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terça-feira, 9 de agosto de 2011

As bodas de casamento


Existem certas convenções que a sociedade estabelece como norma e que as convencionamos. Quando uma empreitada inicia, contamos nos dedos: os minutos, as horas, os dias, as semanas, os meses, os anos, as décadas, os séculos, os milênios. Com o casamento é assim. Naquele exato momento que, na maioria das vezes é realizado numa igreja, existe o tradicional juramento: “juro amar-te na pobreza, na saúde, na doença, na alegria e na tristeza” se estabelece o vínculo entre duas pessoas. Tudo é festa, diversão e alegria. A partir daí a vida é outra. Não se pensa mais sozinho. Os acordos começam a tomar efeito. Um cede de um lado, o outro do outro. O tempo vai passando e os meses são contados desde o “juramento”. Algumas perguntas surgem: quanto tempo dura uma lua de mel? E o amor entre o casal é realmente “até que a morte os separe”? Quanto tempo ele dura?
Cada dia é uma vitória. As bodas são contadas no ciclo dos 365 dias. A primeira é de “papel”, a segunda de “algodão”. Depois vem de “couro”, “seda”, “jade”. Aos dez anos, segundo algumas versões, é a vez de “cristal”. As mais conhecidas são: “prata” para vinte e cinco anos, “ouro” para cinquenta e “diamante” para setenta e cinco. Haja amor para tantos anos.
Lembro de um amigo m(eu), que na sua primeira “boda” levou para casa um “buquê”, com “uma” rosa vermelha. A esposa toda contente com aquela data tão marcante agradeceu e com um sorriso “meia-boca” disse: - Legal. Obrigado. “Só” uma? A resposta foi: - Sim. É só o primeiro ano. Deu então para entender que a cada ano seria acrescida “uma“ rosa vermelha. E até hoje, no dia marcado, na mesma hora, ela as conta, “uma a uma”, para ver se estão todas ali.
Nos primeiros anos é amorzinho, benzinho e queridinha. Com o passar do tempo é amor, bem e querida. Parece que o “zinho” perde espaço para o tempo. Para muitos a lua de mel acaba na porta do novo lar. Para outros ela dura um ou dois meses. Porém, é possível eternizá-la. Já ouvi dizer que ela está durando mais de vinte e seis anos. Acho que um dos segredos, também, é apaixonar-se pela mesma pessoa, como um ciclo em espiral. Muitos creem que é difícil; e é. Entretanto basta comprometimento e, porque não, dedicação. Dedicar-se a si e ao próximo. O amor não tem idade. Pergunte a você mesmo: você casaria com a mesma pessoa, mesmo depois de tantos anos?
Amar é um dos atos mais simples e mais complicados, assim como diz Roberto Carlos na sua canção “Outra vez”. Outros dizem “Que seja eterno enquanto dure este amor”. Existem também aqueles que não passaram pela oficialização, ou seja, pelo crivo da Igreja ou da Justiça, mas que nem por isso perdem o seu valor. Muitos dizem que estão juntos quatro anos, sete anos, mas que ainda não se casaram. Enganam-se. Já estão casados nestes quatro ou sete anos. Perante a lei, o que vale é a união estável.
Muitas bodas vão se apagando. Muitas se acabam por causa da lei da gravidade. O que era “belo” e “firme” perde espaço para o tempo. Uns até trocam uma de quarenta por duas de vinte, ou menos. Cabe a nós entender, aceitar e nos acostumarmos; nem por isso devemos parar de lutar para parecer sempre jovem. É digno de se admirar quando um casal, de idade avantajada, caminha de mãos dadas, como eternos namorados. Quantos anos se passaram desde a primeira boda. Parece que a lua de mel não acabou. E não deve mesmo. Devemos vivê-la eternamente, independentemente do tempo, ou da ação da gravidade.
Os buquês e flores também devem ser presenteados sempre, sem detrimento da data. Não precisamos esperar o ciclo dos trezentos e sessenta e cinco dias para lembrar de comprá-los. A surpresa, aliás, é também um dos maiores presentes. Pode até mesmo ser aquela colhida no quintal de casa, ou “roubada” do vizinho. O que vale é a intenção. E, a lua de mel pode ser vivida a vida inteira. Basta dedicação, renúncia, doação e não viver a vida do outro. Vamos viver e comemorar cada boda com muito prazer e orgulho, afinal de contas, nascemos para amar e sermos amados.

