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quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Dia Nacional de Combate ao Fumo


O dia 29 de agosto é tido como o Dia Nacional de Combate ao Fumo e eu não poderia deixar esta oportunidade passar em branco e de expressar minha opinião. Confesso que já fui fumante; não chegava a uma carteira por dia. Carregava o vício; e era atleta. Quanto antagonismo, apesar de não ter fumado por muito tempo.Hoje, vejo o quanto ganhei após ter cortado o vício pela raiz. Primeiramente, falando em termos financeiros, se tivesse colocado na caderneta de poupança diariamente o valor dos maços de cigarro que deixei de consumir, tranquilamente teria uma quantia considerável esperando por mim. Em segundo lugar, minha saúde. Todo ex-fumante tem uma vida mais saudável e sente o gosto dos alimentos melhor. Quem já parou de fumar sabe do que estou falando.O fato de parar de fumar é tão marcante na vida da pessoa que quando, ele acontece, lembra do dia, da hora e da ocasião. No meu caso, foi quando estava na faculdade. Um amigo me ofereceu um cigarro. Ele de pé, eu sentado. Rejeitei. Ele olhou para mim com cara de quem não estava me reconhecendo. Recusar um cigarro para um fumante é quase fato raro. Foi no dia 10 de setembro de 1985, às 7h30. Na época, já estava mesmo pensando em parar de fumar. Só pensava. O fato mais marcante ainda, o que realmente me fez largar o vício, foi minha filha. Eu estava assistindo à televisão na sala de casa, e ela, com menos de um ano, estava de pé, agarrada no braço da poltrona, olhando com seus olhos arregalados a fumaça que saía da minha boca.Provavelmente estava se perguntando: “Que fumaça é esta que está saindo da boca do meu pai?” No mesmo instante, comecei a refletir e repetir: “Eu sou mesmo um idiota. Por que eu fumo? Quando esta menina crescer e começar a fumar, como pai não poderei dizer: “Não fume, porque o cigarro faz mal para a saúde”. Isto é o que normalmente acontece. Os pais bebem ou fumam, porém quando seus filhos iniciam “na prática”, dizem isto.Comecei então a me ver não fumando e que eu realmente iria parar de fumar. E assim fiz. Foi exatamente naquele momento descrito anteriormente. Não foi fácil. Lembro-me que costumava acordar de madrugada, com fortes dores de cabeça e não sabia por quê. Com o tempo, fiz a relação. Substituí o cigarro por balas. Já não comprava mais maços de cigarro; comprava pacotes de bala. Foi o que me ajudou a substituí-lo. Com o passar do tempo, me dei conta de que estava viciado em balas. Também superei o consumo excessivo das balas, antes que viesse a diabetes.Cheguei à conclusão de que as pessoas não param de fumar porque não querem. Ironicamente, sempre digo a elas que “não” devem parar de fumar. Sempre digo que alguém deve pagar o papel produzido para enrolar o cigarro, a tinta que imprime as letras nos maços, o médico no hospital e os balconistas nas farmácias vendendo remédios, com o intuito de chocá-las. Mesmo com anúncios nas próprias carteiras dizendo que o produto causa câncer, as pessoas continuam fumando. Mesmo informando que o cigarro possui mais de 4.800 substâncias letais, continuam fumando. Mesmo os homens sendo informados que causa impotência sexual, continuam fumando. Não é fácil, eu sei.O velho ditado diz: “Se conselho fosse bom, não se dava; se vendia”. Mas eu vou tentar dar o meu, diretamente aos que fumam. Se vocês quiserem parar de fumar, a melhor forma de fazê-lo é cortar o mal pela raiz. Por quê? Desta forma você sofrerá somente uma vez. Se você tentar parar de fumar aos poucos, você irá sofrer também aos poucos e por um longo tempo. Sofra uma vez só. Se não conseguir, siga então o caminho paulatinamente. Viva mais e com melhor qualidade de vida.Dê um presente a você e à sua família: aproveite o Dia Nacional de Combate ao Fumo. Este, na verdade, será o seu melhor presente para a sua vida.

