
Existem certas convenções que a sociedade estabelece como norma e que as convencionamos. Quando uma empreitada inicia, contamos nos dedos: os minutos, as horas, os dias, as semanas, os meses, os anos, as décadas, os séculos, os milênios. Com o casamento é assim. Naquele exato momento que, na maioria das vezes é realizado numa igreja, existe o tradicional juramento: “juro amar-te na pobreza, na saúde, na doença, na alegria e na tristeza” se estabelece o vínculo entre duas pessoas. Tudo é festa, diversão e alegria. A partir daí a vida é outra. Não se pensa mais sozinho. Os acordos começam a tomar efeito. Um cede de um lado, o outro do outro. O tempo vai passando e os meses são contados desde o “juramento”. Algumas perguntas surgem: quanto tempo dura uma lua de mel? E o amor entre o casal é realmente “até que a morte os separe”? Quanto tempo ele dura?
Cada dia é uma vitória. As bodas são contadas no ciclo dos 365 dias. A primeira é de “papel”, a segunda de “algodão”. Depois vem de “couro”, “seda”, “jade”. Aos dez anos, segundo algumas versões, é a vez de “cristal”. As mais conhecidas são: “prata” para vinte e cinco anos, “ouro” para cinquenta e “diamante” para setenta e cinco. Haja amor para tantos anos.
Lembro de um amigo m(eu), que na sua primeira “boda” levou para casa um “buquê”, com “uma” rosa vermelha. A esposa toda contente com aquela data tão marcante agradeceu e com um sorriso “meia-boca” disse: - Legal. Obrigado. “Só” uma? A resposta foi: - Sim. É só o primeiro ano. Deu então para entender que a cada ano seria acrescida “uma“ rosa vermelha. E até hoje, no dia marcado, na mesma hora, ela as conta, “uma a uma”, para ver se estão todas ali.
Nos primeiros anos é amorzinho, benzinho e queridinha. Com o passar do tempo é amor, bem e querida. Parece que o “zinho” perde espaço para o tempo. Para muitos a lua de mel acaba na porta do novo lar. Para outros ela dura um ou dois meses. Porém, é possível eternizá-la. Já ouvi dizer que ela está durando mais de vinte e seis anos. Acho que um dos segredos, também, é apaixonar-se pela mesma pessoa, como um ciclo em espiral. Muitos creem que é difícil; e é. Entretanto basta comprometimento e, porque não, dedicação. Dedicar-se a si e ao próximo. O amor não tem idade. Pergunte a você mesmo: você casaria com a mesma pessoa, mesmo depois de tantos anos?
Amar é um dos atos mais simples e mais complicados, assim como diz Roberto Carlos na sua canção “Outra vez”. Outros dizem “Que seja eterno enquanto dure este amor”. Existem também aqueles que não passaram pela oficialização, ou seja, pelo crivo da Igreja ou da Justiça, mas que nem por isso perdem o seu valor. Muitos dizem que estão juntos quatro anos, sete anos, mas que ainda não se casaram. Enganam-se. Já estão casados nestes quatro ou sete anos. Perante a lei, o que vale é a união estável.
Muitas bodas vão se apagando. Muitas se acabam por causa da lei da gravidade. O que era “belo” e “firme” perde espaço para o tempo. Uns até trocam uma de quarenta por duas de vinte, ou menos. Cabe a nós entender, aceitar e nos acostumarmos; nem por isso devemos parar de lutar para parecer sempre jovem. É digno de se admirar quando um casal, de idade avantajada, caminha de mãos dadas, como eternos namorados. Quantos anos se passaram desde a primeira boda. Parece que a lua de mel não acabou. E não deve mesmo. Devemos vivê-la eternamente, independentemente do tempo, ou da ação da gravidade.
Os buquês e flores também devem ser presenteados sempre, sem detrimento da data. Não precisamos esperar o ciclo dos trezentos e sessenta e cinco dias para lembrar de comprá-los. A surpresa, aliás, é também um dos maiores presentes. Pode até mesmo ser aquela colhida no quintal de casa, ou “roubada” do vizinho. O que vale é a intenção. E, a lua de mel pode ser vivida a vida inteira. Basta dedicação, renúncia, doação e não viver a vida do outro. Vamos viver e comemorar cada boda com muito prazer e orgulho, afinal de contas, nascemos para amar e sermos amados.
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