E você tem algum apelido?


Apelidos servem para identificar pessoas ou lugares. Quem de nós já não teve algum? Quem de nós, em determinado momento de nossa vida, já não foi chamado, ou apelidado, independentemente da nossa vontade? Muitos se sentem lisonjeados, se sentem até homenageados, entretanto outros nem tanto e, muito pelo contrário: viram verdadeiras feras. Por exemplo: quando alguém está dirigindo muito devagar é chamado de Barrichello; quando é um “ás no volante” é comparado ao alemão, sete vezes campeão da Fórmula 1, Michael Schumacher, ou simplesmente o “Schumy”. O outro Michael, o rei do pop, também tinha seu apelido. Na América ele era chamado de Waco.
Na língua espanhola a palavra “apelido” significa sobrenome. Em inglês apelido é nickname, ou simplesmente nick, termo muito utilizado para se falar nos sites de relacionamento; todos têm o seu nick.
Há quase um ano o “gordo dos domingos”, o da tela da TV Globo, apresentou uma engraçada matéria. Nela, existe uma cidade no estado das Minas Gerais, chamada Cláudio, na qual todos os habitantes têm o seu apelido. “O curioso é que se não colocar o apelido no anúncio de falecimento das pessoas, não aparece ninguém nos enterros”.
Existem apelidos que se transformam em nomes. Vocês conhecem o José de Lima Sobrinho e o Durval de Lima? São os famosos Chitãozinho e Xororó. E o José Luís e o Emival Eterno? Viraram o saudoso Leandro e o seu irmão Leonardo.
Comecei então a lembrar dos amigos, familiares e suas respectivas alcunhas. Os mais comuns, ou seja, aqueles que são de fácil identificação: “Alex” de Alexandre, “Beto”, de Alberto ou Roberto, “Dudu”, de Eduardo, “Carol” de Carolina. Existem aqueles onde utilizamos o diminutivo ou aumentativo: “Toninho”, “Jairão”, “Paulinha”, “Cabeção”. A Elenita é a “Leni” e o Leandro é o “Lê”. E, acreditem se quiser, na minha família, até hoje meus tios me chamam de “Alfredinho”.
Tem aqueles que nunca gostaram dos seus. Um deles era o “Gão”. É que ele era muito medroso e o apelido pegou desde o primeiro momento. O “Molinha” é porque seus cabelos eram encaracolados. Outro amigo, ao fazer um exercício de ginástica saiu correndo e gritando - Sou fabuloso, sou fabuloso; virou “Fabu”. Até hoje não sei o seu nome verdadeiro.
Para alguns o apelido é como uma marca registrada. Certa vez estava eu na cidade de Araranguá, procurando por um tal de Vivaldo. Ninguém o conhecia. Quando perguntei pelo seu apelido - “Caveira” foi mais fácil: - Ah, o Caveira. Fui direcionado à sua casa sem dificuldades. E olha que ele morava lá a mais de trinta anos. Seu apelido se originou na época em que ele cavava buracos, no Morro dos Conventos, e encontrou algumas caveiras. Quando as trouxe para a cidade, exibindo-as aos amigos, o apelido pegou na hora (saudoso “Caveira”, que Deus o tenha).
Fiquei sabendo que é possível alguém trocar de nome, desde que haja motivo real. É a Lei 6.015/73, no seu artigo 56. Após atingir a maioridade, basta ir a um cartório e solicitar a mudança ou acréscimo, do apelido ao nome. A Lei permite em casos como: se a pessoa for testemunha em algum processo criminal e precisa se manter em absoluto sigilo, para resguardar sua identidade; ou, se o nome causa constrangimento, expondo-se ao ridículo (neste caso basta acessar a internet para obter alguns nomes hilários). Conheci um que se chamava João Pinto da Costa Neto. “Joãozinho”, entretanto, nunca se incomodou com seu nome. Também, em casos de correção gráfica; ou, quando o nome é muito comum (quantos João da Silva existem em Joinville, em Santa Catarina, no Brasil e no mundo?); ou, se o apelido for muito conhecido, acrescentando-o ao nome. A lista dos famosos é longa. O “barbudo” foi batizado Luiz Inácio da Silva e virou Luiz Inácio “Lula” da Silva. A Rainha dos Baixinhos também teve seu apelido acrescido ao seu nome; hoje ela se chama Maria da Graça “Xuxa” Meneghel. E o Atleta do Século 20, o Pelé. Será que alguém, em sã consciência, o chamaria pelo seu nome: bom dia senhor Édson Arantes do Nascimento?
E você, tem algum apelido?

