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terça-feira, 9 de agosto de 2011

Carlos Drummond "brasileiro" de Andrade


Parece que o nosso poeta Drummond nasceu para estar sempre sob os olhares das câmeras; agora mais do que nunca. Capas de jornais e revistas comentam que sua estátua, inaugurada quinze anos após sua morte, foi pela oitava vez, vejam só, oitava vez, depredada por vândalos inconsequentes. Mas quem foi este poeta? Qual o seu legado? Por que tanta falta de consideração e desprezo?
Carlos Drummond “brasileiro” de Andrade (o complemento é por minha conta) é mineiro e nasceu na virada do século passado. Formou-se farmacêutico por insistência familiar para que obtivesse diploma universitário, porém nunca exerceu a profissão alegando “preservar a saúde dos outros”. Sua veia literária sempre esteve muito pulsante. Trabalhou em vários jornais no Rio e Minas, tendo sido inclusive chefe de gabinete de um dos ministros da República.
Foi poeta em prosa e verso, cronista e escritor. Além de traduzir francês e espanhol, teve suas obras transcritas, entre tantos idiomas, desde os considerados comuns, como o espanhol, o inglês, o italiano, o alemão, também se encontram textos seus em sueco, tcheco, búlgaro, chinês (do Sr. Hu Jintao) e, até, a considerada “língua morta”, a qual nunca deixará de existir, o Latim, com “Carmina drummondiana”.
Suas idas e vindas para a Argentina foram intensas; sua filha casara-se com um “irmano” e como consequência seus netos também nasceram por lá. Ela começou a difundir sua obra no país vizinho e durante sua vida se tornou escritora também.
As homenagens foram tantas que este espaço não as comporta. Entretanto, algumas chamam a atenção: a verde-rosa do Rio, a Casa da Moeda e os Correios. Em 1987 a Escola de Samba Estação Primeira de Mangueira desfilou seu enredo principal sob o nome “No Reino das Palavras”, sendo inclusive a vencedora daquele ano. Diga-se de passagem, homenagem ainda em vida, pois ele veio a falecer em agosto do mesmo ano. Após dois anos foi a vez da Casa da Moeda homenageá-lo emitindo uma nota de 50 cruzeiros com seu retrato, seus versos e uma auto-caricatura. Os Correios e Telégrafos emitiram um selo em sua homenagem. Finalmente, o hoje “mais que centenário” arquiteto Oscar Niemeyer projetou o Museu de Território Caminhos Drummondianos, em Itabira, Minas, cidade Natal do poeta.
Como se vê, ele sempre teve seu nome em destaque, evidenciando seu trabalho, merecidamente diga-se de passagem. Em 2002 foi erguida e inaugurada uma estátua de bronze, em tamanho real na praia de Copacabana, na cidade maravilhosa. O local é ponto turístico obrigatório de quem por lá passa. Nela Drummond está sentado, no seu jeito característico, com pernas cruzadas e seus braços também ao seu longo, pensativo. Não há quem não se sente ao seu lado e dispare um “click” de uma máquina fotográfica como recordação. Pois bem, ou, “pois mal”, já se passaram vários anos desde a sua primeira versão, que, seus óculos vêm sofrendo vandalismo e depredação, chegando a um total de oito. Por serem muito frágeis e vulneráveis, eles foram arrancados e provavelmente tiveram destinos que podem assim ser imaginados: ou, os vândalos os guardem como troféu, nalguma gaveta e sentem o prazer de virar notícia ao serem mencionados, ostentado-o como troféu; ou, são vendidos com o intuito de virar pó ou pedra de crack. Para esses, o prazer de cheirar é maior do que o nosso: de apreciar. E, dizem que o preço pago não passa dos “oito pilas”.
Desta vez espera-se que os ditos vândalos se sintam mais intimidados e a estátua do poeta se mantenha preservada. A Companhia de Engenharia de Tráfego do Rio estará monitorando Drummond vinte e quatro horas do dia, com os olhos de uma câmera especialmente direcionada para ele. Como o próprio poeta escreveu num dos seus mais conhecidos versos: “no meio do caminho tinha uma pedra, tinha uma pedra no meio do caminho ... nunca me esquecerei desse acontecimento, na vida de minhas retinas tão fatigadas ...”. Desta vez, então, teremos “uma câmera no meio do caminho”. Esperamos que o velho Drummond tenha o descanso merecido.

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