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

O troquinho nosso de cada dia


Com certeza, você já conhece esta cena: após passar por algum caixa e pagar suas compras, na falta do troco, lhe ofereceram balas em vez do troco propriamente dito. Não precisam nem responder.Morei nos Estados Unidos por seis anos e sempre me retornaram o troco, independentemente do seu valor. Lá, se o seu troco for três centavos, você recebe três centavos. Se for um centavo, você recebe o seu rico um centavinho, chamado de penny. Jamais me ofereceram bala de troco, nem chicletes, tampouco caixas de fósforo. É uma questão de cultura: não importa quanto; dinheiro é dinheiro. Aqui no Brasil, ninguém reclama da falta do troco. Em países de primeiro mundo, o troco é sagrado.Comecei então a fazer experiências: exigir o troco só para ver a reação das pessoas. Bastaram algumas tentativas para receber hilárias respostas. No caixa de um supermercado, minha conta foi de R$ 6,49. Dei R$ 6,50 e disse: “Quero ver se você vai ter o troco”. Ela respondeu: “Se o senhor quiser, chamo a assistente de caixa”. “Sim”, repliquei. A moça do caixa ao lado se virou e olhou pra mim. Tentei imaginar o que ela estava pensando: quem é este chato que está querendo R$ 0,01 de troco? Ela acendeu a luz. Em poucos instantes, chegou uma assistente de caixa e ficou sabendo que eu queria meu troco. Ela foi buscá-lo. Durante a espera, as duas caixas começaram a conversar comigo: “A próxima vez que eu vir o senhor, já vou acender a luz (risos)”. A outra retrucou: “Pior é que ele tem razão: nós deveríamos ter uns centavinhos na gaveta do caixa”. A assistente voltou; recebi, então, meu troco.Na sequência, entrei em duas lojas de R$ 1,99 e comprei o mesmo produto: paçoquinhas de amendoim. Nestes dois testes houve respostas diferentes. Na primeira, a moça do caixa me perguntou se poderia ser uma balinha de troco; disse-lhe que não. A cliente que estava atrás de mim olhou com espanto. Ela me deu meu R$ 0,01. Percebi que ela também tinha um pote com balas, bem à mão, próximo ao caixa. Na segunda loja, foi diferente. Quando entreguei minha paçoquinha, a pergunta foi a mesma: “Pode ser uma bala?” Claro que eu disse não. Ela então disse que não tinha troco; retruquei que queria meu troco. Ela se rendeu e me deu R$ 0,05, porém antes me perguntou: “Você tem quatro centavos de troco?” E eu respondi: “Não”. Então ela disse que eu poderia ficar com aquela moedinha.Numa lotérica, a moça do caixa disse que não tinha o meu troco: R$ 0,04. Falei-lhe que queria meu troco (estava rindo por dentro, porém queria ver a reação dela). Ela pediu para deixar para o próximo dia. Insisti que queria meu troco. Ela me devolveu R$ 0,05. Na semana seguinte, quando voltei à lotérica, havia um cartaz: “Favor confira o seu dinheiro no ato do troco. Não aceitamos reclamações”. Parece até piada, mas é a pura verdade.Vamos fazer uma conta rápida: imagine que você passou no caixa de um supermercado e ele ficou devendo o seu troquinho: R$ 0,02. Multiplique por cem clientes em um dia. Agora multiplique por 30 “bocas de caixa”, por dia. Continue multiplicando por 30 dias. Finalmente, multiplique por dez lojas em todo o Estado. Total: R$ 18 mil. Você sabe quem paga aqueles brindes que são sorteados no final do ano? Nós, com o nosso rico troquinho, juntando cada centavinho que nós não exigimos; e são só dois centavinhos!Outro dia, quando minha filha estava passando pelo caixa perguntaram a ela: “Posso ficar devendo R$ 0,10?” Ela respondeu com a mesma pergunta: “Posso eu ficar devendo R$ 0,10?” Disse-me que recebeu de troco R$ 0,25, com uma batida de mão no balcão e uma “cara feia”.Para finalizar, um amigo gerente aposentado de várias agências bancárias em Joinville me disse que as moedas de R$ 0,01 não estão mais sendo produzidas pelo Banco Central. Pois é, meninos e meninas, aonde vamos parar? Eu só sei de uma coisa: faço questão do “troquinho nosso de cada dia”. Não quero mais balas.