Carlos Drummond "brasileiro" de Andrade


Parece que o nosso poeta Drummond nasceu para estar sempre sob os olhares das câmeras; agora mais do que nunca. Capas de jornais e revistas comentam que sua estátua, inaugurada quinze anos após sua morte, foi pela oitava vez, vejam só, oitava vez, depredada por vândalos inconsequentes. Mas quem foi este poeta? Qual o seu legado? Por que tanta falta de consideração e desprezo?
Carlos Drummond “brasileiro” de Andrade (o complemento é por minha conta) é mineiro e nasceu na virada do século passado. Formou-se farmacêutico por insistência familiar para que obtivesse diploma universitário, porém nunca exerceu a profissão alegando “preservar a saúde dos outros”. Sua veia literária sempre esteve muito pulsante. Trabalhou em vários jornais no Rio e Minas, tendo sido inclusive chefe de gabinete de um dos ministros da República.
Foi poeta em prosa e verso, cronista e escritor. Além de traduzir francês e espanhol, teve suas obras transcritas, entre tantos idiomas, desde os considerados comuns, como o espanhol, o inglês, o italiano, o alemão, também se encontram textos seus em sueco, tcheco, búlgaro, chinês (do Sr. Hu Jintao) e, até, a considerada “língua morta”, a qual nunca deixará de existir, o Latim, com “Carmina drummondiana”.
Suas idas e vindas para a Argentina foram intensas; sua filha casara-se com um “irmano” e como consequência seus netos também nasceram por lá. Ela começou a difundir sua obra no país vizinho e durante sua vida se tornou escritora também.
As homenagens foram tantas que este espaço não as comporta. Entretanto, algumas chamam a atenção: a verde-rosa do Rio, a Casa da Moeda e os Correios. Em 1987 a Escola de Samba Estação Primeira de Mangueira desfilou seu enredo principal sob o nome “No Reino das Palavras”, sendo inclusive a vencedora daquele ano. Diga-se de passagem, homenagem ainda em vida, pois ele veio a falecer em agosto do mesmo ano. Após dois anos foi a vez da Casa da Moeda homenageá-lo emitindo uma nota de 50 cruzeiros com seu retrato, seus versos e uma auto-caricatura. Os Correios e Telégrafos emitiram um selo em sua homenagem. Finalmente, o hoje “mais que centenário” arquiteto Oscar Niemeyer projetou o Museu de Território Caminhos Drummondianos, em Itabira, Minas, cidade Natal do poeta.
Como se vê, ele sempre teve seu nome em destaque, evidenciando seu trabalho, merecidamente diga-se de passagem. Em 2002 foi erguida e inaugurada uma estátua de bronze, em tamanho real na praia de Copacabana, na cidade maravilhosa. O local é ponto turístico obrigatório de quem por lá passa. Nela Drummond está sentado, no seu jeito característico, com pernas cruzadas e seus braços também ao seu longo, pensativo. Não há quem não se sente ao seu lado e dispare um “click” de uma máquina fotográfica como recordação. Pois bem, ou, “pois mal”, já se passaram vários anos desde a sua primeira versão, que, seus óculos vêm sofrendo vandalismo e depredação, chegando a um total de oito. Por serem muito frágeis e vulneráveis, eles foram arrancados e provavelmente tiveram destinos que podem assim ser imaginados: ou, os vândalos os guardem como troféu, nalguma gaveta e sentem o prazer de virar notícia ao serem mencionados, ostentado-o como troféu; ou, são vendidos com o intuito de virar pó ou pedra de crack. Para esses, o prazer de cheirar é maior do que o nosso: de apreciar. E, dizem que o preço pago não passa dos “oito pilas”.
Desta vez espera-se que os ditos vândalos se sintam mais intimidados e a estátua do poeta se mantenha preservada. A Companhia de Engenharia de Tráfego do Rio estará monitorando Drummond vinte e quatro horas do dia, com os olhos de uma câmera especialmente direcionada para ele. Como o próprio poeta escreveu num dos seus mais conhecidos versos: “no meio do caminho tinha uma pedra, tinha uma pedra no meio do caminho ... nunca me esquecerei desse acontecimento, na vida de minhas retinas tão fatigadas ...”. Desta vez, então, teremos “uma câmera no meio do caminho”. Esperamos que o velho Drummond tenha o descanso merecido.

