanha 2010, vem a público a Igreja Católica, mais precisamente a Arquidiocese do Rio, solicitar uma indenização pela veiculação da imagem do Cristo Redentor no filme “2012”. O filme, diga-se de passagem, é uma porcaria, me perdoem os cinéfilos. Nele, o Cristo é destruído por uma catástrofe que inunda as grandes cidades e o quebra em pedaços. Pois bem, os representantes de Pedro no Brasil estão pedindo uma indenização pelo uso indevido da imagem da estátua. De acordo com os noticiários, está havendo uma “negociação amigável”, uma pseudoindenização. Quem será que vai ganhar esta batalha? A Igreja ou a distribuidora do filme? A quem pertence Cristo?
De acordo com a assessoria de imprensa da Arquidiocese do Rio de Janeiro, o Cristo Redentor é de propriedade dela e o órgão teria que pagar uma indenização. São tantas as perguntas que não querem calar, tais como: onde entra Deus nesta negociação? Será que Ele ajudará a arquidiocese ou a Columbia Pictures? De qual lado a Justiça ficará? Ou ela ajuda a um ou a outro, mesmo porque, nas palavras de Mateus: “Ninguém pode servir a dois senhores... ou há de odiar um e amar o outro, ou há de dedicar-se a um e desprezar o outro”.
A estátua do Cristo Redentor é da humanidade. Em 7/7/2007, foi divulgado o resultado de uma votação internacional, a qual tinha como objetivo listar as sete maravilhas do mundo moderno, e o nosso Cristo foi escolhido, entre outros. Mesmo que tenha sido uma escolha extraoficial, já que o concurso não contou com o aval da Unesco nem das Nações Unidas, sabemos que o Cristo pertence à humanidade. Ele é de todos. Ele é nosso. Se alguém deve algo somos nós, pela sua beleza e bênção, com seus braços abertos, orando e nos protegendo.

Qual é o preço da infelicidade?


O noticiário esportivo da semana passada se misturou ao dos escândalos conjugais. Câmeras e holofotes mirados para o maior jogador de golfe de todos os tempos, o americano Tiger Woods e sua ex-esposa, a modelo sueca Elin Nordegreen, filha da uma ex-ministra e de um rádio-jornalista no seu país. Ele chegou a fazer um pronunciamento público, pedindo desculpas aos seus amigos e fãs pelo affair com uma mulher fora do seu casamento.
Woods, só para nós brasileiros entendermos, pode ser considerado o “Pelé do golfe", em termos de habilidade e talento no seu esporte. Suas marcas são incríveis: venceu mais títulos do que qualquer outro golfista no mundo. É o desportista que sustenta o recorde de “número 1” por aproximadamente 10 anos. E pasmem, foi o primeiro atleta no mundo que atingiu a marca de US 1 bi, isso mesmo, um bilhão, proveniente de prêmios, patrocínios, publicidade etc. Tudo na sua vida sempre foi grande, inclusive o último escândalo.
No seu discurso-depoimento ele confessou que os danos causados foram todos culpa sua, por seu “repetido comportamento irresponsável. O que eu fiz não é aceitável e sou o único culpado. Nunca pensei nas pessoas que estava magoando, somente em mim. Achei que tinha o direito de curtir as tentações da vida. Estava errado”. Disse também que “o que importa na vida não é o que alguém alcança, mas como você supera os desafios. Pais de família costumavam me apontar como modelo para seus filhos. Devo um pedido de desculpas”. Ele termina seu pronunciamento dizendo: “Peço-lhes ajuda. Peço que encontre um lugar nos seus corações para um dia confiar em mim novamente”.
A gota d’água partiu de uma mensagem de voz enviada por ele à “sua amiga”, uma garçonete de vinte e quatro anos chamada Grubbs: “Preciso que você me faça um grande favor. Você pode apagar meu nome do seu telefone? Minha esposa pegou meu telefone e talvez ligue para você. Então, por favor, apague meu nome. Faça isso, rapidamente. Você tem que fazer isso por mim”. Além dessa, “sua amiga” coleciona mais de trezentas; e muitas delas são bem picantes.
Mas afinal, porque traímos? ou melhor, deixe-me consertar a pergunta: porque alguém trai? Qual o incentivo para tal? Quanto custa à infidelidade? Vale à pena correr o risco?
Para muitos, o casamento é um mar de rosas. Para outros, nem tanto assim. Existem seus altos e baixos, como em tudo na nossa vida. É muito bate-papo, um cede de um lado, o outro do outro e assim vai se levando. Entretanto, a infidelidade para alguns, faz parte da própria natureza. Uns traem por vingança, outros por curiosidade. Uns só para “provar um mel diferente”. Outros (ou outras – não sejamos preconceituosos) porque estão longe de casa e acham que não vai dar nada. Pensam que uma só vez, não fará mal. Para uns a carne é fraca. Outros, entretanto, seguram sem maiores problemas.
Quanto ao seu preço? Materialmente falando, depende do bolso. Para nós, simples mortais, a divisão é rápida e simples: uma casa, um carro. Repartem-se os móveis e alguns etcs. e está tudo resolvido. Porém, para as estrelas, a conta é bem maior. Para o jogador americano, que incentivou este debate, os cifrões ultrapassam a casa das vírgulas e dos “zeros”. Apesar de tudo, ele ainda continuará milhonário. Entretanto, tem uma coisa que não tem preço: a desunião da família. Normalmente a infidelidade não pensa nas consequências e os filhos é que pagam a conta. É o capital emocional que não tem preço. Muitas vezes, por ironia do destino, eles até nasceram da própria infidelidade e são os menos culpados; são vítimas.
E, finalmente: o risco paga o prazer? Cada cabeça tem sua própria sentença. Muita infidelidade já praticada ou a ser praticada, ficará enterrada na mente de quem dela fez uso. Ela sempre existiu e não deixará de existir. Para muitos foi um prazer do momento, e foi embora. Mas para os conscientes, deve ser difícil de olhar nos olhos do outro e continuar como se nada tivesse acontecido.