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Fique atento


Albecir, 38, funcionário de uma empresa de prestação de serviços na área de concertos eletrônicos, trabalhava com instalação e reparo de antenas parabólicas. Todos os dias, como de costume, ao chegar no trabalho, sua prancheta já estava preparada com as visitas a serem feitas. Sobre o balcão, após um rápido olhar, sempre percorria os endereços para poder fazer sua rota, a menos que houvesse alguma observação a pedido do próprio cliente, para que o serviço fosse efetuado em determinado horário do dia. Casualmente, na madrugada anterior, houvera uma chuva de granizo e, quando tal fato se dá, além dos telhados das casas, as antenas parabólicas sofrem danos. Com uma carteira de clientes considerável, sua primeira parada naquela manhã foi em uma cidade vizinha.Durante a tarde, foi instruído a verificar um defeito de imagem na casa da família Nunes. Das duas antenas parabólicas, somente uma estava recebendo o sinal. Como de costume, Albecir buscou sua caixa azul de ferramentas e a colocou no porta-malas. Na parte superior do carro, amarrou a escada, daquelas que quando em uso formam a letra “A” maiúscula. Ao chegar a casa, foi recebido pela empregada, a qual o levou até o local onde estavam instaladas as antenas. Ela o lembra que desta vez os cachorros estavam presos. Santa graça, pois ele tinha verdadeira aversão a caninos. Durante o serviço, o senhor Nunes, patriarca da família, aproximou-se sorrateiro e conversou com Albecir: “Capricha aí, meu rapaz”, sorridente. “Deixa comigo, seu Nunes. O senhor sabe que o serviço aqui é de primeira. Assim que eu terminar, vou provar mais uma vez ao senhor!” “Não tenho dúvidas. Por isso sempre chamamos vocês quando precisamos”. Sorridente, permaneceu olhando o rapaz executar seu serviço. Naquele dia, o velho trajava marrom, com cinto da mesma cor e camisa amarela de mangas longas, dobradas até o cotovelo. No braço esquerdo, reluzia um daqueles cebolões antigos, dos que ainda precisavam dar corda, de marca estrangeira. Após pouco mais de uma hora, Albecir conseguiu detectar o problema. Trocou a peça danificada e solicitou à empregada que chamasse o sr. Nunes para conferir o reparo, pois já estava pronto para ir embora. “Vou chamar a sra. Nunes”, disse ela. “Moça, chame o sr. Nunes, por favor”, insistiu. “Prometi que, assim que terminasse, lhe provaria que somos os melhores da cidade”, disse Albecir. A moça, com expressão de espanto, saiu correndo em direção ao interior da casa e voltou com a sra. Nunes. Naquele momento, percebeu um certo ar de espanto nas duas mulheres e insistiu mais uma vez pelo Sr. Nunes. Porém, para sua surpresa, dessa vez, a mulher mais velha lhe diz: “Moço, meu marido faleceu há exatos 30 dias”. Albecir inconformado, afirma que havia falado com o homem no momento que iniciou seu serviço, logo após a moça ter ido ao interior da casa. A senhora Nunes, por sua vez, perguntou sobre o que os dois conversaram. Procurava saber detalhes, especialmente a roupa que o falecido estava vestindo e se Albecir era médium. Para sua surpresa, ele afirmou que não seguia religião alguma e, muito pelo contrário, se dizia ateu. Sobre a vestimenta, para espanto de todos, era exatamente a mesma que o seu marido vestia no dia da sua partida; inclusive seu relógio.O fato que acabo de lhes relatar foi descrito por alguém que conheço e aconteceu aqui mesmo em Joinville. Como explicá-lo? A ciência afirma que todo fato que não se pode repetir, não se pode provar. Entretanto, foi verdade. Mesmo que tenha sido um simples episódio, aconteceu. Às vezes, sem nos dar conta, coisas acontecem ao nosso redor. Pode ser um simples: “Que horas são?”, “Bom dia!” ou até mesmo um pedido de informação sobre o ponto de ônibus mais próximo. Que tal ficarmos mais atentos?