Adeus, ano velho


Mais uma vez cá estamos: “Adeus ano velho, feliz ano novo, que tudo se realize ... “. O ritmo é de valsa. A contagem é regressiva. Todos estarão de olhos bem abertos, voltados ao ponteiro dos segundos, o qual correrá da esquerda para a direita: “... cinco, quatro, três, dois, um”. Fogos de artifício riscam a noite escura, subindo e se armando como arcos. É verde, é vermelho, azul, brilhante. Champanhes explodem. Espumantes enchem taças. Abraços, beijos, risos. Votos de saúde, paz, amor. É o ritual de Ano Novo. As esperanças se renovam. As promessas são reconsideradas. Serão 365 novas tentativas de parar de fumar, de começar aquele regime, ou recomeçá-lo. Planos para ginástica, para aquela corrida, para entrar em forma, e para se dedicar mais aos estudos.
Todo ano é assim e não vai mudar. Pelo menos aqui neste cantinho do mundo, e em todo o Brasil. É a nossa cultura. O ser humano é movido por sonhos. Muitos se realizam no decorrer da vida. Outros não. A esperança de é que um dia, eles se realizem. Nem que seja numa próxima vida, para o nosso próprio crescimento espiritual.
Foi um ano como outro qualquer, só que alguns fatos marcam mais que outros. No mundo alguns nos deixaram; como o rei do pop, Michael Jackson. Entretanto, sua voz não se calou. Independentemente do seu criticado estilo de vida, sua música estará sempre viva, já que os clássicos não morrem; eles só nos deixam. Sócrates, por exemplo, continua “vivinho da silva”, depois de ter nos deixado, com seus ensinamentos. A eleição do primeiro presidente americano negro, o qual diga-se de passagem, ironicamente recebeu o Prêmio Nobel da Paz, mesmo pregando que “o uso da força não é apenas necessário como também moralmente justificável”. Puro antagonismo. A crise econômica mundial afetou todos os países, apesar do nosso presidente ter afirmado que aqui no Brasil ela seria uma “marolinha”. E parece que foi. A indústria brasileira está produzindo mais do que nunca. Altos índices de produção são divulgados, com números invejáveis mundo afora. Nunca se vendeu, e se comprou tantos carros, motos etc. como ultimamente. Na construção civil as paredes não param de subir. É cimento e reboco para todos os lados. Parece que o barbudo e ex-sindicalista tinha razão.
Não podemos nos esquecer também das várias pizzas comidas no Congresso e no Senado. Aliás, ultimamente parece que o cardápio mudou: são panetones agora. Pouca (ou nenhuma) vergonha. O MST destruiu uma plantação de, nada mais, nada menos, sete mil pés de laranjas. E não foi a primeira do ano. Cenas chocantes de destruição das “nossas” riquezas e do trabalho de vários meses dos agricultores. Um verdadeiro crime contra o país. E chamaram de “manifestações sociais”. Bando de “desprovidos de inteligência”.
Aqui na Manchester temos a volta do JEC no cenário nacional, após a conquista da Copa Santa Catarina. Nosso “coelho” estará representando o estado na Série D. Pelo menos marcará um recomeço e esperança de dias melhores; esperamos que “de séries melhores também”. Brigas políticas sempre as teremos; fazem parte da história. Quem ganha reclama das condições encontradas; quem perde diz que deixou um ótimo legado.
Mas afinal, o que se pode esperar a partir da noite de amanhã? Quais serão as novas promessas? Como diz a canção inicial: “... muito dinheiro no bolso, saúde pra dar e vender”. Dinheiro no bolso é essencial e ele traz felicidade, sim. Não adianta os moralistas dizer que “dinheiro não é tudo e não traz felicidade”. Ele traz; e muita. Desde que possa ser usado com consciência e de forma igualitária. Mas, acima de tudo, o que se quer mesmo é muita saúde. É por ela que devemos clamar: saúde, saúde, saúde... Que todos nós a tenhamos, para conseguirmos por em prática todos os nossos sonhos. Que a tenhamos, em número, em grau e gênero o suficiente para crescermos como seres humanos e contribuirmos de alguma forma para com nossos semelhantes. Que Deus nos cubra com Suas bênçãos, para que possamos dar conta dos nossos empreendimentos em 2010.