Gastos públicos: nosso rico dinheirinho


Certo dia andando pela rua, algo chamou atenção: um veículo oficial estacionado, com aqueles sinalizadores de segurança superior girando, motor ligado e dois responsáveis a aproximadamente cinquenta metros de distância, destacando aquelas “folhinhas” dos seus conhecidos “bloquinhos”, aos automóveis que estavam estacionados em local proibido. Correto pensei. Regras são regras e foram feitas para serem seguidas. Existem pessoas que insistem em estacionar seus carros em locais proibidos, esquecendo que podem causar acidentes ou mesmo prejuízo ao tráfego. Cá pra nós, os camisas azuis fazem um trabalho perfeito quando estão com suas canetas em movimento. Afinal, estão cumprindo a lei. Mas neste caso, o fato que mais chamou atenção é que este episódio demorou mais de vinte minutos, e o motor do carro continuou ligado durante todo o tempo. Gasto desnecessário do dinheiro público. Do meu dinheiro, do seu dinheiro, do nosso dinheiro, nosso rico dinheirinho, diga-se de passagem, aquele arrecadado por meio dos tributos que depositamos nas nossas compras ou no uso de serviços; vocês sabem – os impostos. Fiquei pensando: como é fácil gastar o dinheiro dos outros.
Por ironia do destino (ou do acaso), duas horas mais tarde, estava em direção ao meu carro, quando me chamou atenção outro veículo. O calor estava infernal e vi um motorista sentado dentro do carro, com todas as janelas fechadas, o motor ligado e o ar condicionado também. Seu banco estava recostado para trás, parecendo tirar uma pestana. Olhei para a placa do carro e não deu outra: era branca – outro veículo oficial, de um município da redondeza. Fiquei indignado. Quando o dinheiro é dos outros, parece que não faz falta. Dinheiro público é fácil de gastar: afinal entra fácil.
Com certeza seus superiores não conseguem saber tudo que se passa fora das quatro paredes, mesmo porque o quadro de funcionários é grande e eles têm confiança que estejam trabalhando para o bem comum da comunidade a qual prestam seus serviços. Sabe-se que a parcela de funcionários inconsequente é uma minoria. Mas infelizmente é esta minoria que atrapalha o bom andamento do serviço público denegrindo-o. São aqueles que não conseguem ver um palmo à frente do seu próprio nariz.
Gastos públicos sempre existiram, porém devem ser banidos e com consequência àqueles que deles exageram. O economista e professor Osmar Arcanjo realizou pesquisa sobre o tema (desperdício no setor público) e constatou que “a esmagadora maioria sabe que deve e pode evitá-lo, mas na prática a história é outra. O desperdício é generalizado, sendo premente uma solução. O setor público tem o dever e obrigação de ser vanguarda neste processo”. Na maioria dos casos (noventa e sete por cento) é possível reduzir gastos, desde os mais simples como energia, água, papel, complementa a pesquisa.
Outro desperdício que não quer calar é o aluguel dos veículos da Câmara de Vereadores de Joinville. Eles totalizam vinte, zerinhos em folha, e estão desfilando pelas ruas, gerando um gasto de R$ 1,3 mil por mês, para um contrato de menos de um ano. Será que não é hora de se começar a pensar numa frota própria de veículos e diminuir os gastos? Qualquer veículo bem cuidado pode ter uma vida útil aumentada, economizando milhares de reais anualmente; dinheiro, aliás, que poderia ser mais bem empregado na Saúde, na Educação, no Saneamento Básico etc. - o tal do nosso rico dinheirinho. Segundo justificativas, é mais barato alugar um veículo do que comprá-lo. Se fosse tão mais econômico assim, será que não seria uma prática comum? A Câmara é uma das poucas que utilizam tal procedimento. Parece que quando o dinheiro não sai do próprio bolso fica mais fácil de abrir a mão. Outra justificativa é que a manutenção custa muito caro. Carro novo não dá manutenção e além do mais a Prefeitura possui mecânicos que poderiam executar tal serviço e com muita propriedade. Vamos pensar, afinal de contas os gastos públicos são feitos com o nosso rico dinheiro.

