
Os caminhos da educação escolar nunca trilharam tantos rumos como no início deste terceiro milênio. Atualmente, só não estuda quem não quer. O governo dá sua parcela de contribuição, incentivando com bolsas de estudo e programas que facilitem o acesso ao ensino, especialmente o universitário.
Nunca, na história brasileira, se viu tantos acadêmicos galgando seu espaço nas salas de aula, objetivando elevar seu nível de escolaridade e desta forma abrindo melhores oportunidades na vida pessoal e especialmente profissional.
A alguns anos a única porta de entrada ao ensino universitário se dava por meio do vestibular, pois o número de instituições era bem inferior ao que temos agora e a disputa era infinitamente maior. Com o passar do tempo, mais e mais universidades começaram a nascer e como consequência o acesso tornou-se mais fácil, universalizando as universidades e desta forma proliferando oportunidades.
Atualmente, outra via de acesso é por meio da porta do Enem, do Exame Nacional do Ensino Médio. Inicialmente ele tinha como objetivo, de acordo com o Ministério da Educação, “avaliar o desempenho (do alunado) ao término da escolaridade básica”. Hoje, como se sabe, ele também serve de parâmetro para a entrada na faculdade. Há de se parabenizar o governo pelo esforço que vem empenhando ao tentar elevar o nível de escolaridade brasileira (e não poderia ser diferente mesmo).
Porém, apesar de todo o esforço, algumas questões emergem quanto à qualidade deste ensino. Como está o nível de compreensão dos estudantes? Existe algum parâmetro que possa nivelar, por cima preferencialmente, a qualidade da educação brasileira? O aluno brasileiro consegue se expressar de forma satisfatória?
O tema de hoje surgiu por meio do e-mail de um leitor que reside nos Estados Unidos e que acompanha nosso trabalho nas páginas d’A Notícia e também deste articulista. Ele o iniciou com a seguinte pergunta: ”Professor, o que você acha disso tudo? Infelizmente essa turma dentro de poucos anos, estará fora da faculdade exercendo suas funções no mercado de trabalho”. Ele estava se referindo ao Enem e suas “pérolas”. As “pérolas”, para quem não sabe, são as banalidades escritas pelos candidatos nas redações. Chega a ser atroz, desumano; coisas de outro mundo. Mas a mensagem não parava por aí não. O internauta continuava com a seguinte expressão: “divirta-se ou chore”. Eram exatamente vinte “pedras preciosas”, das quais foi tão difícil de selecionar que acabei relacionando somente três. São elas: (1) ”A situação tende a piorar: o madeireiros da Amazônia destroem a Mata Atlântica da região”; (2) “A Aids é transmitida pelo mosquito Aides Egipsio”; e, (3) “O cerumano no mesmo que constrói, também destrói, pois nos temos que nos unir para realizarmos parcerias juntos”. Como se percebe, a falta de coerência e conhecimento é tão abundante que deixa qualquer um preocupado. Falta conhecimento geográfico (em 1), falta conhecimento na área das ciências (em 2) e falta “pé no chão” para falar sobre parcerias (em 3); além, é claro, da nossa língua mãe que sofre calada.
É claro que não se pode generalizar. Entretanto é preocupante. São alunos que cursaram pelo menos onze anos de educação acadêmica e chegam às portas das universidades com “este” nível (ou com a falta dele). Se realmente o barco continuar neste ritmo, aonde vamos parar? Muitos deles serão futuros médicos, engenheiros, fisioterapeutas e, o que é mais preocupante ainda, serão educadores. Alguns até representantes do povo, como vereadores, deputados etc. e redigirão as leis que teremos que cumprir.
Pode-se tirar conclusões tais como: falta de leitura e seriedade nos estudos. O ônus não pode recair somente nas mãos dos professores. A família deve trabalhar em comum acordo com a escola. Os pais devem recorrer diariamente aos cadernos dos seus “pimpolhos” ou a situação tende a se agravar. Vamos deixar as “pérolas” para os momentos de festa; caso contrário, não sei aonde vamos parar.
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