As férias chegaram. E agora, o que fazer?


Mais um ano se passou. Mesmo que a véspera do Natal seja amanhã e o ano Novo na próxima semana, ele já se foi. Resta-nos agora fazer os planos para as tão esperadas férias de verão. E daí, o que fazer? Aonde ir? Como curtir este período?
Uma das maiores preocupação dos pais, nesta época, é o que fazer com seus filhos, especialmente as crianças. Até então, este papel era assumido pela escola e seus professores. Nas ruas de Joinville já não se veem mais aqueles uniformes verdes, azuis, bordos etc. Agora eles estão “à paisana”. Os pais terão que usar a imaginação para preencher este tempo e aproveitá-lo ao máximo. Para muitos é a oportunidade de ter seus filhos mais próximos e curti-los. Para outros, principalmente os sem paciência, será um martírio. Terão de fazer “das tripas coração” até a chegada do próximo período escolar e depositá-los no portão da escola, dando graças a Deus pelo reinício das aulas.
Muitos não sabem o que fazer. De certa forma é até simples; é só usar a imaginação. Pode até ser uma “coisa” esquematizada, do tipo, numa folha de rascunho, traçar um calendário e distribuir as atividades, assim: levá-los ao cinema, visitar os museus da cidade. Neste caso em particular, as opções são muitas: o Museu Nacional de Imigração e Colonização, o Arqueológico de Sambaqui, o Nacional do Bombeiro etc. Aposto que muitos ainda não os conhecem. Anotem também: tomar sorvete, desenhar, sentar na rua das Palmeiras e ver o movimento passar, procurar alguma colônia de férias. Outra opção bem instrutiva é a nossa Biblioteca Pública Municipal, com sua sala de literatura infanto-juvenil. Dentre tantas opções de leitura temos: Monteiro Lobato e sua boneca de pano, os Irmãos Grimm e seus clássicos, Ana Maria Machado e uma infinidade de outros nas prateleiras da Rolf Colin.
Para os adolescentes parece que as coisas são mais difíceis. Eles já têm suas próprias ideias e gostam de estar e andar em “bandos”; todavia, não custa negociar. A leitura deve ser de lazer (e ela deve haver). O nome da moda é “Crepúsculo” e seus irmãos “Lua Nova”, “Eclipse” e “Amanhecer” até aqui traduzidos para o português. A internet não se pode deixar “rolar solta”. Lembro quando ainda dava aulas aos adolescentes, a sugestão era sempre a mesma: esqueçam os livros didáticos. Não estudem nas férias, pois elas são feitas para se curtir. Façam tudo o que vocês podem, dentro dos limites e descansem para iniciar o próximo ano com as “baterias carregadas”. Caminhar descalço na praia, dar um banho no cachorro, escrever poesias, por que não? Sempre funcionam.
E para os adultos? Vamos dividir em duas classes: a dos que ainda não se graduaram e aqueles que já. Aos primeiros uma leitura relaxante para descontrair; pode até ser bem “açucarada”, para desestressar. Caminhar de mãos dadas na areia da praia, jogar truco, violão, Karaokê. Ah, se você ainda não encontrou a sua “cara metade” é um bom momento. Para isso, olhos bem abertos. Vale à pena investir no visual, malhar e até quem sabe uma boa massagem estética modeladora ou relaxante. Para aqueles que já se graduaram chega de estresse! Afinal de contas foram vários anos sobre textos e avaliações, trabalhos e apresentações. Agora é contar os dias para receber o tão esperado canudo. Vale à pena ficar um ou dois semestres relaxando (literalmente de férias), pensando no que fazer na sequência. A partir de agora as noites estarão livres.
E, para finalizar, aos meus colegas professores e professoras a hora é de esquecer os livros didáticos (eu vou tentar). De repente é um bom momento para ler aquele livro que a tempo está sendo adiado, ou até mesmo escrever um, ou pelo menos começá-lo. Vamos usar a imaginação. Bem, às vezes até parece que se volta mais cansado das férias do que quando se iniciou. Portanto, meninos e meninas, boas férias e descansem bastante. Muita saúde e paz neste Natal e no Ano Novo que se avizinha.