Aonde vamos parar?


A semana passada foi uma das mais quentes na história da nossa cidade. O calor foi infernal. As lojas nunca venderam tantos aparelhos para “espantar calor” como nos últimos dias. Os responsáveis pela previsão do tempo estão custando a acertar. Segundo especialistas a temperatura chegaria à casa dos 36ºC. Entretanto sabemos que ela foi muito além; a sensação térmica chegou à casa dos 56ºC. Joinville e seus moradores nunca sofreram tanto como ultimamente. Parece que estamos entrando em uma nova era.
Cientistas estão prevendo, há décadas, que o clima do planeta está mudando, e parece que o ser humano não está dando ouvidos aos seus clamores. Quanto tempo ainda falta para que a população perceba que esta é a nossa única morada e que se não cuidarmos dela correremos o risco da extinção? Qual é a nossa parte neste cenário? Ainda é possível interferir a fim de minimizar esta situação?
As transformações do clima não se dão somente aqui na Cidade dos Príncipes. Elas aparecem também em toda a Bela e Santa Catarina, no Brasil e no mundo. Na mega São Paulo, por exemplo, manchetes de jornais da semana passada mostraram fotos da capital, que mais parecia o terremoto que assolou o Haiti, em janeiro. Se não fossem os prédios ao fundo, intactos, daria para se afirmar que era o país caribenho. Lama por todo o lado, asfalto completamente destruído, árvores caídas sobre o passeio e automóveis e pessoas sendo levadas pelas correntezas.
É, a natureza está dando o ar da sua graça. Ela está dando o ar, o calor, a chuva, a neve da sua graça. Na Europa, na Ásia e nos Estados Unidos é a neve que chega com uma proporção inversa ao nosso calor. Assim como tomamos seu espaço, ela vem com mais força e leva quem estiver pela frente.
Quando cheguei a Joinville, no início da década de 80, chovia todo o santo dia. São Pedro, literalmente, não dava trégua. Era de segunda a sexta, finais de semanas e feriados, sem exceção. Diziam que se você estivesse dirigindo pela BR 101, no sentido Norte, Joinville era a primeira chuva à direita; caso você estivesse descendo a BR, era a primeira chuva à esquerda. Minhas duas primeiras semanas foram de chuva e céu fechado; sem nenhuma trégua – fiquei assustado. Somente então, deu para ver o azul do céu. As estações do ano eram bem definidas: na primavera tínhamos a chegada das flores; no verão um calor suportável (não como esse de agora); no outono, caíam as folhas das árvores; e, o inverno vinha com seu frio úmido de lascar. Eram casacos, luvas e até pijama por debaixo das calças. Tínhamos as quatro estações bem definidas.
Hoje, após uma década deste terceiro milênio, não podemos mais afirmar quando inicia e quando termina tal e tal estação do ano. É veranico de maio e invernico de dezembro. Comecei até a quebrar alguns preconceitos. Achava que ar condicionado em carro era luxo e coisa de magnata. Parece que não é bem assim. Estou trocando meus conceitos. No carro e em certos ambientes, ar condicionado é condição de bem-estar, de qualidade de vida, melhora a produtividade.
Ainda é possível minimizar os efeitos “vingativos” da natureza. Digo vingativos, porque tiramos dela e não estamos repondo. E ela tem todo o direito. Devemos cuidar do meio ambiente como se fosse nosso próprio corpo. Afinal de contas, escovamos nossos dentes, tomamos banho etc. para nos sentirmos asseados. E quanto ao nosso planeta, quem está fazendo a sua parte? Quem está reciclando? Quem está fazendo a coleta seletiva: sacos plásticos, vidros, papel? O velho e poluído Rio Cachoeira que nos diga. Hoje é possível encontrar de tudo, desde cama, geladeira, pneus; já vi até um capacete de motociclista. Uma frase que marcou na semana passada foi a da Senadora Marina Silva: “o cuidado com o meio ambiente começa no quintal da nossa casa”. Realmente. Se cada um de nós fizer a sua parte, poderemos minimizar os devastadores efeitos que a natureza vem nos mostrando, pois se não cuidarmos desta nossa morada, não sei “aonde vamos parar”!

