
Na sexta-feira, 16 de junho de 2010, apesar de não ter sido uma treze, muito menos do mês de agosto, foi como se fosse, para o americano Ronnie Lee Gardner, 49. Condenado à pena de morte, ele foi executado como nos tempos do faroeste - num paredão. Cinco atiradores de elite, voluntários, foram os responsáveis pelo abreviamento da vida daquele homem, num alvo de aproximadamente 5 centímetros, com um círculo no meio, colocado no lado esquerdo do seu peito.
Antes dos disparos o guarda da prisão anuncia ao microfone que o condenado tinha direito há dois minutos para suas palavras finais. Após a pergunta o prisioneiro simplesmente diz: “I do not, no.” - que em português claro significa, “Não tenho nada a dizer”, balançando levemente sua cabeça, conforme descreveu um dos jornalistas autorizados a participar da execução. Após suas últimas palavras, foi colocado um capuz preto à sua cabeça. Este fato se deu na cidade de Salt Lake City, no estado de Utah, nos Estados Unidos.
O recluso foi condenado, após ter assassinado um bartender com um tiro na face, há mais de vinte e cinco anos. “Estou feliz porque ele está livre agora. Somente triste pela forma como se deu”, declarou seu irmão.
Confesso que não imaginava que num país como o do tio Sam, pelo menos em alguns estados (já que cada um possui suas próprias leis), ainda se usasse a prática deste tipo de pena pela justiça. Então: se é errado matar (e é claro que o é), o que fazer com os que o sacrificaram? O que fazer com aqueles atiradores, que voluntariamente se dedicaram, de corpo e alma, para executar sua tarefa da melhor forma possível? Que justiça é esta, que mata para punir? Que mata quem matou?
Esta, é a justiça dos homens; não a de Deus. Por que se assim fosse, Ele seria um pai vingativo com seus filhos. A do homem nós conhecemos. Para a Richthofen, por ter assassinado seus pais, a justiça - dos homens - a condenou a 39 anos de reclusão. Será que quatro décadas é o preço a pagar por duas vidas? E a de Deus? O que será que acontecerá quando ela se apresentar, tête-à-tête, com Ele?
Será que a corte não é tão assassina quanto o executado? Fico imaginando os atiradores chegando em casa, sendo abraçados por suas esposas e indagados por seus pequenos: “papai, você teve um bom dia de trabalho?”. Ou então: “papai, vamos brincar de bangue-bangue?
Punição deve haver sim. Mas para servir como reflexão pessoal e como exemplo para a sociedade. Na pior das hipóteses, tranca-se o homicida, ou qualquer outro que cause mal à sociedade, e atira-se a chave no mais fundo dos oceanos. Esta, por sinal, continua sendo a opinião de um homem; não a do Supremo.
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