
A semana passada foi uma das mais quentes na história da nossa cidade. O calor foi infernal. As lojas nunca venderam tantos aparelhos para “espantar calor” como nos últimos dias. Os responsáveis pela previsão do tempo estão custando a acertar. Segundo especialistas a temperatura chegaria à casa dos 36ºC. Entretanto sabemos que ela foi muito além; a sensação térmica chegou à casa dos 56ºC. Joinville e seus moradores nunca sofreram tanto como ultimamente. Parece que estamos entrando em uma nova era.
Cientistas estão prevendo, há décadas, que o clima do planeta está mudando, e parece que o ser humano não está dando ouvidos aos seus clamores. Quanto tempo ainda falta para que a população perceba que esta é a nossa única morada e que se não cuidarmos dela correremos o risco da extinção? Qual é a nossa parte neste cenário? Ainda é possível interferir a fim de minimizar esta situação?
As transformações do clima não se dão somente aqui na Cidade dos Príncipes. Elas aparecem também em toda a Bela e Santa Catarina, no Brasil e no mundo. Na mega São Paulo, por exemplo, manchetes de jornais da semana passada mostraram fotos da capital, que mais parecia o terremoto que assolou o Haiti, em janeiro. Se não fossem os prédios ao fundo, intactos, daria para se afirmar que era o país caribenho. Lama por todo o lado, asfalto completamente destruído, árvores caídas sobre o passeio e automóveis e pessoas sendo levadas pelas correntezas.
É, a natureza está dando o ar da sua graça. Ela está dando o ar, o calor, a chuva, a neve da sua graça. Na Europa, na Ásia e nos Estados Unidos é a neve que chega com uma proporção inversa ao nosso calor. Assim como tomamos seu espaço, ela vem com mais força e leva quem estiver pela frente.
Quando cheguei a Joinville, no início da década de 80, chovia todo o santo dia. São Pedro, literalmente, não dava trégua. Era de segunda a sexta, finais de semanas e feriados, sem exceção. Diziam que se você estivesse dirigindo pela BR 101, no sentido Norte, Joinville era a primeira chuva à direita; caso você estivesse descendo a BR, era a primeira chuva à esquerda. Minhas duas primeiras semanas foram de chuva e céu fechado; sem nenhuma trégua – fiquei assustado. Somente então, deu para ver o azul do céu. As estações do ano eram bem definidas: na primavera tínhamos a chegada das flores; no verão um calor suportável (não como esse de agora); no outono, caíam as folhas das árvores; e, o inverno vinha com seu frio úmido de lascar. Eram casacos, luvas e até pijama por debaixo das calças. Tínhamos as quatro estações bem definidas.
Hoje, após uma década deste terceiro milênio, não podemos mais afirmar quando inicia e quando termina tal e tal estação do ano. É veranico de maio e invernico de dezembro. Comecei até a quebrar alguns preconceitos. Achava que ar condicionado em carro era luxo e coisa de magnata. Parece que não é bem assim. Estou trocando meus conceitos. No carro e em certos ambientes, ar condicionado é condição de bem-estar, de qualidade de vida, melhora a produtividade.
Ainda é possível minimizar os efeitos “vingativos” da natureza. Digo vingativos, porque tiramos dela e não estamos repondo. E ela tem todo o direito. Devemos cuidar do meio ambiente como se fosse nosso próprio corpo. Afinal de contas, escovamos nossos dentes, tomamos banho etc. para nos sentirmos asseados. E quanto ao nosso planeta, quem está fazendo a sua parte? Quem está reciclando? Quem está fazendo a coleta seletiva: sacos plásticos, vidros, papel? O velho e poluído Rio Cachoeira que nos diga. Hoje é possível encontrar de tudo, desde cama, geladeira, pneus; já vi até um capacete de motociclista. Uma frase que marcou na semana passada foi a da Senadora Marina Silva: “o cuidado com o meio ambiente começa no quintal da nossa casa”. Realmente. Se cada um de nós fizer a sua parte, poderemos minimizar os devastadores efeitos que a natureza vem nos mostrando, pois se não cuidarmos desta nossa morada, não sei “aonde vamos parar”!
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