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Pontos de luz


Cheiro de jasmim. Cachoeiras. Águas cristalinas. Força. Luz. Que bom seria se este mundo fosse um lugar, digamos, de menos expiações. Entretanto, aqui estamos. Do jeito que merecemos. Do jeito que precisamos. Nem um pouquinho a mais, nem um pouquinho a menos. O famoso dito popular: “Há males que vêm para o bem”, não faz parte do meu vocabulário. Para mim, se é bem, se é bom, não é mal. Portanto, não há mal. Tudo é para o nosso bem.Que bom seria se o nosso planeta fosse um lugar, talvez como o Sol, com relação à luz por ele emanada, com relação à força, à energia, que nos proporciona. Que bom seria se a Terra fosse um lugar de amizade, onde ela e o amor perdurassem de verdade, na acepção da palavra e não só da boca para fora. Não é fácil. Parece que só as almas puras conseguem transparecer tal ternura. Quando penso assim, algumas pessoas passam pela minha mente: a Madre Tereza, o papa João Paulo 2º, Chico Xavier, Jesus Cristo. É claro que existem dezenas mais, centenas mais, milhares mais; e estas pessoas estão às vezes ao nosso lado, na nossa frente, na nossa própria casa e não nos damos conta.As palavras têm um peso tão grande que, assim como destroem, constróem; assim como batem no peito e machucam, tocam no coração e elevam. Elas são poderosas, sabemos. Entretanto, não creio que elas removam montanhas como dizem. A oração ensinada pelo mestre dos mestres, o doutor dos doutores, o maior professor que o mundo já viu, é, na maioria das vezes, uma ato mecânico: “Perdoai as nossas ofensas, assim como nós perdoamos a quem nos tenha ofendido”. Será que realmente perdoamos? Será que pensamos quando oramos? Creio que o melhor seria “perdoai as nossas ofensas quanto nós perdoarmos a quem nos tenha ofendido”. É a partir do momento do nosso perdão que seremos realmente perdoados. Mas, quem somos nós para perdoarmos? Simples mortais. O que estamos fazendo para tornar este mundo um lugar melhor para se viver? Qual herança deixaremos quando partirmos?Acredito em pontos de luz. Acredito na força do pensamento. Acredito na força do elogio, na paz e no amor. Vivemos no mundo que merecemos, no mundo que escolhemos e, por isto, estamos aqui, para o nosso próprio progresso.Que bom seria se dentro de cada casa, se dentro de cada coração, de cada cidade, quando vista do alto, saísse um feixe de luz, como um raio iluminando o resto do universo, assim como o sol. Depende só da nossa vontade. Se todos os dias da semana, nas 24 horas do dia, fosse praticado em uníssono a força da oração. Acredito que viveríamos em um mundo melhor. Imaginem todos os dias, todas as horas, a força da oração sendo proferida, emanando energia, desejando amor e felicidade a todos os nossos amigos, a todos os familiares, a todos os parentes, aos alunos, professores, vizinhos, governantes. Com fé, viveríamos num lugar muito mais pacífico e sereno do que temos atualmente.Façamos uma corrente, sem que nenhum elo seja rompido. Escolha o seu dia e horário e, junto com a sua família, com seus amigos ou mesmo sozinho, pratique uma oração sincera. Um momento de amor ao próximo, com muita luz e sinceridade. Vamos nos doar em pensamento. Vamos doar amor, carinho, amizade e luz. E o bom disto tudo é que não existe contraindicação e faz bem ao coração.Quando vocês escolherem seu dia, façam com fé. Façam com que todos que passarem pelas suas mentes, todos que estiverem conectados em pensamento recebam o reflexo desta luz. Eu já escolhi o meu dia (domingo) e meu horário (nove da noite). Funciona. Dá muito resultado e a gente começa a ver os outros com outros olhos. Não esqueçamos também dos que estão nos leitos dos hospitais, nas prisões, aqueles que neste momento não têm onde repousar e especialmente os nossos desafetos. É difícil, mas não custa tentar. Sei que não vamos ser os salvadores do mundo, como disse um mestre amigo, mas podemos ser os ajudantes dele. Que todos recebam esta bondade mental. É o trabalho da luz. Do amor.

