
Por mais campanhas que se façam, o número de pedintes e esmoleiros persiste, dando até a impressão que aumenta aqui na Manchester Catarinense, na nossa bela e Santa Catarina e, porque não dizer, também, no Brasil. São realizadas campanhas com o intuito de diminuir, quiçá erradicá-la, porém parece que os esforços são em vão. A cada dia o número de esmoleiros e pedintes aumenta. São crianças, jovens, adolescentes, homens e mulheres maduras, até velhos, perambulando pelas ruas, fazendo deste meio o seu ganha pão – antes fosse para o pão e o leite. Todavia, como se sabe, na maioria das vezes, é para o consumo de drogas: crack e álcool principalmente. Será que existe alguma forma de combater este mal? De que forma a sociedade pode contribuir para combater este “vicio”?
Aqui em Joinville esta questão passa pelas mãos da Secretaria de Assistência Social, a qual já apresentou pesquisa de opinião sobre “o ato de dar esmolas”, do Programa Porto Seguro. De posse dela, os dados que mais chamam atenção são: “dos adultos, 56,2% não têm conhecimento de nenhum programa social; 82,5% afirmam que o ato de dar esmolas é negativo; 61,3% afirmam que quem recebe esmolas se acostuma a pedi-las; 21,1% afirmam que dar esmolas não ajuda a pessoa que as recebe. Apesar da consciência que possuem acerca da negatividade, eles ainda costumam dar esmolas. Existe uma tendência dos adultos, acima de 55 anos, em dar esmolas, entretanto a mesma tendência entre os jovens é menor. Com relação à escolaridade, os pós-graduados costumam dar menos esmolas – são 45,9%. Finalizando, 82% dos adultos entrevistados costumam dar esmolas por caridade, independentemente da idade, do grau de escolaridade ou sexo”. Percebe-se que a questão é bem controversa.
Uma das ações da Secretaria de Assistência Social é a divulgação em semáforos, de placas com o conhecido dizer: “Não dê esmola. Ajude de verdade”, além do telefone de contato. Já liguei avisando que havia um esmoleiro, em um determinado cruzamento da cidade, tentando fazer a minha parte. No dia seguinte notei que ele estava no mesmo lugar, no mesmo “ponto”. Tornei a ligar e a atendente me disse que eles o recolheram e, além de lhe dar uma cesta básica o interrogaram. Ele disse que ganha mais dinheiro num só dia, do que o valor da tal cesta básica. Como se vê não é só problema de falta de trabalho ou coisa assim; é malandragem mesmo. Até outdoors já foram colocados nas ruas para sensibilizar a população. Esforços estão sendo feitos, portanto. Lembro-me agora, quando estudava no Colégio Dom Bosco, em Porto Alegre. Certo dia, disse o Padre Conselheiro, um homem pediu um prato de comida. Ele não se negou a dar, porém disse que da próxima vez, ele teria que roçar o gramado da escola. Adivinhem se ele voltou?
O binômio “educação e trabalho” parece ser uma das soluções. A educação sendo disseminada nas escolas (poderia até ser tema em um dos bimestres escolares) despertaria a consciência de que realmente o ato de dar esmolas vicia e incita ao pedinte de voltar às ruas. A esmola é como um combustível, ou seja, enquanto se continuar com a prática, haverá pedintes estendendo suas mãos.
Um programa de trabalho, para estas pessoas parece ser uma das soluções. Ensinar-lhes o ofício da jardinagem, de fazer pão, de cortar cabelo, até mesmo a construção civil, contribuiria para a diminuição da indústria da esmola, profissionalizando-os. Entretanto, parece é que é mais fácil “não fazer nada” recebendo, do que trabalhar de “sol a sol” para conseguir algum trocado.
Por mais campanhas que se façam, a conscientização pessoal, da população como um todo, é que fará a diferença e a diminuição da “esmolagem”. Quando todos, sem exceção, toda a população parar, literalmente de dar moedinhas e troquinhos, especialmente nos semáforos, eles serão obrigados a procurar alguma colocação no mercado de trabalho. Claro que muitos dirão que o crime aumentará. Como se vê uma coisa incita outra. Algo deve ser feito, senão continuaremos a andar em círculos.
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