
Apelidos servem para identificar pessoas ou lugares. Quem de nós já não teve algum? Quem de nós, em determinado momento de nossa vida, já não foi chamado, ou apelidado, independentemente da nossa vontade? Muitos se sentem lisonjeados, se sentem até homenageados, entretanto outros nem tanto e, muito pelo contrário: viram verdadeiras feras. Por exemplo: quando alguém está dirigindo muito devagar é chamado de Barrichello; quando é um “ás no volante” é comparado ao alemão, sete vezes campeão da Fórmula 1, Michael Schumacher, ou simplesmente o “Schumy”. O outro Michael, o rei do pop, também tinha seu apelido. Na América ele era chamado de Waco.
Na língua espanhola a palavra “apelido” significa sobrenome. Em inglês apelido é nickname, ou simplesmente nick, termo muito utilizado para se falar nos sites de relacionamento; todos têm o seu nick.
Há quase um ano o “gordo dos domingos”, o da tela da TV Globo, apresentou uma engraçada matéria. Nela, existe uma cidade no estado das Minas Gerais, chamada Cláudio, na qual todos os habitantes têm o seu apelido. “O curioso é que se não colocar o apelido no anúncio de falecimento das pessoas, não aparece ninguém nos enterros”.
Existem apelidos que se transformam em nomes. Vocês conhecem o José de Lima Sobrinho e o Durval de Lima? São os famosos Chitãozinho e Xororó. E o José Luís e o Emival Eterno? Viraram o saudoso Leandro e o seu irmão Leonardo.
Comecei então a lembrar dos amigos, familiares e suas respectivas alcunhas. Os mais comuns, ou seja, aqueles que são de fácil identificação: “Alex” de Alexandre, “Beto”, de Alberto ou Roberto, “Dudu”, de Eduardo, “Carol” de Carolina. Existem aqueles onde utilizamos o diminutivo ou aumentativo: “Toninho”, “Jairão”, “Paulinha”, “Cabeção”. A Elenita é a “Leni” e o Leandro é o “Lê”. E, acreditem se quiser, na minha família, até hoje meus tios me chamam de “Alfredinho”.
Tem aqueles que nunca gostaram dos seus. Um deles era o “Gão”. É que ele era muito medroso e o apelido pegou desde o primeiro momento. O “Molinha” é porque seus cabelos eram encaracolados. Outro amigo, ao fazer um exercício de ginástica saiu correndo e gritando - Sou fabuloso, sou fabuloso; virou “Fabu”. Até hoje não sei o seu nome verdadeiro.
Para alguns o apelido é como uma marca registrada. Certa vez estava eu na cidade de Araranguá, procurando por um tal de Vivaldo. Ninguém o conhecia. Quando perguntei pelo seu apelido - “Caveira” foi mais fácil: - Ah, o Caveira. Fui direcionado à sua casa sem dificuldades. E olha que ele morava lá a mais de trinta anos. Seu apelido se originou na época em que ele cavava buracos, no Morro dos Conventos, e encontrou algumas caveiras. Quando as trouxe para a cidade, exibindo-as aos amigos, o apelido pegou na hora (saudoso “Caveira”, que Deus o tenha).
Fiquei sabendo que é possível alguém trocar de nome, desde que haja motivo real. É a Lei 6.015/73, no seu artigo 56. Após atingir a maioridade, basta ir a um cartório e solicitar a mudança ou acréscimo, do apelido ao nome. A Lei permite em casos como: se a pessoa for testemunha em algum processo criminal e precisa se manter em absoluto sigilo, para resguardar sua identidade; ou, se o nome causa constrangimento, expondo-se ao ridículo (neste caso basta acessar a internet para obter alguns nomes hilários). Conheci um que se chamava João Pinto da Costa Neto. “Joãozinho”, entretanto, nunca se incomodou com seu nome. Também, em casos de correção gráfica; ou, quando o nome é muito comum (quantos João da Silva existem em Joinville, em Santa Catarina, no Brasil e no mundo?); ou, se o apelido for muito conhecido, acrescentando-o ao nome. A lista dos famosos é longa. O “barbudo” foi batizado Luiz Inácio da Silva e virou Luiz Inácio “Lula” da Silva. A Rainha dos Baixinhos também teve seu apelido acrescido ao seu nome; hoje ela se chama Maria da Graça “Xuxa” Meneghel. E o Atleta do Século 20, o Pelé. Será que alguém, em sã consciência, o chamaria pelo seu nome: bom dia senhor Édson Arantes do Nascimento?
E você, tem algum apelido?
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