quarta-feira, 29 de julho de 2009

Férias escolares: antes e agora


Nesta semana, grande parte das escolas da Cidade dos Príncipes está reiniciando suas atividades. E na próxima, o ciclo se completa com praticamente todos os alunos joinvilenses. Deu para perceber, no período da manhã e na hora do almoço, que as ruas estavam vazias, ou seja, sem os uniformes escolares, mochilas, grupos caminhando, bicicletas, vans escolares circulando, ônibus, etc. Fiquei me perguntando: o que será que esta gurizada fez durante a ausência dos bancos escolares? Será que se divertiu? Será que aproveitou?Comecei então a recordar as minhas férias. Eu brincava de revólver (de bandido e mocinho), subia em árvores, escalava morros com cordas, não jogava futebol (porque, confesso, sempre fui meio perna-de-pau), mas fazia ginástica olímpica. Em outras palavras, praticava alguma atividade física e estava sempre em movimento. Também jogava botão, trocava figurinhas e descia ladeiras em carrinhos de rolimã.Hoje em dias, as coisas mudaram muito. Não se veem mais crianças brincando nas ruas; não só pelo tempo chuvoso, porque, quando não chove, também não os vemos. Fiquei curioso para saber o que meus amigos, familiares e alunos faziam nas férias. Alguns disseram que não se lembravam. As respostas foram as mais variadas: rodavam bambolê, jogavam basquete, futebol, empinavam pipa, andavam de bicicleta. Os que cresceram no campo andavam a cavalo, corriam na sanga (plantação de arroz) e tomavam leite puro, direto da vaca. Minha tia disse que “brincava de ser professora, de comadre e pulava corda”. Uma amiga contou que “jogava taco com os meninos e brincava de espaçonave num sombreiro” e ela complementou: “Hoje, eles são obesos, sem criatividade, não sabem brincar, não se sujam na lama”.Quis então saber a visão das crianças deste início de terceiro milênio, e as respostas foram quase unânimes: ficam na frente da televisão e do computador. A imobilidade, após longas horas, provoca uma infinidade de problemas e efeitos negativos à saúde. Se o índice de massa corporal é superior a 30% do peso, o indivíduo é considerado obeso. Muitas crianças e adolescentes estão neste caminho – efeitos da vida sedentária. Hoje, as crianças e adolescentes não se movimentam como há algumas décadas. Provavelmente, as gerações futuras sofrerão de problemas de visão. A chamada “síndrome da visão do usuário do computador” traz como consequências a irritação, o ressecamento, o cansaço ocular, entre outros, além da má postura à frente do monitor; uns se sentam com as pernas cruzadas, de lado, curvados, e é inútil solicitar que corrijam suas posturas.Nas férias escolares de hoje, até que eles jogam basquete e futebol, porém no do joystick do computador; correm ao volante de um carro acoplado ao computador; conversam na ponta dos dedos, no MSN, Orkut e Twitter. Sempre na frente do computador ou da televisão; às vezes, os dois ao mesmo tempo. Outro depoimento que me deram foi: “Hoje em dia, eles não fazem nada e não vão mais para fora (de casa). Falo para os meus filhos: lá fora tem sol. Eles até que têm bicicletas, mas não existem tantos lugares para andar”.E as suas férias como eram? Com certeza, muitos de vocês estão recordando. Muitos jogaram pião, baralho e jogos de tabuleiro como dama e xadrez. Outros tocaram violão, subiram em árvores para comer goiaba, jabuticaba ou tangerina. Aposto também que alguns chegaram até a nadar no nosso rio Cachoeira. Que as próximas férias sejam mais proveitosas, mais movimentadas e mais saudáveis.

