Vai Natal, vem Natal e a brincadeira do “amigo-secreto” cada vez mais toma força. Dizem que a ideia surgiu no início do século passado, em plena depressão de 1929, com a queda da bolsa de valores americana. Como as “vacas estavam magras”, alguém teve a ideia de trocar presentes para que todos saíssem da brincadeira com pelo menos um. E parece que ela é uma brincadeira mundial: na terra do tio Sam ela se chama “Secret Santa”. Lá o nosso Papai Noel é chamado de Santa Claus – o São Nicolau. Nos países de língua espânica, ela se denomina “Amigo Invisible” – o amigo invisível e por aí afora.
Nesta época pré-natalícia, as famílias estipulam o seu valor e começam a se mobilizar, preenchendo os “papelzinhos” com os nomes de todos os seus integrantes, para sortear o seu amigo. Às vezes, como se sabe, ela tem que ser feita mais de uma vez, pois a pessoa “tira” o seu próprio nome. Quando chega o dia de anunciar o seu “amigo invisível”, a revelação se dá por meio de dicas, risos e gritos.
Existem aqueles que torcem para ser sorteado por determinada pessoa, porque sabem que vão ganhar um bom presente. Outros nunca estão contentes com o que ganham. Outros ainda ficam na expectativa: será que vou tirar a minha sogra?!
Nas escolas, empresas e faculdades não é diferente. O valor depende da situação financeira. Para uns vale tudo. Para outros, existe só o preço mínimo. Há aqueles que estipulam um valor mínimo e o máximo. Já vi até de R$ 1,99. É mais pela brincadeira mesmo. Neste caso os presentes mais inspiradores são anjinhos, porta-retratos, espelho de bolsa. Já vi até gente ganhando sapo de gesso, aquele deitado com uma pança avantajada e a cabeça sendo segurada pela mão, de cor verde. Até que lembrava, e muito, a barriga e o jeito de deitar de quem o recebeu. Haja criatividade.
Ultimamente o costume é deixar uma lista com o presente que se queira ganhar. Foi o que me chamou atenção. Estava afixado em num mural a seguinte frase: “Que tal dar uma ajudinha para o seu amigo?” A coisa é bem organizada. Cada um assina o seu nome e ao lado o presente que quer ganhar. O que me chamou ainda mais atenção foram os seguintes pedidos: chinelo de dedo com tirinhas finas – menos dourado, um livro (ou) uma pulseira, carteira, vale da loja XYZ, vale presente de R$ 100,00 (nada modesto por sinal), bolsinha de ladinho quadradinho não muito brilhosa, a fulana (citou o nome da amiga) tem uma e a sicrana (outro nome) também, tem duas alças. Entretanto, o pedido que mais chamou atenção foi o seguinte: pura e simplesmente, Rodrigo Santoro. Sim ele mesmo, o ator da Rede Globo. E, ao lado estava escrito, a lápis, já tenho, kkk (risos).
A imaginação começou a fluir. Pensei então no próprio Papai Noel e sua família. Fiquei imaginando o que eles iriam escrever na lista: o “bom velhinho” iria pedir um trenó novo, 4 x 4, diesel, com air bags. Sua esposa, a “boa velhinha” iria pedir uma máquina de fazer biscoitos, aqueles de Natal. A “sogra Noel” uma vassoura, em formato de aspirador de pó, movida a GNV (Gás Natural Veicular). E, finalmente, o “sogro Noel” uma vara de pescar wireless.
Brincadeiras à parte, creio que o tal presente do amigo secreto deva ser uma coisa espontânea - uma surpresa na essência. Esse negócio de escolher o próprio presente deixa a brincadeira sem emoção. Qual é a graça de abrir o presente sabendo o que o espera? O legal mesmo é abrir o pacote e ter a curiosidade, até o fim, de apreciar a lembrança; goste ou não goste. Aliás, foi o que aconteceu. No último Natal, depois de brigar com o meu pacote para abri-lo, recebi uma linda rede de casal, diretamente do nordeste brasileiro, daquelas de se pendurar na parede. Meninos e meninas, que a brincadeira seja “a moda da casa”, ou seja, ao seu próprio gosto e que acima de tudo, aproveitem o verdadeiro espírito de Natal. Que os abraços sejam sinceros e o maior presente de todos esteja sempre presente: a saúde. Boa brincadeira.
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