A onda da terceira idade


No início deste mês o jornal “A Notícia” publicou a reportagem “Vida longa para os catarinenses”. Nela, segundo pesquisa do IBGE, “houve um aumento na esperança de vida onde os homens de SC têm a maior expectativa de longevidade do país e, de forma geral, as mulheres vivem mais em média que os homens”.
Três histórias chamaram à atenção: a da dona Ísis, que aos 82 anos passou a escrever poesias e é voluntária do grupo Alegria de Viver, do SESC, em encontros semanais com crianças. A segunda história é de um médico que, logo cedo, já está deslizando nas ondas do mar com a sua prancha de surfe. Com uma vida bem regrada: “sem açúcar, sem cigarro e com alimentação à base de vegetais e frutas”, ele pretende fugir da osteoporose. Apesar de não estar na casa dos “terceira-idadeanos”, hoje com 56, disse que daqui a 20 anos pretende continuar surfando todas as manhãs e trabalhar à tarde. A terceira história é a do seu Ênio, 69, que está prestes a completar três anos de namoro com a dona Nilda, também do grupo do SESC. Todos se mostraram sorridentes, felizes e de bem com a vida.
Como se vê, está na moda o “culto pela terceira idade”. Aí, então, me lembrei que havia também participado de uma solenidade de formatura de um grupo de alunas, vejam só, alunas da terceira idade, na faculdade Anhanguera. As meninas, num total de 12, receberam seus diplomas após terem cursado um semestre cheio de atividades acadêmicas, entre elas pintura, teatro, canto etc.
Nesta formatura, além das homenagens, elas deram um show cantando três músicas: “Cabecinha no ombro”, “Chalana” e como despedida do “semestre letivo”, “Então é Natal”; uma versão de “Happy Christmas”, de John Lennon. Tive a oportunidade de acompanhá-las ao violão (nada profissional é bem verdade). Mas, o que mais chamou à atenção foi uma interpretação teatral chamada “Chapéu violeta”. Achei tão interessante que vale à pena descrevê-la (me perdoem os que já a conhecem).
O palco estava decorado com um pano drapeado e um espelho onde as “alunas-atrizes” eram chamadas uma a uma. Olhando-se no espelho elas diziam: aos 3 anos, ela olha para o espelho e vê uma rainha; aos 8, ela olha para si e vê uma Cinderela; aos 15, se vê uma freira horrorosa e diz: “mãe, eu não posso ir à escola desse jeito”; aos 20, ela se vê muito gorda, muito magra, muito alta, muito baixa, cabelos muito lisos, muito encaracolados, mas decide sair assim mesmo; aos 30, ela olha para e se vê muito gorda, muito magra, muito alta, muito baixa, cabelos muito lisos, muito encaracolados, mas decide que agora não tem tempo para consertar as coisas, então vai sair assim mesmo; aos 40, ela se vê muito gorda, muito magra, muito alta, muito baixa, cabelos muito lisos, muito encaracolados, mas diz: “pelo menos estou limpa” e sai assim mesmo; aos 50, ela olha para si e se vê, como ela é. Então, vai para onde bem entender; aos 60, ela olha para si e se lembra de todas as pessoas que não podem mais se olhar no espelho. Sai de casa e conquista o mundo; aos 70, ela olha para si e vê sabedoria, risos, habilidades. Sai para o mundo e aproveita a vida; aos 80 anos, ela não se incomoda mais em olhar para si. Põe simplesmente o “Chapéu violeta” e vai se divertir com o mundo. “Talvez a gente devesse pegar o Chapéu violeta mais cedo”. (Infelizmente não pude dar o crédito ao autor desta vez, pois é considerado desconhecido).
A onda da terceira idade, neste início de milênio é a de “não deixar a peteca cair”. Já não cabe mais ficar em casa, improdutivamente, esperando o tempo passar. É tempo de curtir a vida, contar histórias, fazer ginástica, sempre com o acompanhamento de um médico especialista, de procurar trabalhos sociais e porque não voltar aos bancos escolares; mesmo porque a idade que conta é a da mente e não a cronológica. E para nós, que ainda não chegamos lá, vamos nos preocupar com os bons exemplos aqui apresentados e não nos preocuparmos tanto com o “Chapéu violeta”.