quarta-feira, 22 de julho de 2009

O nosso festival


Quarta-feira, meio de semana, e o dito popular diz que hoje é o “dia internacional do sofá”. Mas aqui em Joinville podemos trocar o sofá por uma arquibancada – a grande pedida é este 27º Festival de Dança. Hoje à noite temos balé clássico de repertório, ou seja, aquelas obras que já caíram em domínio público como os famosíssimos “O Quebra-nozes”, “A Bela Adormecida”, “Dom Quixote”; e na segunda parte da noite, jazz.Para os que ainda não foram, é uma excelente opção de lazer. Pois é, para os que ainda não foram! Fiquei me perguntando quando foi a última vez que assisti a alguma das noites de apresentação do festival. Meu winchester começou a processar feito um déjà vu e voltei no Ginásio Mário Timm. Era uma apresentação de balé clássico, com saltos, giros verticais (piruetas), pernas às vezes flexionadas, às vezes alongadas, mãos no prolongamento do corpo, queixo erguido, sapatilhas de ponta, lembrando borboletas planando no ar. É, a minha última visita a alguma apresentação já faz um tempão (foi no século passado).Não cheguei a ver o mais famoso bailarino do mundo Mikhail Baryshnikov, o Misha, nem a brasileira Ana Botafogo. Muitos o fizeram, e ao vivo. Quem diria, esta pacata cidade, do Norte de Santa Catarina, algum dia se tornar a capital mundial da dança. E mais ainda, em 2005, o evento foi considerado o maior festival do mundo pelo “Guinness Book”.Parece que este ano, pelo menos é o que se vê nas ruas, o número de bailarinos diminuiu. Acho que a gripe A tem afastado muita gente, pelo menos algumas pessoas estão evitando ir ao festival com medo dessa doença. Perguntei a várias pessoas se elas já haviam assistido a alguma apresentação e as respostas foram as mais variadas: “Trabalho à noite”, “Tenho ingresso mas não fui”, “Muito caro”, “Tenho medo da gripe”.Parece que o joinvilense não está prestigiando o festival como deveria, afinal de contas, ele é nosso. Levando em conta minha enquete, resolvi visitar a Feira da Sapatilha e alguns palcos alternativos no domingo passado. O lugar estava “crowdeado”, como dizem os surfistas. Vendem de tudo: caneca, sapatilha, relógio, faz-se até massagem relaxante. O boletim anunciava algumas apresentações. Deixei para ver a das 17h30. Infelizmente foi cancelada. Esse tipo de coisa não pode acontecer. Assim como eu, havia pelo menos uma centena de pessoas esperando para ver as danças.A praça de alimentação estava como em qualquer lugar: cheia. Entre idas e vindas, vi dreadlocks, sapatilhas meia-ponta, gente pintada e até chimarrão. Resolvi então assistir a algumas mostras em um dos shoppings da cidade. Era gente se acotovelando para conseguir ver alguma parte das apresentações. É impressionante a emoção sentida ao ver a performance dos dançarinos em meio aos aplausos acalorados da plateia. O repertório foi bem variado: street dance, sapateado, folclore. Vi até balé ao som de tango (do tipo Carlos Gardel). Dá para imaginar que no futuro alguns deste artistas irão se tornar astros famosos, como Misha e a nossa Aninha. Vi também, o que me fez pensar “ponto negativo”, quando, durante uma das apresentações, o dançarino inicia tirando seus sapatos e camisa, assovios maldosos (coisas de terceiro mundo, em pleno festival de primeiro mundo). Ao final, só aplausos.Quanto ao preço dos ingressos – reclamação de alguns – acho que poderiam ser mais baratos. Afinal de contas, olhem as empresas e instituições patrocinadoras, apoiadoras, colaboradoras, além das que ajudaram na realização. Vamos realmente popularizar os ingressos.Entre pontos positivos e negativos, todos saímos ganhando. A dança realmente envolve a cidade. Em plena João Colin, na volta para casa, uma menina girando, como se estivesse em um grande palco – e estava. A Cidade dos Príncipes é um grande palco. A dança realmente envolve e transforma este lugar. Parabéns, Joinville. Parabéns, festival.