Dar ou não dar esmolas? Eis a questão


Por mais campanhas que se façam, o número de pedintes e esmoleiros persiste, dando até a impressão que aumenta aqui na Manchester Catarinense, na nossa bela e Santa Catarina e, porque não dizer, também, no Brasil. São realizadas campanhas com o intuito de diminuir, quiçá erradicá-la, porém parece que os esforços são em vão. A cada dia o número de esmoleiros e pedintes aumenta. São crianças, jovens, adolescentes, homens e mulheres maduras, até velhos, perambulando pelas ruas, fazendo deste meio o seu ganha pão – antes fosse para o pão e o leite. Todavia, como se sabe, na maioria das vezes, é para o consumo de drogas: crack e álcool principalmente. Será que existe alguma forma de combater este mal? De que forma a sociedade pode contribuir para combater este “vicio”?
Aqui em Joinville esta questão passa pelas mãos da Secretaria de Assistência Social, a qual já apresentou pesquisa de opinião sobre “o ato de dar esmolas”, do Programa Porto Seguro. De posse dela, os dados que mais chamam atenção são: “dos adultos, 56,2% não têm conhecimento de nenhum programa social; 82,5% afirmam que o ato de dar esmolas é negativo; 61,3% afirmam que quem recebe esmolas se acostuma a pedi-las; 21,1% afirmam que dar esmolas não ajuda a pessoa que as recebe. Apesar da consciência que possuem acerca da negatividade, eles ainda costumam dar esmolas. Existe uma tendência dos adultos, acima de 55 anos, em dar esmolas, entretanto a mesma tendência entre os jovens é menor. Com relação à escolaridade, os pós-graduados costumam dar menos esmolas – são 45,9%. Finalizando, 82% dos adultos entrevistados costumam dar esmolas por caridade, independentemente da idade, do grau de escolaridade ou sexo”. Percebe-se que a questão é bem controversa.
Uma das ações da Secretaria de Assistência Social é a divulgação em semáforos, de placas com o conhecido dizer: “Não dê esmola. Ajude de verdade”, além do telefone de contato. Já liguei avisando que havia um esmoleiro, em um determinado cruzamento da cidade, tentando fazer a minha parte. No dia seguinte notei que ele estava no mesmo lugar, no mesmo “ponto”. Tornei a ligar e a atendente me disse que eles o recolheram e, além de lhe dar uma cesta básica o interrogaram. Ele disse que ganha mais dinheiro num só dia, do que o valor da tal cesta básica. Como se vê não é só problema de falta de trabalho ou coisa assim; é malandragem mesmo. Até outdoors já foram colocados nas ruas para sensibilizar a população. Esforços estão sendo feitos, portanto. Lembro-me agora, quando estudava no Colégio Dom Bosco, em Porto Alegre. Certo dia, disse o Padre Conselheiro, um homem pediu um prato de comida. Ele não se negou a dar, porém disse que da próxima vez, ele teria que roçar o gramado da escola. Adivinhem se ele voltou?
O binômio “educação e trabalho” parece ser uma das soluções. A educação sendo disseminada nas escolas (poderia até ser tema em um dos bimestres escolares) despertaria a consciência de que realmente o ato de dar esmolas vicia e incita ao pedinte de voltar às ruas. A esmola é como um combustível, ou seja, enquanto se continuar com a prática, haverá pedintes estendendo suas mãos.
Um programa de trabalho, para estas pessoas parece ser uma das soluções. Ensinar-lhes o ofício da jardinagem, de fazer pão, de cortar cabelo, até mesmo a construção civil, contribuiria para a diminuição da indústria da esmola, profissionalizando-os. Entretanto, parece é que é mais fácil “não fazer nada” recebendo, do que trabalhar de “sol a sol” para conseguir algum trocado.
Por mais campanhas que se façam, a conscientização pessoal, da população como um todo, é que fará a diferença e a diminuição da “esmolagem”. Quando todos, sem exceção, toda a população parar, literalmente de dar moedinhas e troquinhos, especialmente nos semáforos, eles serão obrigados a procurar alguma colocação no mercado de trabalho. Claro que muitos dirão que o crime aumentará. Como se vê uma coisa incita outra. Algo deve ser feito, senão continuaremos a andar em círculos.