O debate da EaD


A Educação a Distância (EaD) vem chegando a passos largos nestes últimos anos. O conceito de que a sala de aula compreende um quadro negro, verde, branco, ou até mesmo uma lousa digital, como se vê neste início de terceiro milênio, começa a se transformar. O paradigma da sala de aula está mudando. Hoje, o professor, não necessariamente está à frente dos seus alunos; ele pode estar distante geograficamente centenas de quilômetros e ao mesmo tempo estar presente. Para a grande maioria da população este tipo de educação é novo, porém já existe há certo tempo.
A primeira menção que se conhece foi em 1728, em Boston, nos Estados Unidos, onde um anúncio oferecia “material para ensino e tutoria por correspondência”. Começou a tomar força no Canadá, Espanha, Alemanha e desde então sua prática vem se disseminando gradativamente pelo mundo, ganhando mais e mais adeptos.
Aqui no Brasil, sua criação se deu com o “serviço de radiodifusão educativa do Ministério da Educação”, mais de cem anos após seu lançamento nos EUA, em 1937, numa parceria com a CNBB. Tinha como objetivos bem definidos, promover e orientar a educação. Na década de 1960 surge o famoso Instituto Universal Brasileiro, com seus cursos de Corte e costura, Eletrônica, Fotografia, Datilografia etc. Nesta época também surge o famoso Telecurso do 2º Grau, da Rede Globo, incentivado pelo jornalista Roberto Marinho, objetivando levar educação de qualidade aos brasileiros por meio da televisão. Hoje em dia ele se chama Telecurso 2000 e é apresentado na forma de vídeo aulas, apostiladas, direcionadas aos Ensinos Fundamental e Médio.
Poderiam ser enumeradas centenas de perguntas a respeito da EaD, porém vamos centrar nestas: Qual o seu nível de aprendizado? Quem é o aluno a distância? A educação presencial irá acabar? E o futuro da educação?
Por ser um método “novo”, a quebra deste paradigma assusta muitos profissionais, inclusive da própria educação. Muitos afirmam que o nível de educação é baixo e que nada se aprende; ledo engano. A vontade de aprender vem de dentro do indivíduo. Ninguém aprende porque o outro quer lhe ensinar; aprendemos quando queremos e, sobretudo, quando acontece a mudança no nosso comportamento. O aluno à distância é aquele focado no seu aprendizado e que busca a informação que lhe interessa. Muitas vezes o aluno presencial está mais distante do foco do ensino do que aquele à distância. Por ironia, também, existem aqueles profissionais, da própria educação à distância, que também duvidam dela. Chegam a perguntar se realmente se aprende. Claro que sim, e muito; especialmente porque a leitura e a produção escrita são condições básicas. Claro que existem casos e casos.
A educação presencial jamais irá acabar, assim como o rádio não acabou com a chegada da televisão e, a televisão com a chegada da internet. Ela sempre existiu e sempre existirá. O que irá acontecer, e já acontece em certas instituições, é a mesclagem das duas. Haverá disciplinas em que o aluno irá buscar seu próprio conhecimento, geograficamente longe do professor, e outras em que o aluno estará, junto com o mestre, preferencialmente discutindo e buscando o conhecimento necessário para o seu desenvolvimento. Ou seja, o binômio teoria-prática sempre existirá. O contato do ser humano é essencial para o seu progresso, assim como o silêncio e a concentração também.
Quanto ao futuro da educação é fácil de prever: se hoje a internet contribui de forma maciça no nosso aprendizado, com seus sites, links, bibliotecas virtuais, através da tela do monitor, no futuro o professor virtual estará na nossa casa – literalmente; assim também como nossos colegas de sala - holograficamente. Eles estarão, nas nossas casas, tão vivos quanto os nossos colegas e professores presenciais. São os novos tempos. Devemos nos adaptar a eles e buscar o que de melhor cada sistema pode oferecer.