quarta-feira, 15 de julho de 2009

O céu está mais pop



“Existe um momento em que a gente escuta um certo chamado; que o mundo deve se unir como um só. Existem pessoas morrendo e é chegada a hora de darmos uma mão à vida; o maior presente de todos. Nós não podemos continuar fingindo que alguém, algum dia, em algum lugar, irá em breve fazer alguma coisa. Nós fazemos parte da grande família de Deus e, na verdade, o amor é tudo o que precisamos. Nós somos o mundo, nós somos as crianças, somos aqueles que fazemos um dia melhor, um dia mais feliz, mais radiante. Então, vamos começar a doar. Existe a oportunidade de fazermos e salvar as nossas próprias vidas. É verdade, vamos fazer um dia melhor, vocês e eu”.Para quem ainda não reconheceu este poeta, me refiro à gravação do vídeo clipe “We Are the World”, do negro, ou branco – como ele mesmo dizia, “se você está certo, não importa se você é negro ou branco, Michael Jackson”. A ideia foi gravar uma música para arrecadar fundos ao combate à fome no continente africano. Não se pode deixar de dar o crédito também ao cantor e compositor Lionel Ritchie que, junto com Michael, compôs este clássico da música pop mundial. Gravado ainda em LP (guardo meu vinil) com mais de 40 cantores e compositores de renome internacional, rendeu mais de US$ 55 milhões. Lembro dos aviões e helicópteros das Nações Unidas jogando os alimentos através de suas comportas e o povo correndo atrás.“Enviem-lhes seu coração, desta forma, eles saberão que alguém se importa com suas vidas e se tornarão mais fortes e livres”. Mais livres, pois um povo com fome é um povo escravo; escravo do azar, escravo do sistema, escravo da própria vida. “Assim como Deus nos mostrou a transformação da pedra em pão; desta forma, todos nós devemos emprestar nossa ajuda”. Esta “transformação” na verdade não aconteceu, biblicamente falando. Creio que deva estar ligada à vontade de não querer ver crianças subnutridas passando fome. “Se você estiver numa pior, sem esperança; se você acreditar que não há uma forma de cair” de sucumbir, “a mudança só pode acontecer quando juntos nos unirmos como um só”.A canção está aí, sendo tocada em todas as emissoras de rádio, nas telinhas, na internet, batendo recordes em downloads e também na nossa mente. É um clássico da música contemporânea, tal como “Imagine”, de John Lennon. Ouvimos hoje e continuaremos a ouvir daqui a algumas décadas, daqui a alguns séculos, assim como a “Nona Sinfonia”, de Beethoven, tocada pela primeira vez há exatos 175 anos; assim também como o “Bolero”, de Ravel, irão tocar eternamente.Clássicos não morrem. Clássicos são eternos. O corpo padece, as ideias permanecem. Sócrates quando foi condenado à morte por suas ideologias filosóficas, teve ao seu lado Platão. Antes de beber cicuta, veneno letal como sentença de morte, ouviu o apelo do seu pupilo para que negasse seus ensinamentos. O pai da filosofia respondeu: “Sócrates jamais irá morrer”. E não morreu mesmo.Dizem que Michael Jackson estava falido. Dizem, também, que sua fortuna atual está estimada em US$ 500 milhões. Entenda-se agora: como um falido tem uma fortuna com tal cifra? E por falar em vendas, os ingressos para os shows que aconteceriam na Inglaterra se esgotaram em questão de horas. Falido?A questão da pedofilia está em aberto. A lei dos homens é bem clara: o princípio da presunção da inocência afirma que “todos são inocentes até que se prove o contrário” e, ainda mais, ninguém é culpado até que saia a sentença condenando o indivíduo; mesmo assim, se pode recorrer”. Michael pagou para que o processo fosse arquivado, é verdade.O triste é que agora já apareceu na mídia o próprio adolescente envolvido no processo afirmando que foi “forçado pelos pais a mentir”. Criança não mente, a menos que seja coagida para tal. Por falar em criança, Paris, a filha de Michael, disse: “Desde que eu nasci, papai tem sido o melhor pai que eu poderia imaginar. Eu só queria dizer que eu amo ele demais”. Quem somos nós para julgá-lo? Uma coisa é certa: o céu está mais pop desde o dia 25 de junho.