O Programa Começar de Novo


Atualmente vem sendo veiculado nas emissoras de televisão e rádio o Programa Começar de Novo, do Conselho Nacional de Justiça, o qual tem como objetivos principais a “reinserção social e no mercado de trabalho dos presos libertados após o cumprimento de penas, além da redução do preconceito aos ex-presidiários”. No comercial é possível ver um ex-detento em uma encruzilhada, onde existe uma placa indicando duas vias: uma leva ao “trabalho” e a outra leva de “volta ao crime”. O mote final é: “errar é humano. Ajudar quem errou é mais humano ainda”.
Parece que é uma ótima ideia, desde que as penitenciárias tenham condições de treinar, conscientizar e preparar os presidiários para a vida após a reclusão. Todavia, antes, é preciso capacitar o sistema prisional. É preciso dar condições e segurança a quem trabalha nele e, parcerias, muitas parcerias para realmente fazer daquele lugar, um lugar de reflexão e não um depósito de infratores.
Os presídios, não só atualmente, como há décadas, estão cheios, transbordando, diria até que “saindo pelo gargalo” e a contravenção só aumenta. Será que é possível “tentar” reverter esta situação? Quais seriam as possíveis ações governamentais e da sociedade, para que realmente se consiga reverter esta situação? Acho que a resposta pode ser encontrada em dois vieses: no trabalho e na educação.
Em primeiro lugar, eles deveriam trabalhar para o seu próprio sustento, pagando desta forma a luz, a água, a comida, assistência médica etc. que consomem. Este ônus não pode ser da sociedade. Parece utopia, mas para comer eles receberiam sementes, para plantar e colher, animais para tirar o leite etc. Hoje em dia eles recebem tudo, de “mãos beijadas”, e não dão valor. E, em muitos casos, seus dependentes podem até receber o Auxílio Reclusão que é de R$ 798,30, para não fazer nada, enquanto o salário mínimo, para o trabalhador honesto é de R$ 510, para se trabalhar um mês, honestamente diga-se de passagem.
Em segundo lugar, educação para todos, desde os níveis básicos, até o superior. Nas cidades de grande porte, de médio e até mesmo de pequeno porte, que tenham universidades, faculdades ou cursos técnicos, poder-se-ia incentivar a prática de projetos em parceria com essas instituições. Estagiários, das áreas mais afins, estariam na prática, aplicando seus ensinamentos e gerando bons frutos para todos: sociedade, detentos, faculdades. Os da área da educação poderiam dar aula, os da área médica poderiam iniciar suas práticas acadêmicas; a educação a distância também funcionaria muito bem.
Seria um dia em que o trabalho começaria cedo e a noite eles estariam estudando. Desta forma, a cabeça estaria ocupada e o corpo cansado, como qualquer um de nós e, no final do dia, teriam o descanso merecido. Talvez até a ideia de privatizar o sistema carcerário brasileiro, pudesse ser uma solução, do tipo: quem trabalha e produz, teria seu salário, para pagar as suas despesas e, quem não trabalha, não comeria. Quem queimasse seu colchão dormiria no chão, quem quebrasse a instituição, teria que reconstruí-la, caso contrário dormiria na chuva, ao relento. Claro que os Direitos Humanos criticariam, dizendo ser desumano; porém, se esquecem que os mesmos cidadãos que eles protegem, roubaram, furtaram, mataram, sequestraram, levando famílias ao desconforto.
Parece utopia, mas creio que deveria ser tentado e não simplesmente deixar o tempo passar. É utopia, também, achar que do jeito que está, o ex-detento estará apto a reiniciar sua vida. Se o governo pretende dar condições de reabilitação, deve fazer algo que surta efeito, caso contrário, na primeira encruzilhada, o caminho pode não ser o “trabalho”, mas provavelmente a “volta ao crime”. Mesmo porque, “errar é humano” e continuar praticando os mesmos princípios carcerários de hoje é continuar errando.